Thursday, April 14, 2005

A terra que nos une

Ao trabalhar a palavra, tocando e sentindo a textura do texto, cada vez me convenço mais de que a tradução é como um abalo telúrico que produz, inevitavelmente, incontáveis fricções na camada ou superfície do texto. O resultado são fissuras, rachas e fendas, umas obscuras de sentido, outras epifânicas na sua revelação, num imparável jogo de intensidades, pulsões e tensões, avanços e recuos, onde cada elemento textual luta por conquistar o seu lugar e assumir um papel de direito próprio nessa manta de retalhos, tantas vezes construída e reconstruída pela (re)leitura e pela (re)escrita.

2 comments:

João Paulo Sousa said...

Permito-me saudar o regresso dos bons textos sobre tradução. As tuas reflexões são estimulantes.

darrelgibson6049 said...
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