Artigo publicado no jornal "O Globo", do dia 16 de Outubro de 2009 (versão online, disponível aqui)
'Os estrangerismos e a defesa da língua portuguesa'
Publicada em 16/10/2009 às 12h44m
Artigo do leitor Diego Barbosa da Silva
Desde maio deste ano, a lei 5033 está em vigor no município do Rio de Janeiro. De autoria do vereador Roberto Monteiro, ela dispõe sobre a exposição de propagandas em outros idiomas no Rio, tornando obrigatória a tradução em palavras cujas letras sejam do mesmo formato das originais. Caso contrário, em descumprimento, o artigo 3º da lei prevê multa de R$ 5 mil na primeira ocorrência, o dobro em caso de reincidência e até suspensão do alvará.
Não é de hoje que os brasileiros presenciam lei como esta. Desde 1999 tramita no Congresso Nacional um projeto de lei do deputado Aldo Rebelo, do mesmo partido do vereador carioca, que dispõe sobre a promoção, proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa e a torna obrigatória no ensino, trabalho, relações jurídicas, meios de comunicação de massa, produção e consumo de produtos e na publicidade por brasileiros natos e estrangeiros residentes há mais de um ano no país. Ele ainda afirma que "qualquer uso da palavra ou expressão em língua estrangeira", sobretudo se tiver correspondente em português, seria "considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro e punível com multa na forma da lei".
O deputado justifica a lei afirmando que os estrangeirismos descaracterizam a língua portuguesa e esse fato corresponde à "falta de senso crítico, estético e autoestima" do brasileiro. De certo, o projeto de lei causou forte reação de linguistas em todo o país e por isso recebeu várias emendas.
Para o vereador carioca, autor da referida lei, os cidadãos não compreendem o que as propagandas querem dizer, o que criaria para eles um desconforto. Ele invoca a Constituição para afirmar que todos são iguais e as propagandas limitam o entendimento de apenas um grupo, o que causaria uma desigualdade.
A conclusão a que chegamos é que ele enxerga os cidadãos como se fossem incapazes de compreender os anúncios. Mas pelo contrário, se eles não entendem tais anúncios, é porque não tiveram acesso a meios que lhes permitissem, como por exemplo, uma boa escola pública. Assim, por que não elaborar uma lei para aumentar o orçamento da educação no município do Rio de Janeiro?
A lei 5033 baseia-se num pensamento equivocado, que já deveria estar superado, de que há uma língua nacional pura, mais correta, que representa nossa cultura e por isso precisa ser defendida dos ataques estrangeiros, principalmente do inglês. A lei endossa o preconceito e a crença de que não somos um país multilingue. E não me refiro às línguas indígenas ou dos imigrantes, mas às várias línguas portuguesas que estão aí e são quase sempre esquecidas.
A língua é viva, transforma-se. E o que está fora hoje da norma culta amanhã pode não estar mais, porque a língua justamente pertence a quem a fala. Não precisamos ter medo dos estrangeirismos, pois o contato entre línguas sempre foi enriquecedor e a diversidade, fruto desse contato, nos torna mais preparados às transformações do ambiente. O inglês mesmo, essa língua "tão ameaçadora", tem palavras de origens de mais de 350 línguas, sendo que metade do seu vocabulário é de origem latina.
Não nos resta nenhuma dúvida da necessidade de uma política linguística para a elaboração de novos métodos de ensino de línguas e para a melhoria da educação do nosso Brasil, sobretudo para que todos tenhamos consciência das variedades de nossa língua e dos seus diferentes ambientes de uso. Mas não podemos perder o foco, pois o falante-cidadão é livre para se expressar como queira, afinal, língua também é identidade, intimidade e direito.
Comentário:
Lei n.º 5033 proíbe, no município do Riode Janeiro, a utilização de estrangeirismos em cartazes publicitários.
Os prevaricadores sujeitam-se a uma multa pesada e, em caso de reincidência, àsuspensão do alvará.
Este tipo de documento legal tem antecedentes no Brasil. O mais célebre é o Projecto deLei n.º 1676/99, do deputado federal Aldo Rebelo, que proíbe liminarmente o uso de estrangeirismos, mesmo em vocabulário técnico.
Saturday, October 24, 2009
Friday, October 23, 2009
Good ole 80s
Como eu gosto desta revisitação do som dos anos 80 por estas novas bandas. Estes lembram Joy Division, The Sound, The Chameleons e afins...
Editors - Papillon
EDITORS | MySpace Video
Editors - Papillon
EDITORS | MySpace Video
Monday, October 19, 2009
Saturday, October 17, 2009
I am back
Ando um pouco arredado destas lides, eu sei, mas não é por mal, nem por desrespeito aos distinto(a)s leitore(a)s.
Apenas trabalho e os inadiáveis compromissos.
Entretanto, deixo-vos com este artigo, que vem corroborar aquilo por que tantas vezes luto.
As línguas (e os alunos de línguas) são estratégicos e um valor económico para as empresas.
Só os chico-espertos, empresários ardilosos e empregadores com visão limitada é que não partilham destes anseios. Porque é, muitas vezes, de mão-de-obra barata e de "carne para canhão", explorada até ao limite, sem qualquer escrúpulo, que estamos a falar.
A ler, aqui.
Apenas trabalho e os inadiáveis compromissos.
Entretanto, deixo-vos com este artigo, que vem corroborar aquilo por que tantas vezes luto.
As línguas (e os alunos de línguas) são estratégicos e um valor económico para as empresas.
Só os chico-espertos, empresários ardilosos e empregadores com visão limitada é que não partilham destes anseios. Porque é, muitas vezes, de mão-de-obra barata e de "carne para canhão", explorada até ao limite, sem qualquer escrúpulo, que estamos a falar.
A ler, aqui.
Saturday, August 01, 2009
Avaliação do Ensino Artístico em Portugal

Há muito que ando a bater nesta tecla. E a minha prática pedagógica/profissional tende a ser norteada por estes valores (entre outros).
Arte e cultura não são "coisas" menores, num mundo massificado, tecnicizado e cada vez mais nivelado por rankings, métricas e estratégias de normalização. Por isso, o ensino artístico (onde incluo, como é óbvio, as artes, a cultura, a literatura, mas também a língua nas suas mais diferentes manifestações) pode e deve ser considerado como um serviço de utilidade pública, um valor adicional e um vector estratégico de desenvolvimento e afirmação nacionais, pela forma como conjuga o humano e o técnico, o económico e o cultural, o social e o empresarial. E daí a necessidade de reenquadrar condignamente o ensino artístico em Portugal, devolvendo-lhe o seu verdadeiro lugar na sociedade, conforme o demonstra o relatório recentemente publicado, aqui.
Wednesday, July 29, 2009
Localizar, por aí...

Nos anos 80, os Ban, do então Loureiro júnior, cantarolavam "Surrealizar, por aí..."
E era a loucura total.
Hoje, o tio Bill Gates disfarça-se de Pai Natal e oferece-nos estas prendinhas singelas.
E a malta canta, embevecida e obediente, perante os novos desígnios do "choque tecnológico".
"Localizar, por aí..." (ou melhor, aqui)
(este link vem directo do Eric, com os devidos agradecimentos)
E era a loucura total.
Hoje, o tio Bill Gates disfarça-se de Pai Natal e oferece-nos estas prendinhas singelas.
E a malta canta, embevecida e obediente, perante os novos desígnios do "choque tecnológico".
"Localizar, por aí..." (ou melhor, aqui)
(este link vem directo do Eric, com os devidos agradecimentos)
Monday, July 27, 2009
O Admirável Mundo Novo (ou talvez não)
Aldous Huxley passou por aqui.
(com os meus agradecimentos ao Cristóvão)
(com os meus agradecimentos ao Cristóvão)
Wednesday, July 08, 2009
Quebra-cabeças
A Maria do Carmo Figueira é uma excelente tradutora e, para além disso, uma das pessoas que melhor pensa a tradução.
Este pequeno e sugestivo exercício, chamado "Quebra-cabeças", desmonta o processo cognitivo e emocional que existe no acto de traduzir.
Este pequeno e sugestivo exercício, chamado "Quebra-cabeças", desmonta o processo cognitivo e emocional que existe no acto de traduzir.
Tuesday, July 07, 2009
Assinem! Por uma boa causa
Petição Não ao Acordo de Londres - Salvaguardar a Língua Portuguesa
http://www.peticaopublica.com/?pi=traducao
http://www.peticaopublica.com/?pi=traducao
Sunday, July 05, 2009
Wednesday, June 17, 2009
Olha-me que grande novidade!
Segundo um novo relatório da OCDE, elaborado com o apoio da Comissão Europeia, três em cada quatro professores sentem que não têm suficientes incentivos para melhorar a qualidade do seu ensino, ao passo que, três em cada cinco escolas alegam que o mau comportamento dos alunos na sala perturba o bom desenrolar da aula. O relatório assenta no novo inquérito internacional sobre ensino e aprendizagem (TALIS) e, pela primeira vez, apresenta dados comparáveis à escala internacional sobre as condições de trabalho dos professores nas escolas, baseados nas conclusões de um inquérito conduzido em 23 países participantes.
Resumindo e concluindo:
Só quem anda a "dormir", e quem não "vive" e "sente" diariamente o pulsar da escola, tal como a herdámos, é que pode ficar surpreendido com estas conclusões.
Texto completo, aqui:
Eficácia dos professores prejudicada pela falta de incentivos e pelo mau comportamento na sala de aula
Segundo um novo relatório da OCDE, elaborado com o apoio da Comissão Europeia, três em cada quatro professores sentem que não têm suficientes incentivos para melhorar a qualidade do seu ensino, ao passo que, três em cada cinco escolas alegam que o mau comportamento dos alunos na sala perturba o bom desenrolar da aula. O relatório assenta no novo inquérito internacional sobre ensino e aprendizagem (TALIS) e, pela primeira vez, apresenta dados comparáveis à escala internacional sobre as condições de trabalho dos professores nas escolas, baseados nas conclusões de um inquérito conduzido em 23 países participantes.
Ao apresentar o relatório, o Secretário-Geral da OCDE Angel Gurría insistiu na necessidade de melhorar o desempenho dos professores. «O êxito das políticas de educação depende fortemente da existência de professores de elevada qualidade,» afirmou. «A verdade é que a qualidade de um sistema educativo não pode superar a qualidade dos seus professores e do respectivo trabalho.»
Ján Figel', Comissário Europeu responsável pelo pelouro da educação, formação, cultura e juventude, acrescentou a este respeito: «Estima-se que haja 6 250 000 professores na UE, que precisam de toda a ajuda que as autoridades educativas lhes possam prestar para poderem leccionar o melhor possível nos diversos ambientes de sala de aula, em rápida evolução. Para tanto, é necessário determinação e empenho por parte dos responsáveis políticos no apoio aos nossos professores, apoio esse não só para melhorar a sua formação, mas também para a melhoria das suas condições de trabalho.»
O relatório, intitulado «Creating effective teaching and learning environments» (Criar ambientes de ensino e aprendizagem eficazes), baseia-se nas conclusões do TALIS, e revela o seguinte:
- Na Austrália, Bélgica (Flandres), Dinamarca, Irlanda e Noruega, mais de 90% de professores afirmam não esperar qualquer recompensa pelo facto de melhorarem a qualidade do seu ensino.
- Os professores mostram-se menos pessimistas na Bulgária e na Polónia, ainda que cerca de metade deles não vejam incentivos para melhorar.
- Na Estónia, Itália, República Eslovaca e Espanha, mais de 70% de professores do 3.º ciclo do ensino básico trabalham em escolas em que se refere que as perturbações de sala de aula prejudicam o processo de ensino «em certa medida» ou «bastante».
- Em média, 38% dos professores inquiridos trabalhavam em escolas em que se faz sentir escassez de pessoal qualificado. Na Polónia, este problema afecta apenas 12% das escolas. Já na Turquia, essa escassez afecta 78 % das escolas. http://dx.doi.org/10.1787/607784618372
- Em média, os professores passam 13% do tempo de aula a mater a ordem. Na Bulgária, Estónia, Lituânia e Polónia, esse esforço representa menos de 10 % do tempo de aula.
- Para além das perturbações na sala de aula, outros factores que prejudicam o ensino incluem o absentismo dos alunos (46%), a sua chegada tardia à aula (39%), o uso de linguagem vulgar e blasfema (37%) e a intimidação ou ofensas verbais contra outros estudantes (35%).
- Conjuntamente com a falta de incentivos para melhorarem, nalguns países os professores nem sequer estão sujeitos a qualquer avaliação sistemática nem recebem qualquer forma de apreciação do seu trabalho. É o que acontece com mais de 25 % dos professores na Irlanda e em Portugal, 45 % em Espanha e 55 % na Itália. http://dx.doi.org/10.1787/607856444110
A principal lição política é a de que as autoridades educativas têm de prever incentivos mais eficazes para os professores. Muitos países não estabelecem uma relação entre a apreciação do desempenho dos professores e as recompensas e o reconhecimento que estes recebem e, mesmo naqueles onde tal existe, essa relação não é frequentemente muito estreita.
De um modo geral, o inquérito indica que os planificadores da educação poderiam fazer mais para apoiar os professores e melhorar o desempenho dos estudantes, se o público e os decisores políticos olhassem menos para o controlo dos recursos e dos conteúdos educativos e mais para os resultados da aprendizagem.
Contexto
TALIS é a designação do novo inquérito da OCDE: «inquérito internacional sobre ensino e aprendizagem». Trata-se do primeiro inquérito à escala internacional que se debruça sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho dos professores nas escolas. Examina questões que afectam os professores e o seu desempenho, na perspectiva dos directores/presidentes e dos próprios professores. Procura-se deste modo suprir importantes lacunas de informação que se observam ao comparar os sistemas educativos a nível internacional.
O inquérito foi conduzido com o apoio da Comissão Europeia, e cobre 23 países participantes: Austrália, Áustria, Bélgica (comunidade flamenga), Brasil, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coreia, Lituânia, Malásia, Malta, México, Noruega, Polónia, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Espanha e Turquia.
Em cada país, foram seleccionadas aleatoriamente cerca de 200 escolas e, em cada uma delas, foram preenchidos dois questionários, um pelo director e outro por 20 professores escolhidos ao acaso.
As perguntas abordavam temas como a preparação dos professores, as práticas de ensino que adoptam e os regimes de reconhecimento e recompensas para os professores.
Resumindo e concluindo:
Só quem anda a "dormir", e quem não "vive" e "sente" diariamente o pulsar da escola, tal como a herdámos, é que pode ficar surpreendido com estas conclusões.
Texto completo, aqui:
Eficácia dos professores prejudicada pela falta de incentivos e pelo mau comportamento na sala de aula
Segundo um novo relatório da OCDE, elaborado com o apoio da Comissão Europeia, três em cada quatro professores sentem que não têm suficientes incentivos para melhorar a qualidade do seu ensino, ao passo que, três em cada cinco escolas alegam que o mau comportamento dos alunos na sala perturba o bom desenrolar da aula. O relatório assenta no novo inquérito internacional sobre ensino e aprendizagem (TALIS) e, pela primeira vez, apresenta dados comparáveis à escala internacional sobre as condições de trabalho dos professores nas escolas, baseados nas conclusões de um inquérito conduzido em 23 países participantes.
Ao apresentar o relatório, o Secretário-Geral da OCDE Angel Gurría insistiu na necessidade de melhorar o desempenho dos professores. «O êxito das políticas de educação depende fortemente da existência de professores de elevada qualidade,» afirmou. «A verdade é que a qualidade de um sistema educativo não pode superar a qualidade dos seus professores e do respectivo trabalho.»
Ján Figel', Comissário Europeu responsável pelo pelouro da educação, formação, cultura e juventude, acrescentou a este respeito: «Estima-se que haja 6 250 000 professores na UE, que precisam de toda a ajuda que as autoridades educativas lhes possam prestar para poderem leccionar o melhor possível nos diversos ambientes de sala de aula, em rápida evolução. Para tanto, é necessário determinação e empenho por parte dos responsáveis políticos no apoio aos nossos professores, apoio esse não só para melhorar a sua formação, mas também para a melhoria das suas condições de trabalho.»
O relatório, intitulado «Creating effective teaching and learning environments» (Criar ambientes de ensino e aprendizagem eficazes), baseia-se nas conclusões do TALIS, e revela o seguinte:
- Na Austrália, Bélgica (Flandres), Dinamarca, Irlanda e Noruega, mais de 90% de professores afirmam não esperar qualquer recompensa pelo facto de melhorarem a qualidade do seu ensino.
- Os professores mostram-se menos pessimistas na Bulgária e na Polónia, ainda que cerca de metade deles não vejam incentivos para melhorar.
- Na Estónia, Itália, República Eslovaca e Espanha, mais de 70% de professores do 3.º ciclo do ensino básico trabalham em escolas em que se refere que as perturbações de sala de aula prejudicam o processo de ensino «em certa medida» ou «bastante».
- Em média, 38% dos professores inquiridos trabalhavam em escolas em que se faz sentir escassez de pessoal qualificado. Na Polónia, este problema afecta apenas 12% das escolas. Já na Turquia, essa escassez afecta 78 % das escolas. http://dx.doi.org/10.1787/607784618372
- Em média, os professores passam 13% do tempo de aula a mater a ordem. Na Bulgária, Estónia, Lituânia e Polónia, esse esforço representa menos de 10 % do tempo de aula.
- Para além das perturbações na sala de aula, outros factores que prejudicam o ensino incluem o absentismo dos alunos (46%), a sua chegada tardia à aula (39%), o uso de linguagem vulgar e blasfema (37%) e a intimidação ou ofensas verbais contra outros estudantes (35%).
- Conjuntamente com a falta de incentivos para melhorarem, nalguns países os professores nem sequer estão sujeitos a qualquer avaliação sistemática nem recebem qualquer forma de apreciação do seu trabalho. É o que acontece com mais de 25 % dos professores na Irlanda e em Portugal, 45 % em Espanha e 55 % na Itália. http://dx.doi.org/10.1787/607856444110
A principal lição política é a de que as autoridades educativas têm de prever incentivos mais eficazes para os professores. Muitos países não estabelecem uma relação entre a apreciação do desempenho dos professores e as recompensas e o reconhecimento que estes recebem e, mesmo naqueles onde tal existe, essa relação não é frequentemente muito estreita.
De um modo geral, o inquérito indica que os planificadores da educação poderiam fazer mais para apoiar os professores e melhorar o desempenho dos estudantes, se o público e os decisores políticos olhassem menos para o controlo dos recursos e dos conteúdos educativos e mais para os resultados da aprendizagem.
Contexto
TALIS é a designação do novo inquérito da OCDE: «inquérito internacional sobre ensino e aprendizagem». Trata-se do primeiro inquérito à escala internacional que se debruça sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho dos professores nas escolas. Examina questões que afectam os professores e o seu desempenho, na perspectiva dos directores/presidentes e dos próprios professores. Procura-se deste modo suprir importantes lacunas de informação que se observam ao comparar os sistemas educativos a nível internacional.
O inquérito foi conduzido com o apoio da Comissão Europeia, e cobre 23 países participantes: Austrália, Áustria, Bélgica (comunidade flamenga), Brasil, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coreia, Lituânia, Malásia, Malta, México, Noruega, Polónia, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Espanha e Turquia.
Em cada país, foram seleccionadas aleatoriamente cerca de 200 escolas e, em cada uma delas, foram preenchidos dois questionários, um pelo director e outro por 20 professores escolhidos ao acaso.
As perguntas abordavam temas como a preparação dos professores, as práticas de ensino que adoptam e os regimes de reconhecimento e recompensas para os professores.
Tuesday, June 09, 2009
Monday, June 08, 2009
Curiosidades

Sabia que a UE gasta 2,30 euros por cidadão, em tarefas ou actividades de tradução, de e para as 23 línguas que a compõem?
Publicado no dia 30 de Maio de 2009 no Ecodiario
El Europarlamento gastó 484 millones de euros en multilingüísmo en 2008 MADRID, 30 (SERVIMEDIA) La traducción e interpretación en todas las instituciones europeas de las 23 lenguas de la Unión supone alrededor del 1 por ciento del presupuesto total de la UE, lo que equivale a 2,30 euros por ciudadano y año.
El Parlamento Europeo, junto con la Comisión, es el mayor empleador del mundo de interpretes y traductores. Hay cerca de 1.500 personas trabajando en ello, es decir, más de un tercio de todo el personal del Parlamento.
Una de sus principales funciones es la de realizar la verificación lingüística de los textos de la Eurocámara. El Parlamento dispone de un servicio de traducción en el que trabajan 700 personas, aunque también recurre a profesionales "freelances" para los textos no prioritarios.
La Eurocámara cuenta con una base permanente de 400 interpretes, pero durante las sesiones plenarias, cuando los intérpretes necesarios pueden aumentar hasta 1.000 también se recurre a contratar personal de manera puntual.
En la actualidad, la UE tiene 23 lenguas oficiales y utiliza tres alfabetos: latino, griego y cirílico. Las decisiones sobre las lenguas oficiales exigen la unanimidad de los Estados miembros.
Existen, por tanto, 506 combinaciones bilaterales posibles entre lenguas, ya que cada una de las 23 lenguas puede traducirse a las 22 restantes, y no siempre hay personal para garantizar la traducción.
Para solucionar este problema se utiliza el sistema de lenguas-puente, de manera que los documentos son traducidos a unas pocas lenguas, denominadas lenguas "pivot", y de esos idiomas al resto. Los debates de las sesiones plenarias se interpretan en todas las lenguas oficiales.
Cualquier ciudadano puede dirigirse al Parlamento europeo en cualquiera de las lenguas cooficiales españolas y tiene derecho a recibir respuesta en ese mismo idioma. Catalán, gallego y euskera son lenguas de comunicación entre los ciudadanos y las instituciones europeas, pero no son lenguas oficiales y por ello los diputados no pueden expresarse en esos idiomas en las comisiones o en las sesiones plenarias.
Monday, June 01, 2009
Foi bonita a festa, pá!

Há muitos anos que Serralves faz parte do meu/nosso roteiro sentimental.
Serralves é um estado de espírito, um estado de alma, uma filosofia de vida, um princípio nivelador da minha existência.
Ir a Serralves é um banho de saúde. É renascer um pouco, é respirar alegria, é alcançar uma paz e tranquilidade difíceis de igualar. Ir a Serralves é carregar as baterias, repor energias e equilibrar os nossos dias.
Ir a Serralves é pintar a manta, sujar-nos de tinta, mexer na terra, correr e pular com os miúdos, fazer experiências, dormitar na relva, piquenicar à sombra, saborear uma cerveja no prado. Ir a Serralves é já ter saudades do próximo ano e, a cada momento, ter sempre desejo de regressar.
Até breve, e voltem sempre!
Onde está o "Magalhães"?
Dizem que é uma espécie de Magalhães.
E, já agora, confesso que tinha tudo para ser um belo anúncio de propaganda ao nosso Magalhães, se houvesse criativos à altura na estratégia comunicacional do governo.
Basta é fazer um pequeno, mas difícil, exercício de abstracção, colocar a Ministra da Educação a desfilar na Rua do Carmo (com a canção dos UHF em pano de fundo) e começar a jogar o "Onde está o Wally - versão Magalhães".)
Se aprenderem a treinar o olhar, lá no fundo, no fundo, verão que os aparelhos nas mãos destas meninas podiam perfeitamente ser os equipamentos que fazem as delícias da ganapada e dos adultos, também...
E, já agora, confesso que tinha tudo para ser um belo anúncio de propaganda ao nosso Magalhães, se houvesse criativos à altura na estratégia comunicacional do governo.
Basta é fazer um pequeno, mas difícil, exercício de abstracção, colocar a Ministra da Educação a desfilar na Rua do Carmo (com a canção dos UHF em pano de fundo) e começar a jogar o "Onde está o Wally - versão Magalhães".)
Se aprenderem a treinar o olhar, lá no fundo, no fundo, verão que os aparelhos nas mãos destas meninas podiam perfeitamente ser os equipamentos que fazem as delícias da ganapada e dos adultos, também...
Saturday, May 30, 2009
Uma verdade incómoda

Já o Eça falava disto, com a sua distinção entre o provinciano e o paroquial.
Não é preciso vir o Al Gore e toda a sua parafernália mediática para nos falar de verdades incómodas, nesta era da globalização, em que os acontecimentos mundiais (a milhares de kms da nossa terrinha) assumem, por vezes, contornos verdadeiramente trágicos e urgentes, desviando, quase sempre, a nossa atenção das verdadeiras tragédias que, não raras vezes, ocorrem no nosso pátio, quintal, bairro ou mesmo na porta ao lado.
Porque há verdades incómodas, porque este é um assunto absolutamente vital e porque há muito que queria verbalizar o meu incómodo perante o marasmo e o clima de "balda" académicos, faço minhas as palavras do filósofo e professor universitário José Gil:
A relação afectiva entre professor e aluno foi substituída pelo desprezo deste para com o primeiro.
E, já agora, aconselho vivamente a leitura da sua entrevista ao jornal "Público", de sábado, 30 de Maio, aqui. Isto, adicionado a uma boa dose de Boaventura Sousa Santos, António Barreto e Medina Carreira é uma autêntica bomba atómica, capaz de abalar as mentes mais soporíferas, anestesiadas ou simplesmente adormecidas nos braços de Morfeu.
Porque há verdades incómodas, porque este é um assunto absolutamente vital e porque há muito que queria verbalizar o meu incómodo perante o marasmo e o clima de "balda" académicos, faço minhas as palavras do filósofo e professor universitário José Gil:
A relação afectiva entre professor e aluno foi substituída pelo desprezo deste para com o primeiro.
E, já agora, aconselho vivamente a leitura da sua entrevista ao jornal "Público", de sábado, 30 de Maio, aqui. Isto, adicionado a uma boa dose de Boaventura Sousa Santos, António Barreto e Medina Carreira é uma autêntica bomba atómica, capaz de abalar as mentes mais soporíferas, anestesiadas ou simplesmente adormecidas nos braços de Morfeu.
(porque para bom entendedor...)
Sunday, May 24, 2009
Juventude inquieta
(não, ainda não é o Rumble Fish, mas podia ser... cada coisa a seu tempo)
Uma curta imperdível e evocativa de um certo tempo e de uma memória em que a música ditava as leis, o ritmo, a respiração e o pulsar das nossas vidas, qual deus das pequenas coisas.
LOVE YOU MORE, com produção de Anthony Minghella, realização de Sam Taylor-Wood e argumento de Patrick Marber. E ainda com a aparição cameo muito a la Hitchcock de Pete Shelley, himself, dos Buzzcocks. Com exibição em Vila do Conde, em 2008. A lembrar Control... e tantos outros, num tributo sentido a toda uma geração que cresceu à volta das velhinhas Tubitek e Jo-Jo's. Quem se lembra, quem? Um dia falarei aqui desses templos da música e cultura underground do Porto, no eixo D. João I, Cedofeita, Brasília.
Para ver com nostalgia e conhecer mais em http://www.loveyoumorefilm.com/
Nota: Ouvir com o som no máximo...
Uma curta imperdível e evocativa de um certo tempo e de uma memória em que a música ditava as leis, o ritmo, a respiração e o pulsar das nossas vidas, qual deus das pequenas coisas.
LOVE YOU MORE, com produção de Anthony Minghella, realização de Sam Taylor-Wood e argumento de Patrick Marber. E ainda com a aparição cameo muito a la Hitchcock de Pete Shelley, himself, dos Buzzcocks. Com exibição em Vila do Conde, em 2008. A lembrar Control... e tantos outros, num tributo sentido a toda uma geração que cresceu à volta das velhinhas Tubitek e Jo-Jo's. Quem se lembra, quem? Um dia falarei aqui desses templos da música e cultura underground do Porto, no eixo D. João I, Cedofeita, Brasília.
Para ver com nostalgia e conhecer mais em http://www.loveyoumorefilm.com/
Nota: Ouvir com o som no máximo...
Love You More preview from Matt Cooper on Vimeo.
Thursday, May 14, 2009
Novo dicionário da língua portuguesa revisto e aumentado
Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom
Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não queira dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES..
Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.
Casa que não fractura... não predura.
Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira.
Também existe a variante "Inclusivel".
Mô
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.
Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é
uma poupança extraordinária.
Númaro
Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim,
acho um bom númaro!
Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol.
Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma
rápida.
Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.
Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nosso pseudo-intelectuais..
Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O "stander" é um dos grandes clássicos do "português da cromagem"...
Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo
para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está
errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom
Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não queira dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES..
Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.
Casa que não fractura... não predura.
Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira.
Também existe a variante "Inclusivel".
Mô
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.
Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é
uma poupança extraordinária.
Númaro
Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim,
acho um bom númaro!
Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol.
Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma
rápida.
Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.
Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nosso pseudo-intelectuais..
Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O "stander" é um dos grandes clássicos do "português da cromagem"...
Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo
para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está
errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
Monday, May 11, 2009
Amanhã é dia de luta
Saturday, May 09, 2009
Wednesday, May 06, 2009
Políticos gu-gu-da-da (e só falta juntar água)


Chama-se a isto Product Placement (ou embedded marketing), ou seja, o nome que se dá em marketing à técnica de colocação de uma marca num programa de televisão, ou outro suporte/meio multimédia e audiovisual, de uma forma explícita. Neste caso, o processo é a conhecida ventriloquia socrática, personificada no inenarrável Zílio das Hortas, e o meio é essa espécie de boneco Donale, de nome Piño (ai flores, ai flores de verde piño), mais conhecido por El Piño, o demolidor.
Mas será que o Pinho tem alguma comissão nisto?
Já agora, a Maizena não é só utilizada na culinária?
"Maizena é a marca número um de amido de milho e permite obter melhores resultados, fazendo que seus pratos sejam mais suaves e leves.
Múltiplas possibilidades de uso
Maizena é a marca número um de amido de milho e oferece grandes vantagens por suas múltiplas possibilidades de uso já que pode ser usada na elaboração de massas, molhos, cremes, bolos, tortas, alimentação infantil e muitas outras aplicações. Maizena permite obter melhores resultados, fazendo que todas suas preparações sejam mais suaves e leves."
Múltiplas possibilidades de uso
Maizena é a marca número um de amido de milho e oferece grandes vantagens por suas múltiplas possibilidades de uso já que pode ser usada na elaboração de massas, molhos, cremes, bolos, tortas, alimentação infantil e muitas outras aplicações. Maizena permite obter melhores resultados, fazendo que todas suas preparações sejam mais suaves e leves."
E não será que se devia meter também ao barulho o Nestum, a Milupa, a Nestlé, a Milupa, a Bledina, que tantas gerações de crianças felizes fizeram/alimentaram?
Monday, May 04, 2009
Porto de abrigo
A Mónica foi minha colega de liceu, mas se calhar já nem se lembra de mim. Acho que falámos pouco, nesses anos. Conheci e conheço bem os irmãos.
Há muito que descobri este seu porto de abrigo, e todos os dias abro a janela e deixo a luz e a clareza das suas cogitações inundarem a minha vida.
Sublinho, em especial, este post, porque, embora sendo pai, e não mãe, como o dia de ontem assinalou, também me revejo nas suas palavras.
Há muito que descobri este seu porto de abrigo, e todos os dias abro a janela e deixo a luz e a clareza das suas cogitações inundarem a minha vida.
Sublinho, em especial, este post, porque, embora sendo pai, e não mãe, como o dia de ontem assinalou, também me revejo nas suas palavras.
Sunday, May 03, 2009
Mulheres, Uni-vos
Só não sei bem se a Manuela Ferreira Leite e a Maria de Lurdes Rodrigues se encaixam neste paradigma...
Sunday, April 26, 2009
À procura da batida perfeita
Tradição
Respeito
Autonomia
Descendência
União
Camaradagem
Amizade
Orgulho
Loadeando...
"Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho"
Respeito
Autonomia
Descendência
União
Camaradagem
Amizade
Orgulho
Loadeando...
"Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho"
Henri Michaux (mudado por Herberto Helder)
Tradução
Eu me escarneço e saboreio
Torno-me de facto inocente
Nada resiste; olho em vão
Isto circula e entra na ordem
Um sítio chama outro responde
Tolas ruas contentes, oh como a coisa promete
Mas que se afastem os invejosos e os retorcidos aspas idem
Deixa pois perorempurrar os agros magros
Pelo meu lado regresso à água do oceano. Adeus
Ouvi o pancadaquear dos paquetes, eu embarco
Ora pois, velho hábito; pouco valho; mas tenho nos dedos
o jeito dos marinheiros de dar doze nós
numa corda e bombordo estibordo
balançar-me nas pernas, gosto disso.
Nas tempestades agarro-me ao grande mastro nu,
ouvido colado, há todo o tipo de ruídos;
entre duas rajadas vejo virem os va-
galhões com as cristas espumadas
e às vezes esta água violenta torna-se tão calma e
como que agonizante, senti-
mo-nos profundamente felizes
se ela apenas se agita com algumas rugas e dobras,
como algo que se aguenta tem-te-não-caias sob uns
velhos olhos benevolen-
tes e sábios de mulher.
Herberto Helder, Doze Nós Numa Corda
Eu me escarneço e saboreio
Torno-me de facto inocente
Nada resiste; olho em vão
Isto circula e entra na ordem
Um sítio chama outro responde
Tolas ruas contentes, oh como a coisa promete
Mas que se afastem os invejosos e os retorcidos aspas idem
Deixa pois perorempurrar os agros magros
Pelo meu lado regresso à água do oceano. Adeus
Ouvi o pancadaquear dos paquetes, eu embarco
Ora pois, velho hábito; pouco valho; mas tenho nos dedos
o jeito dos marinheiros de dar doze nós
numa corda e bombordo estibordo
balançar-me nas pernas, gosto disso.
Nas tempestades agarro-me ao grande mastro nu,
ouvido colado, há todo o tipo de ruídos;
entre duas rajadas vejo virem os va-
galhões com as cristas espumadas
e às vezes esta água violenta torna-se tão calma e
como que agonizante, senti-
mo-nos profundamente felizes
se ela apenas se agita com algumas rugas e dobras,
como algo que se aguenta tem-te-não-caias sob uns
velhos olhos benevolen-
tes e sábios de mulher.
Herberto Helder, Doze Nós Numa Corda
Saturday, April 25, 2009
Para saber quem fomos (somos)
Hoje acordámos a trautear isto. E, a propósito do "Conta-me como foi" (programa no top das audiências caseiras), aproveitámos para falar com as gerações mais novas acerca do que era viver no "antigamente".
É sempre bom partilhar alegrias e experiências de um tempo que passou e verificar que a liberdade passa/passou também por aqui.
Por elas, e para elas...
É sempre bom partilhar alegrias e experiências de um tempo que passou e verificar que a liberdade passa/passou também por aqui.
Por elas, e para elas...
Thursday, April 23, 2009
Boas Leituras

E, já agora, uma sugestão:
O remorso de baltazar serapião, de valter hugo mãe (QuidNovi 2006), que começa assim:
"a voz das mulheres estava sob a terra, vinha de caldeiras fundas onde só diabo e gente a arder tinham destino. a voz das mulheres, perigosa e burra, estava abaixo de mugido e atitude da nossa vaca, a sarga, como lhe chamávamos.
mal tolerados por quantos disputavam habitação naqueles ermos, batíamos os cascos em grandes trabalhos e estávamos preparados, sem saber, para desgraças absolutas ao tamanho de bichos desumanos. tamanho de gado, aparentados de nossa vaca, reunidos em família como pecadores de uma mesma praga. maleita nossa, nós, reunidos em família, haveríamos de nos destituir lentamente de toda a pouca normalidade.
abríamos os olhos pirilampos à fraca luz da vela, porque a sarga mugia noite inteira quando havia tempestade. dava-lhe frio e aflição de barulhos. era pesado que nos preocupássemos com a sua tristeza, se havia algo na sua voz que nos referia, como se soubesse nosso nome, como se, por motivo perverso algum, nos fosse melódico o seu timbre e nos fizesse sentido a medida da sua dor. por isso, custava deixá-la sem retorno, sem aviso de que a má disposição das nuvens era fúria de passagem. (...)"
Wednesday, April 22, 2009
Monday, April 20, 2009
Conferência sobre tradução literária e cultura (UE)
Conferência sobre tradução literária e cultura exalta papel da tradução na consolidação do ideal europeu
O Presidente Durão Barroso e o Comissário Leonard Orban participam hoje, em Bruxelas, numa conferência sobre tradução literária e cultura. Com este evento, a Comissão Europeia visa incentivar o debate sobre o papel da tradução literária na integração europeia e no diálogo intercultural. A conferência decorre das discussões do almoço-debate consagrado à tradução que teve lugar em Bruxelas a 6 de Novembro de 2008 e pretende alargar a discussão sobre tradução literária a um público mais vasto de profissionais da língua. Entre os cerca de 120 participantes contam-se tradutores, escritores, editores, universitários e críticos literários, bem como profissionais do teatro, do cinema e da música.
«A tradução europeia deu uma contribuição decisiva para a consolidação do ideal europeu», afirmou o Comissário Europeu do Multilinguismo, Leonard Orban. «É graças a ela que podemos articular a descoberta e o respeito da diversidade com a consciência de possuirmos um património cultural comum. A tradução simboliza a abertura à diferença».
Esta conferência é mais um exemplo do compromisso assumido pela Comissão Europeia de aumentar a sensibilização para a importância da diversidade linguística e da tradução literária enquanto ferramenta para a compreensão de outras culturas.
Muito antes de a Europa se tornar um projecto económico e político com a criação das Comunidades Europeias, já era sabido que a profusão de línguas, leis e instituições locais e nacionais do continente se firmava numa unidade essencial a nível mais profundo. É esta tomada de consciência que explica a razão da importância da tradução literária, que permite aos europeus ultrapassar as barreiras culturais e linguísticas e descobrir as obras e tradições dos seus vizinhos.
Nas últimas décadas, a tradução ganhou também importância devido a um outro factor: a natureza multilingue do projecto europeu. As políticas da UE em matéria de multilinguismo incluem a promoção da aprendizagem das línguas.
A sessão plenária da conferência começará com um debate entre o Presidente Durão Barroso, o escritor e crítico literário italiano Ernesto Ferrero e o músico espanhol Jordi Savall. Seguir-se-á um discurso do Comissário Leonard Orban sobre a política de multilinguismo. Tomarão também a palavra o deputado europeu Vasco Graça Moura e o escritor iraquiano Younis Tawfik.
A tarde será dedicada a três sessões de trabalho («Tradução e diálogo intercultural», «O trabalho do tradutor: aspectos da profissão» e «A tradução em todas as suas facetas»). A síntese dos trabalhos será feita por Jacques de Decker, relator-geral, escritor e secretário permanente da Académie royale de langue e de littérature françaises de Belgique. As conclusões finais serão apresentadas pelo Comissário Leonard Orban no termo da jornada.
A conferência tem lugar das 9h30 às 17h00 na sala Durieux, no Edifício Charlemagne, em Bruxelas. A sessão plenária terá interpretação nas seguintes línguas: FR, EN, DE, IT, ES, PT, RO, NL, PY, SK, GR, SI, HU, CZ e FI.
As inscrições estão já encerradas, mas a conferência poderá ser seguida pela Internet em : http://ec.europa.eu/education/languages/index_pt.htm
Comissário Orban: http://ec.europa.eu/commission_barroso/orban/index_pt.htm
Direcção-Geral da Tradução: http://ec.europa.eu/dgs/translation
Portal das Línguas da Comissão Europeia: http://europa.eu/languages/pt/home
O Presidente Durão Barroso e o Comissário Leonard Orban participam hoje, em Bruxelas, numa conferência sobre tradução literária e cultura. Com este evento, a Comissão Europeia visa incentivar o debate sobre o papel da tradução literária na integração europeia e no diálogo intercultural. A conferência decorre das discussões do almoço-debate consagrado à tradução que teve lugar em Bruxelas a 6 de Novembro de 2008 e pretende alargar a discussão sobre tradução literária a um público mais vasto de profissionais da língua. Entre os cerca de 120 participantes contam-se tradutores, escritores, editores, universitários e críticos literários, bem como profissionais do teatro, do cinema e da música.
«A tradução europeia deu uma contribuição decisiva para a consolidação do ideal europeu», afirmou o Comissário Europeu do Multilinguismo, Leonard Orban. «É graças a ela que podemos articular a descoberta e o respeito da diversidade com a consciência de possuirmos um património cultural comum. A tradução simboliza a abertura à diferença».
Esta conferência é mais um exemplo do compromisso assumido pela Comissão Europeia de aumentar a sensibilização para a importância da diversidade linguística e da tradução literária enquanto ferramenta para a compreensão de outras culturas.
Muito antes de a Europa se tornar um projecto económico e político com a criação das Comunidades Europeias, já era sabido que a profusão de línguas, leis e instituições locais e nacionais do continente se firmava numa unidade essencial a nível mais profundo. É esta tomada de consciência que explica a razão da importância da tradução literária, que permite aos europeus ultrapassar as barreiras culturais e linguísticas e descobrir as obras e tradições dos seus vizinhos.
Nas últimas décadas, a tradução ganhou também importância devido a um outro factor: a natureza multilingue do projecto europeu. As políticas da UE em matéria de multilinguismo incluem a promoção da aprendizagem das línguas.
A sessão plenária da conferência começará com um debate entre o Presidente Durão Barroso, o escritor e crítico literário italiano Ernesto Ferrero e o músico espanhol Jordi Savall. Seguir-se-á um discurso do Comissário Leonard Orban sobre a política de multilinguismo. Tomarão também a palavra o deputado europeu Vasco Graça Moura e o escritor iraquiano Younis Tawfik.
A tarde será dedicada a três sessões de trabalho («Tradução e diálogo intercultural», «O trabalho do tradutor: aspectos da profissão» e «A tradução em todas as suas facetas»). A síntese dos trabalhos será feita por Jacques de Decker, relator-geral, escritor e secretário permanente da Académie royale de langue e de littérature françaises de Belgique. As conclusões finais serão apresentadas pelo Comissário Leonard Orban no termo da jornada.
A conferência tem lugar das 9h30 às 17h00 na sala Durieux, no Edifício Charlemagne, em Bruxelas. A sessão plenária terá interpretação nas seguintes línguas: FR, EN, DE, IT, ES, PT, RO, NL, PY, SK, GR, SI, HU, CZ e FI.
As inscrições estão já encerradas, mas a conferência poderá ser seguida pela Internet em : http://ec.europa.eu/education/languages/index_pt.htm
Comissário Orban: http://ec.europa.eu/commission_barroso/orban/index_pt.htm
Direcção-Geral da Tradução: http://ec.europa.eu/dgs/translation
Portal das Línguas da Comissão Europeia: http://europa.eu/languages/pt/home
Sunday, April 19, 2009
Trilogia (Movimentos Finais)
E para concluir esta pequena e singela trilogia dedicada a tão mesquinha entidade, ouçamos este lindo tema, tendo especial atenção para a finíssima e delicada mensagem subliminar transmitida no refrão.
Robin dos Bosques vs Sheriff de Nottingham

Retomando o post anterior, se vivêssemos na época do Robin dos Bosques, diria que a entidade atrás mencionada seria o equivalente ao Sherrif (Xerife, como surgia num disco 45 rpm da minha infância, em que a história era contada com fulgor e emoção por um narrador com sotaque brasileiro) de Nottingham...
O problema é que já não há heróis, como dizia a música, e os fantoches que nos governam e fazem oposição, reprovariam em qualquer casting elementar para esse papel. O de "bom da fita", leia-se e sublinhe-se, porque para maus papéis já estamos nós fartos de actores medíocres, peritos em overacting...
Desabafo: Apresento-vos...

o maior ladrão de todos os tempos, e o ser mais abjecto de que há memória ...
Por razões que não interessa agora aqui expor (sob pena de entediar este vastíssimo auditório), estou farto (literalmente farto) de ser incomodado por estes senhores.
Nota: Este post deve ser ouvido ao som disto que vos indico:
Good moaning
GUIA PRÁTICO DA CIÊNCIA MODERNA:
01. Se mexer, pertence à Biologia.
02. Se feder, pertence à Química.
03. Se não funciona, pertence à Física.
04. Se ninguém entende, é Matemática.
05. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
06. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer
sentido, é INFORMÁTICA.
Eu cá diria que é mesmo POLÍTICA!
01. Se mexer, pertence à Biologia.
02. Se feder, pertence à Química.
03. Se não funciona, pertence à Física.
04. Se ninguém entende, é Matemática.
05. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
06. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer
sentido, é INFORMÁTICA.
Eu cá diria que é mesmo POLÍTICA!
Friday, April 17, 2009
O mestre Miyagi do bilhar
Como eu desejava jogar assim...
Durante o último CTTT, cá em Braga, tive oportunidade de jogar isto contra o Anthony (Pym), o Frank (Austermuhl) e a Debbie (Folaron).
Perdi com todos... mas tal deve-se mais à nossa (minha) habitual tradição e cultura de simpatia e hospitalidade (a chamada arte de bem receber), do que propriamente à falta de jeito... (acho eu...)
Durante o último CTTT, cá em Braga, tive oportunidade de jogar isto contra o Anthony (Pym), o Frank (Austermuhl) e a Debbie (Folaron).
Perdi com todos... mas tal deve-se mais à nossa (minha) habitual tradição e cultura de simpatia e hospitalidade (a chamada arte de bem receber), do que propriamente à falta de jeito... (acho eu...)
Thursday, April 16, 2009
Visível + Invisível = Diferente?

Retomo aqui um tema de que já falei (o da visibilidade invisibilidade do tradutor) e da tendência para uma certa divisão/hierarquização do trabalho, ao nível da prestação de serviços de tradução.
Neste caso, é o colega Fabio Said, que fala do assunto no seu blogue fidus interpres
Frase do dia
“Hammer your thoughts into unity.”
Uma frase (ou será lema de vida?) a que recorro frequentemente.
Não sei se, alguma vez, será traduzível. Talvez sim...
P.S. Já agora, um presente a quem oferecer a melhor tradução.
Uma frase (ou será lema de vida?) a que recorro frequentemente.
Não sei se, alguma vez, será traduzível. Talvez sim...
P.S. Já agora, um presente a quem oferecer a melhor tradução.
Contemporary Africa(s): Current Artistic Interventions after the 'Post'
Mais uma colheita da nossa safra (redundâncias à parte).
Call for Papers
Contemporary Africa(s): Current Artistic Interventions after the 'Post'
14 -15 Maio 2009
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
4710-057 Braga - Portugal
Envio de propostas [max. 300 palavras] até 20 de Abril de 2009
Deadline for abstracts [max. 300 words] 20 April 2009
http://ceh.ilch.uminho.pt/grupocli/index.htm
Organização:
Centro de Estudos Humanísticos — CEHUM
Grupo de Investigação em Estudos Pós-coloniais e Literaturas de Intervenção
Call for Papers
Contemporary Africa(s): Current Artistic Interventions after the 'Post'
14 -15 Maio 2009
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
4710-057 Braga - Portugal
Envio de propostas [max. 300 palavras] até 20 de Abril de 2009
Deadline for abstracts [max. 300 words] 20 April 2009
http://ceh.ilch.uminho.pt/grupocli/index.htm
Organização:
Centro de Estudos Humanísticos — CEHUM
Grupo de Investigação em Estudos Pós-coloniais e Literaturas de Intervenção
Wednesday, April 15, 2009
Serviço público 2 (Localização)
Já se encontra disponível, em http://ceh.ilch.uminho.pt/atelier.htm , o artigo apresentado por Vanessa Enríquez Raído e Frank Austermühl, durante o 2º seminário HOT - Hands-On Translation, intitulado Translation, Localization, and Technology – Current Developments
Boas leituras, ou como dizia o outro "always read good papers"
Boas leituras, ou como dizia o outro "always read good papers"
Tuesday, April 14, 2009
Querida, mudei o laboratório
Mas onde é que eu já vi visto? Que saudades dos nossos velhinhos laboratórios de línguas...
Algumas ideias práticas para personalizar o seu ambiente de trabalho.
Algumas ideias práticas para personalizar o seu ambiente de trabalho.
Monday, April 13, 2009
Sunday, April 12, 2009
Descubra as diferenças

Gostaria de partilhar convosco uma velha, misteriosa e inquietante teoria minha, espécie de "mito urbano", segundo o qual o nosso fantástico, magnífico, espantoso, mirabolante, seboso, bronco, anestesiante e virtualmente virtuoso CR (7) é uma espécie de PA no masculino, sem silicone, mas igualmente desprovido de neurónios e apenas com uma singelíssima preocupação na cabeça (como, aliás, demonstram as imagens)...
Saturday, April 11, 2009
Apologia da mui nobre, sempre leal e invicta llengua portugueza
Encontrei isto, nas arrumações lá de casa.
O 1º texto é um artigo de cariz sociológico, tentando desmontar o 2º (que é o que interessa, neste caso).
POLIVALÊNCIA... HÁ 70 ANOS
ELVIRA PEREIRA
Socióloga, Téc. Sup. Principal da Inspecção das Finanças
ELVIRA PEREIRA
Socióloga, Téc. Sup. Principal da Inspecção das Finanças
Actualmente, é comummente aceite o facto de quer os recursos humanos, quer as organizações, necessitarem de se conformar com os imperativos da flexibilidade, criatividade, versatilidade e adaptabilidade como condição sine qua non da sobrevivência.
Como poderá observar no pequeno texto que abaixo transcrevemos, pode-se inferir da não novidade daqueles princípios. Muitos agentes económicos foram, no seu tempo, inovadores, possuidores de um raro sentido das oportunidades e suficientemente flexíveis em ordem à adaptação necessária aos mais diversos contextos. Porém, é sempre possível fornecer exemplos caricaturais sobre essas mesmas qualidades.
Com a devida vénia, transcrevemos, na íntegra, um texto publicado no jornal Correio do Ribatejo. Trata-se da cópia de um prospecto que Manuel Ferreira, da vila da Sertã, mandou imprimir e distribuir há cerca de 70 anos.
Deste texto infere-se a extraordinária polivalência do signatário do anúncio, que vai desde "surgião" e "rigedor" a ensinante de "jiographia, aritmética, gimnástica e outras chinezisses", culminando com cantos e danças.
Diríamos que mais sábio que Newton só o Sr. Manuel Ferreira, desde que este dominasse com a mesma acuidade os instrumentos básicos de decifração cultural que tal abrangência requeria.
Difíceis tempos aqueles em que o tudo, pelos vistos, era quase nada ou pouca coisa.
Afinal, o que o anúncio revela é um simples exemplo da tão portuguesíssima "lei do desenrascanço". Hoje, por razões diferentes, aos jovens coloca-se cada vez mais o problema da formação abrangente e recorrente, da oportunidade, da flexibilização e da adaptação à nova rdem do trabalho.
Aqui para nós, quando acabamos de 1er o anúncio, a nossa reacção sintetiza-se aproximadamente no seguinte comentário:
Eh pá, vai fazer "surgias" para a tua rua!
EU, MANUEL FERREIRA, SURGIÃO
Como poderá observar no pequeno texto que abaixo transcrevemos, pode-se inferir da não novidade daqueles princípios. Muitos agentes económicos foram, no seu tempo, inovadores, possuidores de um raro sentido das oportunidades e suficientemente flexíveis em ordem à adaptação necessária aos mais diversos contextos. Porém, é sempre possível fornecer exemplos caricaturais sobre essas mesmas qualidades.
Com a devida vénia, transcrevemos, na íntegra, um texto publicado no jornal Correio do Ribatejo. Trata-se da cópia de um prospecto que Manuel Ferreira, da vila da Sertã, mandou imprimir e distribuir há cerca de 70 anos.
Deste texto infere-se a extraordinária polivalência do signatário do anúncio, que vai desde "surgião" e "rigedor" a ensinante de "jiographia, aritmética, gimnástica e outras chinezisses", culminando com cantos e danças.
Diríamos que mais sábio que Newton só o Sr. Manuel Ferreira, desde que este dominasse com a mesma acuidade os instrumentos básicos de decifração cultural que tal abrangência requeria.
Difíceis tempos aqueles em que o tudo, pelos vistos, era quase nada ou pouca coisa.
Afinal, o que o anúncio revela é um simples exemplo da tão portuguesíssima "lei do desenrascanço". Hoje, por razões diferentes, aos jovens coloca-se cada vez mais o problema da formação abrangente e recorrente, da oportunidade, da flexibilização e da adaptação à nova rdem do trabalho.
Aqui para nós, quando acabamos de 1er o anúncio, a nossa reacção sintetiza-se aproximadamente no seguinte comentário:
Eh pá, vai fazer "surgias" para a tua rua!
EU, MANUEL FERREIRA, SURGIÃO
Eu, Manuel Ferreira, surgião, rigedor, comerciante e agente de enterros.
Respeitosamente informa as senhoras e cavalheiros que lhes tira dentes sem esperar um minuto, apelica cataplasmas e salapismos a baixo preço e vixas e 20 reis cada, garantidas.
Vende pelumas, cordas, corta calos, juanetos, aços partidos, tusquia burros uma vez por mes, e trata de unhas ao ano. Amolla facas e tizoiras, apitos a 10 reis, castiçais, fregideiras, e outros instrumentos musicais a preços reduzidos. Ensina gramática e discursos de maneiras finas, acim como cathecysmo e orctographia, cantos e danças, jogos de sociedades e bordados. Perfumes de todas as qualidades. Como os tempos vão maus, pesso lecença para dezer que comessei também a vender galinhas, lans, porcos e outra criação. Camisolas, lenços, ratueiras, enchadas, pás, pregos, tejolos, carnes, chourissos e outras ferramentas de jardim e lavoira, cigarros, pitrol, aguardente e outros materiais inflamáveis. Hortalissas, frutas, músicas, lavatoiros, pedras de amolar, sementes e loiças, e manteiga de vaca e de porco.
Tenho um grande curtimento de tapetes, cerveja, velas e phosphoros, e outras conservas como tintas, sabão, vinagre, compro e vendo trapos velhos, chumbo e latão. Ovos frescos meus, páçaros de canto, como moxos, jumentos, piruns, grilos e depósito de vinhos da minha lavra. Tualhas, cobertores e todas as qualidades de roupa. Ensino jiographia, aritmética, gimnástica e outras chinezisses.
Respeitosamente informa as senhoras e cavalheiros que lhes tira dentes sem esperar um minuto, apelica cataplasmas e salapismos a baixo preço e vixas e 20 reis cada, garantidas.
Vende pelumas, cordas, corta calos, juanetos, aços partidos, tusquia burros uma vez por mes, e trata de unhas ao ano. Amolla facas e tizoiras, apitos a 10 reis, castiçais, fregideiras, e outros instrumentos musicais a preços reduzidos. Ensina gramática e discursos de maneiras finas, acim como cathecysmo e orctographia, cantos e danças, jogos de sociedades e bordados. Perfumes de todas as qualidades. Como os tempos vão maus, pesso lecença para dezer que comessei também a vender galinhas, lans, porcos e outra criação. Camisolas, lenços, ratueiras, enchadas, pás, pregos, tejolos, carnes, chourissos e outras ferramentas de jardim e lavoira, cigarros, pitrol, aguardente e outros materiais inflamáveis. Hortalissas, frutas, músicas, lavatoiros, pedras de amolar, sementes e loiças, e manteiga de vaca e de porco.
Tenho um grande curtimento de tapetes, cerveja, velas e phosphoros, e outras conservas como tintas, sabão, vinagre, compro e vendo trapos velhos, chumbo e latão. Ovos frescos meus, páçaros de canto, como moxos, jumentos, piruns, grilos e depósito de vinhos da minha lavra. Tualhas, cobertores e todas as qualidades de roupa. Ensino jiographia, aritmética, gimnástica e outras chinezisses.
(Publicado no Jornal Correio do Ribatejo, há cerca de 70 anos)
Friday, April 10, 2009
Obamização

Localization: taking a product and tailoring it to an individual local market (i.e. ‘locale’).
Obamização - processo de adaptação do Obama a mercados ("locales") individuais específicos.
Ver exemplo (com som)
P.S. Já agora, acho que a malta da Antena 3 não percebeu bem de que produto/artigo se estava a falar, confundindo-o com biscoitos para cães...
Thursday, April 09, 2009
Henri MESCHONNIC (1932-2009)

No dia do seu desaparecimento, fica aqui a homenagem ao tradutor e poeta, vulto incontornável da teoria da tradução e referência fundamental que nos tem acompanhado ao longo dos últimos anos.
Vale a pena ler a sua biografia e discurso de aceitação do Prémio Europeu de Literatura, em 2006, aqui.
Monday, April 06, 2009
Sunday, April 05, 2009
Que pena não poder estar lá!
Este, sim, promete ser um evento extraordinário, abrindo espaço a novas sensibilidades, leituras e diálogos inter e transdisciplinares. Até que enfim que alguém se lembra de trazer uma literatura menor para os grandes palcos da "academia".
In a state of "watchful anomie"
CRAIGVARA HOUSE
Derek Mahon
That was the year
of the black nights and clear
mornings, a mild elation touched with fear;
of watchful anomie,
heart silence, day-long reverie
while the wind made catspaws on the sea
and the first
rain of winter burst
earthwards as if quenching a great thirst.
A mist of spray
hung over the shore all day
while I slumped there re-reading La Nausée
or knocked a coal,
releasing squeaky gas until
it broke and tumbled into its hot hole.
Night fell on a rough
sea, on a moonlit basalt cliff,
huts with commandments painted on the roof,
and rain wept down
the raw slates of the town,
cackling maniacally in pipe and drain.
I slowly came
to treasure my ashram
(a flat with a sea view, the living room
furnished with frayed
chintz, cane chairs and faded
watercolours of Slemish and Fair Head);
and it was there,
choosing my words with care,
I sat down and began to write once more.
When snowflakes
wandered on to the rocks
I thought, home is where the heart breaks -
the lost domain
of week-ends in the rain,
the Sunday sundae and the sexual pain.
I stared each night
at a glow of orange light
over the water where the interned sat tight,
I in my own prison
envying their fierce reason,
their solidarity and extroversion,
and during storms
imagined the clenched farms
with dreadful faces thronged and fiery arms.
Sometime before
spring I found in there
the frequency that I'd been looking for
and crossed by night
a dark channel, my eyesight
focused upon a flickering pier-light.
I slept then and,
waking early, listened
entranced to the pea-whistle sound
of a first thrush
practising on a thorn bush
a new air picked up in Marrakesh.
And then your car
parked with a known roar
and you stood smlhng at the door -
as if we might
consider a bad night
as over and walk out into the sunlight.
Selected Poems (Viking/Gallery in assoc. OUP 1991; rep. 1993)
Derek Mahon
That was the year
of the black nights and clear
mornings, a mild elation touched with fear;
of watchful anomie,
heart silence, day-long reverie
while the wind made catspaws on the sea
and the first
rain of winter burst
earthwards as if quenching a great thirst.
A mist of spray
hung over the shore all day
while I slumped there re-reading La Nausée
or knocked a coal,
releasing squeaky gas until
it broke and tumbled into its hot hole.
Night fell on a rough
sea, on a moonlit basalt cliff,
huts with commandments painted on the roof,
and rain wept down
the raw slates of the town,
cackling maniacally in pipe and drain.
I slowly came
to treasure my ashram
(a flat with a sea view, the living room
furnished with frayed
chintz, cane chairs and faded
watercolours of Slemish and Fair Head);
and it was there,
choosing my words with care,
I sat down and began to write once more.
When snowflakes
wandered on to the rocks
I thought, home is where the heart breaks -
the lost domain
of week-ends in the rain,
the Sunday sundae and the sexual pain.
I stared each night
at a glow of orange light
over the water where the interned sat tight,
I in my own prison
envying their fierce reason,
their solidarity and extroversion,
and during storms
imagined the clenched farms
with dreadful faces thronged and fiery arms.
Sometime before
spring I found in there
the frequency that I'd been looking for
and crossed by night
a dark channel, my eyesight
focused upon a flickering pier-light.
I slept then and,
waking early, listened
entranced to the pea-whistle sound
of a first thrush
practising on a thorn bush
a new air picked up in Marrakesh.
And then your car
parked with a known roar
and you stood smlhng at the door -
as if we might
consider a bad night
as over and walk out into the sunlight.
Selected Poems (Viking/Gallery in assoc. OUP 1991; rep. 1993)
Tradução: A Liga dos Últimos
Lembram-se de aqui ter falado do "star system" vs "bread & butter"?
De facto, há toda uma taxonomia futebolística que pode ser aplicada à tradução dita profissional: tradutores de 1ª, 2ª, Liga de Honra, Distritais, Amadores... Não sei se há "apitos dourados" , mas que l'ASAE, l'ASAE...
Pois o Danilo Nogueira, leu-me os pensamentos, e deita aqui mais uma acha preciosa para a fogueira. No sentido positivo e construtivo, é claro, porque está cheio de razão.
Nota do Tradutor: Ficar cabreiro - desconfiar de algo
De facto, há toda uma taxonomia futebolística que pode ser aplicada à tradução dita profissional: tradutores de 1ª, 2ª, Liga de Honra, Distritais, Amadores... Não sei se há "apitos dourados" , mas que l'ASAE, l'ASAE...
Pois o Danilo Nogueira, leu-me os pensamentos, e deita aqui mais uma acha preciosa para a fogueira. No sentido positivo e construtivo, é claro, porque está cheio de razão.
Nota do Tradutor: Ficar cabreiro - desconfiar de algo
Friday, April 03, 2009
Geração de futuro
Entregues os prémios aos vencedores do concurso de tradução da UE
Vinte e sete alunos de escolas secundárias da UE recebem hoje, em Bruxelas, um prémio e um diploma por terem efectuado as melhores traduções nos respectivos países no âmbito do concurso de tradução «Juvenes Translatores». Luís Filipe Machado Costa, do Colégio Nossa Senhora da Assunção, na Anadia, foi o vencedor do concurso em Portugal e irá receber o prémio das mãos do Comissário Europeu do Multilinguismo, Leonard Orban. O concurso, realizado em Novembro de 2008, tem por objectivo promover a aprendizagem de línguas e dar visibilidade à profissão de tradutor.
«Uma vez mais, o concurso de tradução permitiu aproximar as pessoas e sensibilizá las para a aprendizagem de línguas e para a tradução, bem como para esse traço singular da UE que é o multilinguismo», afirmou Leonard Orban. «Soubemos que alguns dos concorrentes estão a ponderar seriamente vir a ser tradutores e algumas das escolas participantes lançaram projectos de intercâmbio.»
Os alunos vencedores ganharam uma viagem de dois dias a Bruxelas, acompanhados por um adulto. Para além da cerimónia de entrega dos prémios, presidida pelo Comissário Orban, os vencedores participarão numa visita turística à cidade e deslocar se ão à Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia, onde se encontrarão com tradutores profissionais e terão a oportunidade de ficar a conhecer os instrumentos e métodos de trabalho utilizados no seu dia-a dia.
Realizada em 27 de Novembro de 2008 simultaneamente em todos os Estados Membros, a segunda edição do concurso contou com a participação de uma selecção de 2 247 alunos de 593 escolas da UE. Os concorrentes dispuseram de duas horas para traduzir um texto sobre o multilinguismo de uma das 23 línguas oficiais da UE para qualquer outra das línguas oficiais da UE. As traduções efectuadas cobriam todas as línguas oficiais e 147 pares linguísticos.
A segunda edição do concurso realizou-se no seguimento do êxito espectacular alcançado pela primeira edição em 2007. Um inquérito realizado a professores de línguas imediatamente após o concurso revelou reacções igualmente entusiásticas. O concurso «Juvenes Translatores» está destinado a ser um marco do ano escolar, pelo que a preparação da terceira edição já se encontra em curso.
Para mais informações:
Concurso de tradução: http://ec.europa.eu/translation/contest/index_pt.htm/
Direcção-Geral da Tradução: http://ec.europa.eu/dgs/translation/
Línguas na UE: http://europa.eu/languages/pt/home
Vinte e sete alunos de escolas secundárias da UE recebem hoje, em Bruxelas, um prémio e um diploma por terem efectuado as melhores traduções nos respectivos países no âmbito do concurso de tradução «Juvenes Translatores». Luís Filipe Machado Costa, do Colégio Nossa Senhora da Assunção, na Anadia, foi o vencedor do concurso em Portugal e irá receber o prémio das mãos do Comissário Europeu do Multilinguismo, Leonard Orban. O concurso, realizado em Novembro de 2008, tem por objectivo promover a aprendizagem de línguas e dar visibilidade à profissão de tradutor.
«Uma vez mais, o concurso de tradução permitiu aproximar as pessoas e sensibilizá las para a aprendizagem de línguas e para a tradução, bem como para esse traço singular da UE que é o multilinguismo», afirmou Leonard Orban. «Soubemos que alguns dos concorrentes estão a ponderar seriamente vir a ser tradutores e algumas das escolas participantes lançaram projectos de intercâmbio.»
Os alunos vencedores ganharam uma viagem de dois dias a Bruxelas, acompanhados por um adulto. Para além da cerimónia de entrega dos prémios, presidida pelo Comissário Orban, os vencedores participarão numa visita turística à cidade e deslocar se ão à Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia, onde se encontrarão com tradutores profissionais e terão a oportunidade de ficar a conhecer os instrumentos e métodos de trabalho utilizados no seu dia-a dia.
Realizada em 27 de Novembro de 2008 simultaneamente em todos os Estados Membros, a segunda edição do concurso contou com a participação de uma selecção de 2 247 alunos de 593 escolas da UE. Os concorrentes dispuseram de duas horas para traduzir um texto sobre o multilinguismo de uma das 23 línguas oficiais da UE para qualquer outra das línguas oficiais da UE. As traduções efectuadas cobriam todas as línguas oficiais e 147 pares linguísticos.
A segunda edição do concurso realizou-se no seguimento do êxito espectacular alcançado pela primeira edição em 2007. Um inquérito realizado a professores de línguas imediatamente após o concurso revelou reacções igualmente entusiásticas. O concurso «Juvenes Translatores» está destinado a ser um marco do ano escolar, pelo que a preparação da terceira edição já se encontra em curso.
Para mais informações:
Concurso de tradução: http://ec.europa.eu/translation/contest/index_pt.htm/
Direcção-Geral da Tradução: http://ec.europa.eu/dgs/translation/
Línguas na UE: http://europa.eu/languages/pt/home
Thursday, April 02, 2009
Sal(i)vando a Bordalo Pinheiro
Para ouvir ao som da música "Saliva" dos GNR
Vamos gastar muita saliva...
Vamos gastar muita saliva...
Wednesday, April 01, 2009
Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és
Alguém se lembra de um tal Jacinto Leite Capelo, que andou nas bocas de toda a gente?
(salvo seja!)
Balls and Bottoms give way to Wangs in name game
Leiam esta notícia da Reuters sobre apelidos e quejandos.
(salvo seja!)
Balls and Bottoms give way to Wangs in name game
Leiam esta notícia da Reuters sobre apelidos e quejandos.
Sunday, March 29, 2009
Saturday, March 28, 2009
Meu Professor, Meu Amigo
(este "post" decorre de algumas mensagens que fui trocando, ontem e hoje, com um ex-aluno e amigo, acho eu, bem como da consciência de uma rede de amigos que fui criando ao longo dos últimos 10 anos...)
Coisa difícil de encontrar, hoje em dia... nestes tempos conturbados...
Não sei de/do que é que as pessoas têm medo. De quem têm medo? Quem tem medo de...?
De se dar... de se dar ao "outro", de partilhar... de construir algo juntos. Afinal, o que é isto de "educar"?
Já há muito que queria colocar este "post", aqui, como forma de tributo a um excelente profissional, e a um fantástico amigo.
Parte do que sou hoje, devo-o a pessoas como ele.
Parabéns, Professor!
Coisa difícil de encontrar, hoje em dia... nestes tempos conturbados...
Porque as escolas correm o risco de se transformar noutra coisa... diferente daquilo que sonhámos e quisemos construir. Onde ficou o sonho, algures nesta viagem agitada?
Todos precisamos de navegar em águas mais calmas, encontrar portos de abrigo mais acolhedores, hospitaleiros, no meio da tempestade.
Não sei de/do que é que as pessoas têm medo. De quem têm medo? Quem tem medo de...?
De se dar... de se dar ao "outro", de partilhar... de construir algo juntos. Afinal, o que é isto de "educar"?
Já há muito que queria colocar este "post", aqui, como forma de tributo a um excelente profissional, e a um fantástico amigo.
Parte do que sou hoje, devo-o a pessoas como ele.
Parabéns, Professor!
Thursday, March 26, 2009
Blogue de Tradução Médica
Aqui transcrevo o que me veio à rede
As a fellow translation professional, you are probably also looking to stay abreast of what's happening in our industry.
I am glad to announce that we have launched the Medical Translation Blog at http://blog.fxtrans.com.
As we have done with our newsletters and published articles, the content will revolve around real-world issues faced by pharmaceutical/medical device companies and translation service providers:
Regulatory news such as the pending Asian Medical Device Directive, technology news (from machine translation to personal efficiency tools) and language developments like the recent Brazilian Portuguese spelling reform.
We post new content daily. You can stay up-to-date by subscribing (free of charge, of course!) to email updates or read our feed with your favorite RSS reader.
And you are invited to participate in discussions or by providing tips to developing news. Whether you participate actively or just read the posts, I hope that you will subscribe to the new Medical Translation Blog!
Andres Heuberger President, ForeignExchange Translations, Inc. The leader in medical translationsSpain * Canada * United States * Tel. +1.781.893.0013 * Fax +1.781.893.0012
As a fellow translation professional, you are probably also looking to stay abreast of what's happening in our industry.
I am glad to announce that we have launched the Medical Translation Blog at http://blog.fxtrans.com.
As we have done with our newsletters and published articles, the content will revolve around real-world issues faced by pharmaceutical/medical device companies and translation service providers:
Regulatory news such as the pending Asian Medical Device Directive, technology news (from machine translation to personal efficiency tools) and language developments like the recent Brazilian Portuguese spelling reform.
We post new content daily. You can stay up-to-date by subscribing (free of charge, of course!) to email updates or read our feed with your favorite RSS reader.
And you are invited to participate in discussions or by providing tips to developing news. Whether you participate actively or just read the posts, I hope that you will subscribe to the new Medical Translation Blog!
Andres Heuberger President, ForeignExchange Translations, Inc. The leader in medical translationsSpain * Canada * United States * Tel. +1.781.893.0013 * Fax +1.781.893.0012
Wednesday, March 25, 2009
Bread & Butter vs Star System
Mais uma vez, o Eduardo Pitta mostra alguma sensibilidade para estas coisas da tradução.
Interessante como coloca o dedo na ferida de um "star system" construído em torno da tradução literária/poética... aqui
Voltarei a isto mais tarde...
Interessante como coloca o dedo na ferida de um "star system" construído em torno da tradução literária/poética... aqui
Voltarei a isto mais tarde...
Monday, March 23, 2009
Honestidade intelectual
Interesting Dedication from David Lodge in his latest novel, Deaf Sentence
Conscious that this novel, from its English title onwards, presents special problems to its translators, I dedicate it to all those who, over many years, have have applied their skills to the translation of my work, and especially to some who have become personal friends: Marc Amfreville, Mary Gislon & Rosetta Palozzi, Maurice & Yvonne Couturier, Armand Eloi & Beatrice Hammer, Luo Yirong, Suzanne Mayoux, Renate Orth-Guttmann & Susuma Takayi.
Conscious that this novel, from its English title onwards, presents special problems to its translators, I dedicate it to all those who, over many years, have have applied their skills to the translation of my work, and especially to some who have become personal friends: Marc Amfreville, Mary Gislon & Rosetta Palozzi, Maurice & Yvonne Couturier, Armand Eloi & Beatrice Hammer, Luo Yirong, Suzanne Mayoux, Renate Orth-Guttmann & Susuma Takayi.
Sunday, March 22, 2009
Mais um "exercício de estilo"
Nós cá somos apologistas da auto-aprendizagem, tipo "aprenda você mesmo", e vá praticando, para ver se não esquece:
E Jesus disse...
Mão amiga trouxe-me isto, que agora partilho convosco...
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
- Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
- Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
- Mas porque é que não nos dás a sebenta e... pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele,
dizendo:
-Onde está a tua planificação?
-Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
- E a avaliação diagnóstica?
- E a avaliação institucional?
- Quais são as tuas expectativas de sucesso?
- Tens para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
- Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
- Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
- Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
- E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
- Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
- Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva...
... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos!
________________________________
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
- Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
- Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
- Mas porque é que não nos dás a sebenta e... pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele,
dizendo:
-Onde está a tua planificação?
-Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
- E a avaliação diagnóstica?
- E a avaliação institucional?
- Quais são as tuas expectativas de sucesso?
- Tens para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
- Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
- Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
- Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
- E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
- Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
- Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva...
... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos!
________________________________
Monday, March 16, 2009
O Leitor, esse (des)conhecido
Porque nos toca a todos, aqui fica um artigo da autoria da colega Maria Luísa Malato Borralho, docente na FLUP, e publicado no "Público"
A TORRE DE BABEL:
O ESTATUTO DE LEITOR NA UNIVERSIDADE PORTUGUESA
O Leitor é, para quem o desconheça, o professor que, nas Universidades portuguesas, ensina línguas vivas. Por muito estranho que pareça, o professor de línguas vivas não é um professor universitário como os outros. Ao contrário do que legitimamente sucede com quem ensina grego ou latim clássicos, o docente que ensina alemão, espanhol, francês ou inglês não tem enquadramento senão como “pessoal especialmente contratado”. Tal categoria abrange somente casos excepcionais a que se acede por convite. Assim, na prática, o actual Estatuto da Carreira Docente Universitária teve para os Leitores alguns “efeitos colaterais”:
a) associou e associa a categoria de Leitor ao ensino das línguas vivas;
b) vedou e veda aos Leitores estrangeiros (inclusive aos cidadãos da UE) qualquer progressão na carreira académica – tal disposição viola claramente o número 2 do artigo 39.º. do Tratado de Roma, relativo à liberdade de circulação de trabalhadores;
c) obrigou e obriga os docentes de línguas vivas a assinar regularmente um contrato inicial por um ano, renovável sempre por três, sem que algum dia tenham possibilidade de conseguir um melhor contrato ou qualquer outra forma de vínculo contratual por parte da entidade empregadora;
d) incentivou e incentiva as provas académicas de todos os outros membros (inclusive de Assistentes convidados e Monitores), mas desmotivou das mesmas o Leitor (quase sempre trabalhador estrangeiro), que continuaria sempre Leitor, tornando-o o elo mais frágil de toda a função docente nas Universidades. Em consequência, o Leitor é hoje despedido, independentemente da qualidade dos serviços prestados à Universidade Portuguesa, unicamente porque pode ser despedido.
Este sistema pressupunha uma sociedade em que os empregos eram estáveis, os regimes gerais de trabalho em dedicação exclusiva, ou em tempo integral, e uma legislação que protegia o trabalhador nacional em detrimento do estrangeiro. Também a fragilidade contratual do Leitor não sobressaía da dos restantes colegas. A carreira universitária é quase a única (quer no direito da função pública quer no direito do trabalho) em que a progressão se faz exclusivamente por provas e concursos públicos e nela só se pode ter o vínculo da nomeação definitiva, depois de passados 2 anos na categoria final da carreira (como professor catedrático) ou 5 anos na categoria anterior (a de professor associado).
Ainda há muito pouco tempo, 75% dos professores universitários não tinham nomeação definitiva. Ora muita coisa mudou entretanto neste contexto frágil e tranquilo. Tornou-se frágil e sobressaltado. Os 75% referidos serão hoje menos, porque muitos foram sendo despedidos e outros terminaram as provas académicas. Assiste-se hoje a uma revolução calada nas universidades e todas as revoluções (sobretudo as caladas) são darwinianas, cruéis para os seus membros mais fracos, aqui, os leitores, impondo-se a fraqueza contratual à importância dos leitores no equilíbrio do ecossistema universitário. Hoje, o Leitor, nas universidades portuguesas, não conhece limites para o trabalho que tem de aceitar. Os seus contratos passaram a ser renováveis anualmente, apesar de estarem há décadas a ensinar na instituição. O Leitor pode ser despedido porque não tem doutoramento, como pode ser despedido apesar de ter doutoramento. Dá aulas na licenciatura, mas (até porque as licenciaturas em línguas se reduziram invariavelmente a três anos) também agora de mestrado, quando não seminários de doutoramento, mas sem as garantias ou direitos que ainda assim possuem os restantes colegas. Mais exemplos haveria, até porque o Leitor serve para tudo e a quase nada vai tendo direito. Porque ensina línguas vivas. Porque é Leitor. Porque daí não pode sair, como sucede a algumas castas.
Num quadro em que os alunos chegam à Universidade com tantas deficiências na aprendizagem de línguas estrangeiras e simultaneamente se pede a estas instituições que preparem professores, tradutores ou intérpretes em apenas 3 anos, os leitores são insubstituíveis. A questão dos Leitores é pois científica, jurídica e económica. Que professores e que profissionais se poderão formar com qualidade, capazes de competir, no mínimo, num contexto europeu? Talvez o estatuto de Leitor possa vir a ser substituído com vantagem pelo recrutamento de Santos, de preferência Milagreiros, que ficam ainda mais económicos. Talvez se pense que é até vantajoso transformar todos os docentes em Leitores. A avaliar pelo que tem sucedido aos Leitores que deixaram a Universidade, não.
A educação é, além do mais, do ponto de vista económico, um negócio estranho. Como todo o pai sabe, o negócio demora dez, vinte anos a dar frutos que se vejam. Depois, investe-se o dinheiro numas coisas e os lucros surgem de outras. E quem investe não é nunca quem recebe.
O mundo é uma Torre de Babel. A Universidade é uma das poucas instituições que tem como propósito maior garantir a compreensão entre os indivíduos. E os Leitores uma das suas maiores armas.
Maria Luísa Malato Borralho
Professora associada com agregação
(Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
A TORRE DE BABEL:
O ESTATUTO DE LEITOR NA UNIVERSIDADE PORTUGUESA
O Leitor é, para quem o desconheça, o professor que, nas Universidades portuguesas, ensina línguas vivas. Por muito estranho que pareça, o professor de línguas vivas não é um professor universitário como os outros. Ao contrário do que legitimamente sucede com quem ensina grego ou latim clássicos, o docente que ensina alemão, espanhol, francês ou inglês não tem enquadramento senão como “pessoal especialmente contratado”. Tal categoria abrange somente casos excepcionais a que se acede por convite. Assim, na prática, o actual Estatuto da Carreira Docente Universitária teve para os Leitores alguns “efeitos colaterais”:
a) associou e associa a categoria de Leitor ao ensino das línguas vivas;
b) vedou e veda aos Leitores estrangeiros (inclusive aos cidadãos da UE) qualquer progressão na carreira académica – tal disposição viola claramente o número 2 do artigo 39.º. do Tratado de Roma, relativo à liberdade de circulação de trabalhadores;
c) obrigou e obriga os docentes de línguas vivas a assinar regularmente um contrato inicial por um ano, renovável sempre por três, sem que algum dia tenham possibilidade de conseguir um melhor contrato ou qualquer outra forma de vínculo contratual por parte da entidade empregadora;
d) incentivou e incentiva as provas académicas de todos os outros membros (inclusive de Assistentes convidados e Monitores), mas desmotivou das mesmas o Leitor (quase sempre trabalhador estrangeiro), que continuaria sempre Leitor, tornando-o o elo mais frágil de toda a função docente nas Universidades. Em consequência, o Leitor é hoje despedido, independentemente da qualidade dos serviços prestados à Universidade Portuguesa, unicamente porque pode ser despedido.
Este sistema pressupunha uma sociedade em que os empregos eram estáveis, os regimes gerais de trabalho em dedicação exclusiva, ou em tempo integral, e uma legislação que protegia o trabalhador nacional em detrimento do estrangeiro. Também a fragilidade contratual do Leitor não sobressaía da dos restantes colegas. A carreira universitária é quase a única (quer no direito da função pública quer no direito do trabalho) em que a progressão se faz exclusivamente por provas e concursos públicos e nela só se pode ter o vínculo da nomeação definitiva, depois de passados 2 anos na categoria final da carreira (como professor catedrático) ou 5 anos na categoria anterior (a de professor associado).
Ainda há muito pouco tempo, 75% dos professores universitários não tinham nomeação definitiva. Ora muita coisa mudou entretanto neste contexto frágil e tranquilo. Tornou-se frágil e sobressaltado. Os 75% referidos serão hoje menos, porque muitos foram sendo despedidos e outros terminaram as provas académicas. Assiste-se hoje a uma revolução calada nas universidades e todas as revoluções (sobretudo as caladas) são darwinianas, cruéis para os seus membros mais fracos, aqui, os leitores, impondo-se a fraqueza contratual à importância dos leitores no equilíbrio do ecossistema universitário. Hoje, o Leitor, nas universidades portuguesas, não conhece limites para o trabalho que tem de aceitar. Os seus contratos passaram a ser renováveis anualmente, apesar de estarem há décadas a ensinar na instituição. O Leitor pode ser despedido porque não tem doutoramento, como pode ser despedido apesar de ter doutoramento. Dá aulas na licenciatura, mas (até porque as licenciaturas em línguas se reduziram invariavelmente a três anos) também agora de mestrado, quando não seminários de doutoramento, mas sem as garantias ou direitos que ainda assim possuem os restantes colegas. Mais exemplos haveria, até porque o Leitor serve para tudo e a quase nada vai tendo direito. Porque ensina línguas vivas. Porque é Leitor. Porque daí não pode sair, como sucede a algumas castas.
Num quadro em que os alunos chegam à Universidade com tantas deficiências na aprendizagem de línguas estrangeiras e simultaneamente se pede a estas instituições que preparem professores, tradutores ou intérpretes em apenas 3 anos, os leitores são insubstituíveis. A questão dos Leitores é pois científica, jurídica e económica. Que professores e que profissionais se poderão formar com qualidade, capazes de competir, no mínimo, num contexto europeu? Talvez o estatuto de Leitor possa vir a ser substituído com vantagem pelo recrutamento de Santos, de preferência Milagreiros, que ficam ainda mais económicos. Talvez se pense que é até vantajoso transformar todos os docentes em Leitores. A avaliar pelo que tem sucedido aos Leitores que deixaram a Universidade, não.
A educação é, além do mais, do ponto de vista económico, um negócio estranho. Como todo o pai sabe, o negócio demora dez, vinte anos a dar frutos que se vejam. Depois, investe-se o dinheiro numas coisas e os lucros surgem de outras. E quem investe não é nunca quem recebe.
O mundo é uma Torre de Babel. A Universidade é uma das poucas instituições que tem como propósito maior garantir a compreensão entre os indivíduos. E os Leitores uma das suas maiores armas.
Maria Luísa Malato Borralho
Professora associada com agregação
(Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
Tradução simultânea: Precisa-se (urgente)
Há pessoas que nascem com um dom especial para as línguas.
Este homem, quando fala, é um verdadeiro "sinhor".
Tenho a impressão de que o discurso era o mesmo, fosse na Polónia, Eslovénia, Alemanha, Marte ou Miranda do Douro.
Talvez a entoação e o sotaque mudassem um pouquinho...
Este homem, quando fala, é um verdadeiro "sinhor".
Tenho a impressão de que o discurso era o mesmo, fosse na Polónia, Eslovénia, Alemanha, Marte ou Miranda do Douro.
Talvez a entoação e o sotaque mudassem um pouquinho...
Saturday, March 14, 2009
Traduza você mesmo
Um pequeno e enfadonho exercício conceptual na arte da tradução do palavrão
From "The Sopranos" with love
the sopranos, uncensored. from victor solomon on Vimeo.
From "The Sopranos" with love
the sopranos, uncensored. from victor solomon on Vimeo.
Assunto encerrado (ou talvez adiado até à próxima asneira)
O que significa que isto é mesmo uma causa (coisa) séria para nós, "happy few", que se preocupam com o estado das coisas (causas), enquanto outros assobiam para o ar, como se nada se passasse.
A BabeldoJorge coloca, e bem, o dedo na ferida.
A BabeldoJorge coloca, e bem, o dedo na ferida.
Thursday, March 12, 2009
O Bom, O Mau e o Vilão: Ainda a propósito do Magalhães

'"Dirije o guindaste e copía o modelo" ou “Puxa e Larga uma peça por vês” são algumas frases com erros de português que podem ser lidas nos jogos didácticos e que são facilmente detectadas por crianças.
O problema terá ocorrido na tradução, que segundo o Expresso foi feita por um emigrante português, que vive desde os 10 anos em França e que só tem a 4ª classe.'
in Sic Online, disponível em
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Erros+de+portugues+em+jogos+do+Magalhaes.htm
Ou ainda
1 - O Tux escondeu algumas coisas. Encontra-las na boa ordem.
2 - Dirije o guindaste e copía o modelo.
3 - Pega as imagens na esquerda e mete-las nos pontos vermelhos.
4 - Primeiro, organiza bem os elementos para poder contar-los.
5 - Quando acabas-te, carrega no botão OK.
6 - Abaixo da grua, vai achar quatro setas que te permitem de mexer os elementos.
7 - Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm.
8 - Tens a certeza que queres saír?
9 - Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos.
10 - Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800.
[Fonte: Expresso]
in A Terceira Noite, disponível em http://aterceiranoite.wordpress.com/2009/03/10/magalhanes-em-10-licoes/
Lamento voltar ao assunto, mas há ainda umas coisinhas que precisava de esclarecer sobre isto.
Sei que corro o risco de tornar o assunto uma questão pessoal, estilo cruzada, mas há algumas verdades e constatações que podemos tirar de toda esta novela. Vejamos, portanto:
1. Afinal havia outro... como diz a canção.
2. Afinal a tradução já não terá sido apenas feita por um programa de tradução automática, mas sim por um humano. Óptimo, a continuidade da espécie humana está aqui assegurada.
3. É óbvio que havia necessidade de se encontrar um bode expiatório humano...
4. É óbvio também, e por muito que se diabolize a tradução automática, que aqueles erros jamais terão sido todos feitos por uma máquina ou programa informático.
5. A tradução automática é péssima, é claro, mas os erros que, normalmente, encontramos são de natureza semântica e sintáctica, e não tanto do foro morfológico, morfo-sintáctico, gramatical, whatever lhes queiramos chamar.
6. Daí, o elemento humano, homem/mulher... agente introdutor e validador do erro ou da asneira...
O problema terá ocorrido na tradução, que segundo o Expresso foi feita por um emigrante português, que vive desde os 10 anos em França e que só tem a 4ª classe.'
in Sic Online, disponível em
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Erros+de+portugues+em+jogos+do+Magalhaes.htm
Ou ainda
1 - O Tux escondeu algumas coisas. Encontra-las na boa ordem.
2 - Dirije o guindaste e copía o modelo.
3 - Pega as imagens na esquerda e mete-las nos pontos vermelhos.
4 - Primeiro, organiza bem os elementos para poder contar-los.
5 - Quando acabas-te, carrega no botão OK.
6 - Abaixo da grua, vai achar quatro setas que te permitem de mexer os elementos.
7 - Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm.
8 - Tens a certeza que queres saír?
9 - Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos.
10 - Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800.
[Fonte: Expresso]
in A Terceira Noite, disponível em http://aterceiranoite.wordpress.com/2009/03/10/magalhanes-em-10-licoes/
Lamento voltar ao assunto, mas há ainda umas coisinhas que precisava de esclarecer sobre isto.
Sei que corro o risco de tornar o assunto uma questão pessoal, estilo cruzada, mas há algumas verdades e constatações que podemos tirar de toda esta novela. Vejamos, portanto:
1. Afinal havia outro... como diz a canção.
2. Afinal a tradução já não terá sido apenas feita por um programa de tradução automática, mas sim por um humano. Óptimo, a continuidade da espécie humana está aqui assegurada.
3. É óbvio que havia necessidade de se encontrar um bode expiatório humano...
4. É óbvio também, e por muito que se diabolize a tradução automática, que aqueles erros jamais terão sido todos feitos por uma máquina ou programa informático.
5. A tradução automática é péssima, é claro, mas os erros que, normalmente, encontramos são de natureza semântica e sintáctica, e não tanto do foro morfológico, morfo-sintáctico, gramatical, whatever lhes queiramos chamar.
6. Daí, o elemento humano, homem/mulher... agente introdutor e validador do erro ou da asneira...
7. E, neste filme, o humano teve o azar de ser português, emigrante e a 4ª classe.
8. Sinceramente, tenho pena que este homem seja o elo mais fraco, como disse antes, desta perversa cadeia de transmissão do conhecimento associado a um bem de consumo.
9. E tenho pena que o humano seja, neste caso, crucificado ou, melhor ainda, exposto e sacrificado na praça pública, anónimo e "visivelmente invisível", personificando/encarnando na perfeição tudo o que de mau está associado à tradução.
10. Uma verdadeira homenagem ao "incompetente desconhecido". Perdoai-lhe, pois, já que a culpa não é sua. Uma coisa é ignorância; outra coisa, é incompetência.
11. E, no entanto, literalmente achincalhado, pejorativamente classificado como "emigrante" e "apenas com a 4ª classe", epítetos que toda essa gentinha "cobardemente correcta" usa e abusa para mostrar a sua alegada superioridade intelectual, moral, económica, social... "sacudindo, assim, a água do capote"...
12. Ser emigrante ou imigrante não é sinónimo de incompetência e falta de qualidade. Nem sequer um factor necessário para a análise qualitativa da tradução. Os tradutores são bons ou maus, não são emigrantes, nem cidadãos de primeira ou de segunda.
13. Ter a 4ª classe não é necessariamente sinónimo de tontice e boçalidade. Conheço muito boa gente com a 4ª classe que tem um discurso, inteligência e sensibilidade muito superiores aos senhores do Ministério da Educação e aos CEOs desse tão fantástico gigante do sucesso, a JP Sá Couto, verdadeiros responsáveis por este verdadeiro auto-de-fé em praça pública. De novo, uma coisa é ignorância; outra coisa é incompetência. E, neste caso concreto, graças a estes senhores, estamos perante um caso de lesa ______ (preencha o leitor o espaço em branco, por favor)
14. Porque o que está aqui verdadeiramente em causa é a tradicionalmente desastrosa política do "chico-esperto", cultora da incompetência, ganância e total falta de escrúpulos. Incompetência pura...
15. É claro ainda que, em última instância, todo este enredo revela a trágica situação de uma actividade nobre e honesta, a que muitos chamam (ou chamaram) "tradução", "mediação", "intermediação", "interpretação", seja lá o que for. E que agora chamam "localização", "engenharia de línguas", "indústria das línguas", "prestação de serviços de tradução"...
16. Ofício nobre e honesto, porque nele convergem valores e saberes que acompanharam e acompanham o Homem desde o início dos tempos. Valores de respeito, tolerância, ética, abertura ao "outro", diálogo, ligação, convergência, construção de pontes... era capaz de estar aqui a noite inteira a enumerar uma lista de conceitos que associo (ou associamos) ao labor/ofício/actividade/negócio da tradução.
17. A tradução não tem de ser necessariamente uma coisa negativa, associada a valores negativos e menores.
18. E, sinceramente, fico irritado com a forma como, desde sempre, quando se fala de tradução, há sempre esta construção, ficação, este discurso negativo, crítico e depreciativo que impera.
19. Não tenho procuração para defender os tradutores, meus pares. Sou apenas um profissional que está habituado a reconstruir com o discurso, aquilo que outros destroem com as suas palavras, actos, gestos... Sou, além disso, um formador que gosta de partilhar conhecimentos, competências e saberes com os seus alunos, dentro de uma perspectiva profissional e qualitativamente sustentada, baseada numa experiência de vida orientada para a prestação de um serviço que considero crucial, rigoroso e apaixonante.
20. Mas fico possesso quando nos envolvem nesta cadeia perversa, como se fôssemos os pobrezinhos, os parentes pobres, os néscios ou os coitadinhos que aspiram por um lugar ao sol, junto dos privilegiados e iluminados.
21. E fico furibundo quando nos afastam, ou somos afastados, dos processos de decisão e justificação, no fundo, quando nos cortam a palavra.
22. Este é, de facto, o espelho da realidade socioprofissional de uma actividade a que muitos chamam "tradução".
23. Há bons e maus tradutores, como há bons e maus médicos, ministros, professores, treinadores.
24. É lógico que há péssimos tradutores que se intitulam profissionais e que, com os seus actos, acabam por fazer tanto pela reputação da "classe" como o desgraçado e infeliz emigrante que teve o azar de estar no sítio errado, no momento errado.
25. Mas há excelentes tradutores que batalham todos os dias contra esse gente esclarecida que constrói Magalhães, elabora relatórios e contas, redige sentenças ou cartas rogatórias, fabrica prédios e centros comerciais ou legisla nos gabinetes.
26. Reparem que não falo só dos tradutores literários. Não me interessa aqui valorizar ou desvalorizar áreas e domínios de actividade. Falo sobretudo dessa multidão anónima que vive, tantas vezes, abaixo do nível das águas, no subsolo e no esquecimento, em total precariedade e ansiedade, que luta diariamente contra o anátema do desprestígio, desvalorização, subalternidade, inferioridade, palavras que são frequentemente lançadas, pela sociedade ou pelos clientes, para as costas do tradutor.
27. "Não gostei nada daquela tradução", "Era capaz de fazer melhor", "O tradutor não percebeu nada", "Não é assim que se diz", "Tive que mandar fazer tudo de novo", "É tão caro. O meu cão, que é bilíngue, fazia isso com uma perna às costas", "Tenho uma prima, que dá explicações e tem um curso de línguas, que me escreve os emails para os clientes de graça," etc, etc, são comentários que todos nos habituámos a ouvir.
28. O Magalhães é, portanto, e apenas, a metáfora da nossa existência.
Algures entre Sísifo e Tântalo, numa tensão constante entre o visível e invisível, somos, e sabemos ser, absolutamente indispensáveis, verdadeiro dínamo, roda motriz e elemento catalisador da sociedade e, no entanto, tristemente condenados a errar sem destino e sem lar, desenraizados e ostracizados por aqueles que nos acolhem e, ao mesmo tempo, nos apagam, muito convenientemente, através de uma simples tecla "Delete" (Apagar).
8. Sinceramente, tenho pena que este homem seja o elo mais fraco, como disse antes, desta perversa cadeia de transmissão do conhecimento associado a um bem de consumo.
9. E tenho pena que o humano seja, neste caso, crucificado ou, melhor ainda, exposto e sacrificado na praça pública, anónimo e "visivelmente invisível", personificando/encarnando na perfeição tudo o que de mau está associado à tradução.
10. Uma verdadeira homenagem ao "incompetente desconhecido". Perdoai-lhe, pois, já que a culpa não é sua. Uma coisa é ignorância; outra coisa, é incompetência.
11. E, no entanto, literalmente achincalhado, pejorativamente classificado como "emigrante" e "apenas com a 4ª classe", epítetos que toda essa gentinha "cobardemente correcta" usa e abusa para mostrar a sua alegada superioridade intelectual, moral, económica, social... "sacudindo, assim, a água do capote"...
12. Ser emigrante ou imigrante não é sinónimo de incompetência e falta de qualidade. Nem sequer um factor necessário para a análise qualitativa da tradução. Os tradutores são bons ou maus, não são emigrantes, nem cidadãos de primeira ou de segunda.
13. Ter a 4ª classe não é necessariamente sinónimo de tontice e boçalidade. Conheço muito boa gente com a 4ª classe que tem um discurso, inteligência e sensibilidade muito superiores aos senhores do Ministério da Educação e aos CEOs desse tão fantástico gigante do sucesso, a JP Sá Couto, verdadeiros responsáveis por este verdadeiro auto-de-fé em praça pública. De novo, uma coisa é ignorância; outra coisa é incompetência. E, neste caso concreto, graças a estes senhores, estamos perante um caso de lesa ______ (preencha o leitor o espaço em branco, por favor)
14. Porque o que está aqui verdadeiramente em causa é a tradicionalmente desastrosa política do "chico-esperto", cultora da incompetência, ganância e total falta de escrúpulos. Incompetência pura...
15. É claro ainda que, em última instância, todo este enredo revela a trágica situação de uma actividade nobre e honesta, a que muitos chamam (ou chamaram) "tradução", "mediação", "intermediação", "interpretação", seja lá o que for. E que agora chamam "localização", "engenharia de línguas", "indústria das línguas", "prestação de serviços de tradução"...
16. Ofício nobre e honesto, porque nele convergem valores e saberes que acompanharam e acompanham o Homem desde o início dos tempos. Valores de respeito, tolerância, ética, abertura ao "outro", diálogo, ligação, convergência, construção de pontes... era capaz de estar aqui a noite inteira a enumerar uma lista de conceitos que associo (ou associamos) ao labor/ofício/actividade/negócio da tradução.
17. A tradução não tem de ser necessariamente uma coisa negativa, associada a valores negativos e menores.
18. E, sinceramente, fico irritado com a forma como, desde sempre, quando se fala de tradução, há sempre esta construção, ficação, este discurso negativo, crítico e depreciativo que impera.
19. Não tenho procuração para defender os tradutores, meus pares. Sou apenas um profissional que está habituado a reconstruir com o discurso, aquilo que outros destroem com as suas palavras, actos, gestos... Sou, além disso, um formador que gosta de partilhar conhecimentos, competências e saberes com os seus alunos, dentro de uma perspectiva profissional e qualitativamente sustentada, baseada numa experiência de vida orientada para a prestação de um serviço que considero crucial, rigoroso e apaixonante.
20. Mas fico possesso quando nos envolvem nesta cadeia perversa, como se fôssemos os pobrezinhos, os parentes pobres, os néscios ou os coitadinhos que aspiram por um lugar ao sol, junto dos privilegiados e iluminados.
21. E fico furibundo quando nos afastam, ou somos afastados, dos processos de decisão e justificação, no fundo, quando nos cortam a palavra.
22. Este é, de facto, o espelho da realidade socioprofissional de uma actividade a que muitos chamam "tradução".
23. Há bons e maus tradutores, como há bons e maus médicos, ministros, professores, treinadores.
24. É lógico que há péssimos tradutores que se intitulam profissionais e que, com os seus actos, acabam por fazer tanto pela reputação da "classe" como o desgraçado e infeliz emigrante que teve o azar de estar no sítio errado, no momento errado.
25. Mas há excelentes tradutores que batalham todos os dias contra esse gente esclarecida que constrói Magalhães, elabora relatórios e contas, redige sentenças ou cartas rogatórias, fabrica prédios e centros comerciais ou legisla nos gabinetes.
26. Reparem que não falo só dos tradutores literários. Não me interessa aqui valorizar ou desvalorizar áreas e domínios de actividade. Falo sobretudo dessa multidão anónima que vive, tantas vezes, abaixo do nível das águas, no subsolo e no esquecimento, em total precariedade e ansiedade, que luta diariamente contra o anátema do desprestígio, desvalorização, subalternidade, inferioridade, palavras que são frequentemente lançadas, pela sociedade ou pelos clientes, para as costas do tradutor.
27. "Não gostei nada daquela tradução", "Era capaz de fazer melhor", "O tradutor não percebeu nada", "Não é assim que se diz", "Tive que mandar fazer tudo de novo", "É tão caro. O meu cão, que é bilíngue, fazia isso com uma perna às costas", "Tenho uma prima, que dá explicações e tem um curso de línguas, que me escreve os emails para os clientes de graça," etc, etc, são comentários que todos nos habituámos a ouvir.
28. O Magalhães é, portanto, e apenas, a metáfora da nossa existência.
Algures entre Sísifo e Tântalo, numa tensão constante entre o visível e invisível, somos, e sabemos ser, absolutamente indispensáveis, verdadeiro dínamo, roda motriz e elemento catalisador da sociedade e, no entanto, tristemente condenados a errar sem destino e sem lar, desenraizados e ostracizados por aqueles que nos acolhem e, ao mesmo tempo, nos apagam, muito convenientemente, através de uma simples tecla "Delete" (Apagar).
Tuesday, March 10, 2009
Sobre tradução de poesia (poema mudado para português por Herberto Helder)
Sobre tradução de poesia
(Zbigniew Herbert)
Zumbindo um besouro pousa
numa flor e encurva
o caule delgado
e anda por entre filas de pétalas folhas
de dicionários
e vai direito ao centro
do aroma e da doçura
e embora transtornado perca
o sentido do gosto
continua
até bater com a cabeça
no pistilo amarelo
e agora o difícil o mais extremo
penetrar floramente através
dos cálices até
à raiz e depois bêbado e glorioso
zumbir forte:
penetrei dentro dentro dentro
e mostrar aos cépticos a cabeça
coberta de ouro
de polén
Herberto Helder, in Ouolof (poemas mudados para português)
(Zbigniew Herbert)
Zumbindo um besouro pousa
numa flor e encurva
o caule delgado
e anda por entre filas de pétalas folhas
de dicionários
e vai direito ao centro
do aroma e da doçura
e embora transtornado perca
o sentido do gosto
continua
até bater com a cabeça
no pistilo amarelo
e agora o difícil o mais extremo
penetrar floramente através
dos cálices até
à raiz e depois bêbado e glorioso
zumbir forte:
penetrei dentro dentro dentro
e mostrar aos cépticos a cabeça
coberta de ouro
de polén
Herberto Helder, in Ouolof (poemas mudados para português)
Subscribe to:
Posts (Atom)








