Sunday, July 20, 2008
A minha pátria é a Língua Portuguesa
Numa altura em que se fala tanto de língua, política da língua, promoção da língua, e dado que estas coisas mexem com a tradução, convém espreitar o que nos dizem no Observatório da Língua Portuguesa.
Wednesday, July 16, 2008
Tradução + Linux
Para quem tiver interesse nestas questões tecnológicas, este artigo é capaz de ser uma boa opção.
Friday, July 11, 2008
Sunday, July 06, 2008
A Festa
Sunday, June 29, 2008
Ah, esta saudável capacidade de nos rirmos de nós próprios
A legendagem está catita e tecnicamente perfeita... O conteúdo também, embora merecesse uma tesouradas censóreas aqui e ali... Resta-nos, no entanto, o alívio e a certeza de que se mudássemos a personagem caricaturada, a cor das camisolas e a clubite aguda cá do nosso burgo, o efeito seria o mesmo. "Ri-te morcão", como diz o anúncio.
Friday, June 13, 2008
Peter Naumann - A vocação do intérprete
Não posso deixar de postar aqui este fantástico e divertido texto de Peter Naumann, onde as questões de vocação, ética, discrição, respeito e dignidade profissionais andam interligadas. Transpondo isto para a tradução, não será por isto que todos nós lutamos, no nosso dia-a-dia e na forma como nos relacionamos profissionalmente, com os nossos pares e clientes? Não será por isto que todos nós aspiramos? Sonhar, ainda que fugazmente, por uma invisibilidade visível... um raio de luz na sombra do esquecimento.
NA CONTRAMÃO DE BABEL: VARIAÇÕES, CON ALCUNE LICENZE, SOBRE UM TEMA POUCO CONHECIDO
Peter Naumann*) para George Bernard Sperber, pelo seu 60º aniversário
1. Um lugar-comum afirma que o intérprete deve saber colocar-se entre parênteses. Colegas de profissão, que o sustentam, muitas vezes não possuem autoridade intelectual para fazê-lo. Contrariamente à imagem muito difundida, sobretudo entre organizadores de congressos, o intérprete autêntico não se confunde com a socialite, a secretária ou a recepcionista alegadamente poliglotas nem com o guia turístico, que mal encobrem a sua indigência com charme mercenário, frases feitas, vocabulário parco e ideário correspondentemente acanhado. Embora o perfil profissional evolua cada vez mais nessa direção, o bom intérprete deve ter luz própria e saber falar por si. Deve ter o que dizer. Não fosse assim, o que lhe restaria para colocar entre parênteses?
2. Muitos leigos e muitos futuros profissionais pensam e agem como se o intérprete fosse o especialista a inserir a palavra certa no lugar certo no momento certo. E há mesmo intérpretes que partilham essa opinião, a julgar pelo seu desempenho. Tal compreensão ignora a natureza e o funcionamento da linguagem humana, que não é algébrica, mas analógica. A compreensão ou, na sua impossibilidade, intuição do contexto é condição necessária da compreensão do texto. Em tempos nem tão remotos, marcados por menos dúvidas, o catolicismo romano acreditava poder afirmar: Extra ecclesiam nulla salus. Com muito mais razão um intérprete propenso à reflexão – que procura, também, sempre pensar à frente dos seus oradores - pode afirmar: Extra contextum nulla salus. Uma segunda condição necessária é o acompanhamento do raciocínio do orador. Sem ele, o intérprete não pode fazer suas as palavras do orador, e sem isso ele não consegue transmitir o sentido do que o orador disse.
Interpretar significa compreender. Nada mais. Nada menos.
3. Em passagem secundária, mas certamente não fortuita do pouco conhecido romance Salammbo de Gustave Flaubert os intérpretes são apresentados nas seguintes palavras: Apparaissait ensuite la légion des Interprètes, coiffés comme des sphinx, et portant un perroquet tatoué sur la poitrine. (Flaubert, Salammbo. Oeuvres, Ed. de la Pléiade, I, 761)
No fim do nosso século, as chances do papagaio de ser reconhecido como ave heráldica da profissão não são nada más. Afinal de contas, os sons captados através dos fones de ouvido são muitas vezes deveras enigmáticos.
4. Na sua memorável reportagem literária de 1928 sobre a migração dos judeus do Leste Europeu para o Ocidente, o escritor e jornalista austríaco Joseph Roth (1894-1939) registra a chegada dos judeus ao porto de Marselha, parada obrigatória na emigração para outros continentes, especialmente para a América do Sul:
"Alguns poucos ficam em Marselha. Tornam-se intérpretes. Ser intérprete é uma profissão judaica. Não se trata de traduzir, do inglês para o francês, do russo para o francês, do alemão para o francês. Trata-se de traduzir o forasteiro/o estranho [den Fremden], mesmo quando ele não disse nada. Ele não pre-cisa abrir a boca. Intérpretes cristãos talvez traduzam; judeus adivinham [Juden auf Wanderschaft]."
A diáspora predispõe não apenas ao aprendizado de línguas, mas ao desenvolvimento paranormal da faculdade humana de apreender o que está atrás das palavras que ora revelam, ora ocultam o pensamento. Trata-se de uma habilidade social, necessária à sobrevivência de quem é percebido como diferente.
Sôbolos rios que vão por Babilonia (Camões) nasceram alguns dos melhores intérpretes que o mundo já viu - como o destinatário dessas reflexões, que veio de muito longe e criou entre nós um padrão de qualidade quase nunca alcançado na interpretação entre o português e o alemão, inexistente na própria Alemanha, alheio às vestalinas regras das corporativistas associações profissionais e ocasionalmente admirado por colegas de peregrina importância que se deslumbram com o que lhes é vedado compreender.
5. Uma prova insofismável da capacidade intelectual do intérprete de conferências é o seu desempenho na modalidade consecutiva, na qual trechos mais ou menos extensos do discurso são posteriormente reproduzidos pelo intérprete. Nos últimos anos aumenta o número de profissionais que se esquivam a trabalhar nessa modalidade. Admitem tacitamente que a sua percepção do que o orador diz não passa de ruído destituído de sentido. Seu próprio discurso acaba resultando em ruídos destituídos de sentido. Na modalidade simultânea, mais praticada, o intérprete, símio (não símile) do orador, pode enganar mais facilmente, tomando carona nas palavras deste sem conseguir reorganizá-las em fala articulada. Em terra de cegos, o desempenho subalterno daí resultante é desculpado, sob a alegação da “dificuldade” do trabalho.
6. São Jerônimo (348?-420?), padroeiro dos tradutores e, por extensão, dos intérpretes, escreveu um pequeno tratado De optimo genere interpretandi, no qual se lê a seguinte definição canônica do que o bom tradutor e intérprete devem fazer: Non verbum e verbo, sed sensum exprimere de sensu (Não expressar a palavra a partir da palavra, mas o sentido a partir do sentido).
7. Verba volant... Volátil por natureza, a palavra falada carece de repetições para ser compreendida. Mesmo pleonasmos inadmissíveis na linguagem escrita podem ser elementos de estruturação do discurso falado. Nos últimos anos fala-se cada vez menos e lê-se cada vez mais em eventos que demandam o concurso de intérpretes. Muitos oradores já não conhecem mais a diferença entre falar e escrever. Apresentam textos formulados na solidão do gabinete, expurgados de todos os elementos que tornam a fala compreensível. Ao invés de reoralizá-los, descartam-nos em tom monocórdio, sintoma da fala não-assistida pelo raciocínio.
8. A interpretação de conferências tem muitos pressupostos. Enunciemos aqui dois de importância capital, pouco conscientizados:
1. O orador está de plena posse das suas faculdades mentais.
2. O orador conhece o seu assunto.
Satisfeitas essas premissas, o intérprete pode esperar que o discurso que ele ouve tenha nexo. Sem nexo, a memorização, função da apropriação das idéias do orador, nem seria possível.
9. Só o mau intérprete chama a atenção do público.
10. Interpreters are born, not made. Analisada mais de perto e compreendida na sua verdade relativa, a afirmação de Renée van Hoof nos diz também que a interpretação não é uma mera profissão (Beruf), mas uma vocação (Berufung). O termo vocação deve ser tomado na sua acepção secularizada. Remete à situação histórico-biográfica do intérprete, à noção de uma herança assumida. Assim compreendida, a interpretação de conferências pode ser uma forma de vida.
29.05.1998
*) Intérprete de conferências.
NA CONTRAMÃO DE BABEL: VARIAÇÕES, CON ALCUNE LICENZE, SOBRE UM TEMA POUCO CONHECIDO
Peter Naumann*) para George Bernard Sperber, pelo seu 60º aniversário
1. Um lugar-comum afirma que o intérprete deve saber colocar-se entre parênteses. Colegas de profissão, que o sustentam, muitas vezes não possuem autoridade intelectual para fazê-lo. Contrariamente à imagem muito difundida, sobretudo entre organizadores de congressos, o intérprete autêntico não se confunde com a socialite, a secretária ou a recepcionista alegadamente poliglotas nem com o guia turístico, que mal encobrem a sua indigência com charme mercenário, frases feitas, vocabulário parco e ideário correspondentemente acanhado. Embora o perfil profissional evolua cada vez mais nessa direção, o bom intérprete deve ter luz própria e saber falar por si. Deve ter o que dizer. Não fosse assim, o que lhe restaria para colocar entre parênteses?
2. Muitos leigos e muitos futuros profissionais pensam e agem como se o intérprete fosse o especialista a inserir a palavra certa no lugar certo no momento certo. E há mesmo intérpretes que partilham essa opinião, a julgar pelo seu desempenho. Tal compreensão ignora a natureza e o funcionamento da linguagem humana, que não é algébrica, mas analógica. A compreensão ou, na sua impossibilidade, intuição do contexto é condição necessária da compreensão do texto. Em tempos nem tão remotos, marcados por menos dúvidas, o catolicismo romano acreditava poder afirmar: Extra ecclesiam nulla salus. Com muito mais razão um intérprete propenso à reflexão – que procura, também, sempre pensar à frente dos seus oradores - pode afirmar: Extra contextum nulla salus. Uma segunda condição necessária é o acompanhamento do raciocínio do orador. Sem ele, o intérprete não pode fazer suas as palavras do orador, e sem isso ele não consegue transmitir o sentido do que o orador disse.
Interpretar significa compreender. Nada mais. Nada menos.
3. Em passagem secundária, mas certamente não fortuita do pouco conhecido romance Salammbo de Gustave Flaubert os intérpretes são apresentados nas seguintes palavras: Apparaissait ensuite la légion des Interprètes, coiffés comme des sphinx, et portant un perroquet tatoué sur la poitrine. (Flaubert, Salammbo. Oeuvres, Ed. de la Pléiade, I, 761)
No fim do nosso século, as chances do papagaio de ser reconhecido como ave heráldica da profissão não são nada más. Afinal de contas, os sons captados através dos fones de ouvido são muitas vezes deveras enigmáticos.
4. Na sua memorável reportagem literária de 1928 sobre a migração dos judeus do Leste Europeu para o Ocidente, o escritor e jornalista austríaco Joseph Roth (1894-1939) registra a chegada dos judeus ao porto de Marselha, parada obrigatória na emigração para outros continentes, especialmente para a América do Sul:
"Alguns poucos ficam em Marselha. Tornam-se intérpretes. Ser intérprete é uma profissão judaica. Não se trata de traduzir, do inglês para o francês, do russo para o francês, do alemão para o francês. Trata-se de traduzir o forasteiro/o estranho [den Fremden], mesmo quando ele não disse nada. Ele não pre-cisa abrir a boca. Intérpretes cristãos talvez traduzam; judeus adivinham [Juden auf Wanderschaft]."
A diáspora predispõe não apenas ao aprendizado de línguas, mas ao desenvolvimento paranormal da faculdade humana de apreender o que está atrás das palavras que ora revelam, ora ocultam o pensamento. Trata-se de uma habilidade social, necessária à sobrevivência de quem é percebido como diferente.
Sôbolos rios que vão por Babilonia (Camões) nasceram alguns dos melhores intérpretes que o mundo já viu - como o destinatário dessas reflexões, que veio de muito longe e criou entre nós um padrão de qualidade quase nunca alcançado na interpretação entre o português e o alemão, inexistente na própria Alemanha, alheio às vestalinas regras das corporativistas associações profissionais e ocasionalmente admirado por colegas de peregrina importância que se deslumbram com o que lhes é vedado compreender.
5. Uma prova insofismável da capacidade intelectual do intérprete de conferências é o seu desempenho na modalidade consecutiva, na qual trechos mais ou menos extensos do discurso são posteriormente reproduzidos pelo intérprete. Nos últimos anos aumenta o número de profissionais que se esquivam a trabalhar nessa modalidade. Admitem tacitamente que a sua percepção do que o orador diz não passa de ruído destituído de sentido. Seu próprio discurso acaba resultando em ruídos destituídos de sentido. Na modalidade simultânea, mais praticada, o intérprete, símio (não símile) do orador, pode enganar mais facilmente, tomando carona nas palavras deste sem conseguir reorganizá-las em fala articulada. Em terra de cegos, o desempenho subalterno daí resultante é desculpado, sob a alegação da “dificuldade” do trabalho.
6. São Jerônimo (348?-420?), padroeiro dos tradutores e, por extensão, dos intérpretes, escreveu um pequeno tratado De optimo genere interpretandi, no qual se lê a seguinte definição canônica do que o bom tradutor e intérprete devem fazer: Non verbum e verbo, sed sensum exprimere de sensu (Não expressar a palavra a partir da palavra, mas o sentido a partir do sentido).
7. Verba volant... Volátil por natureza, a palavra falada carece de repetições para ser compreendida. Mesmo pleonasmos inadmissíveis na linguagem escrita podem ser elementos de estruturação do discurso falado. Nos últimos anos fala-se cada vez menos e lê-se cada vez mais em eventos que demandam o concurso de intérpretes. Muitos oradores já não conhecem mais a diferença entre falar e escrever. Apresentam textos formulados na solidão do gabinete, expurgados de todos os elementos que tornam a fala compreensível. Ao invés de reoralizá-los, descartam-nos em tom monocórdio, sintoma da fala não-assistida pelo raciocínio.
8. A interpretação de conferências tem muitos pressupostos. Enunciemos aqui dois de importância capital, pouco conscientizados:
1. O orador está de plena posse das suas faculdades mentais.
2. O orador conhece o seu assunto.
Satisfeitas essas premissas, o intérprete pode esperar que o discurso que ele ouve tenha nexo. Sem nexo, a memorização, função da apropriação das idéias do orador, nem seria possível.
9. Só o mau intérprete chama a atenção do público.
10. Interpreters are born, not made. Analisada mais de perto e compreendida na sua verdade relativa, a afirmação de Renée van Hoof nos diz também que a interpretação não é uma mera profissão (Beruf), mas uma vocação (Berufung). O termo vocação deve ser tomado na sua acepção secularizada. Remete à situação histórico-biográfica do intérprete, à noção de uma herança assumida. Assim compreendida, a interpretação de conferências pode ser uma forma de vida.
29.05.1998
*) Intérprete de conferências.
Tradutor automático Galego-Português-Espanhol
Um artigo interessante, e que nos mostra como o comércio e a indústria andam de mãos dadas com o dinamismo, expressão e domínio de uma língua.
El primer traductor automático de gallego, español y portugués permitirá a Galicia entrar en la lusofonía
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Wednesday, June 04, 2008
Aprender línguas é bué de giro e divertido...
Sinceramente, não sei se funciona, mas há gente a oferecer cursos de línguas aqui.
Ferramenta Buzzword
Write and collaborate on documents anywhere, anytime
Adobe® Buzzword® is a new online word processor, perfect for writing
reports, proposals, and anything else you need to access online or
work on with others. It looks and behaves like your normal desktop
word processor, but it operates inside a web browser, so there's no
installation required. It's free, so sign up now.
http://www.adobe.com/acom/buzzword/
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Site sobre constituição de empresas no Reino Unido
Para quem lida com tradução especializada, nas áreas jurídica e económica.
http://www.ukcorporator.co.uk/company_structure.php
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Monday, June 02, 2008
Saturday, May 31, 2008
International Translation Day
Sei que é datado, mas convém recordar, quanto mais não seja, a bem da profissão e do nosso orgulho...
International Translation Day 2007
30th September 2007
Don’t Shoot the Messenger!
It always pays to hire professional translators and interpreters to get the job done right.
And it’s extremely important not to shoot them.“…
At his outburst the chamber erupted, and despite attempts by high-ranking diplomats to extract an apology, Mr Berlusconi refused to oblige … Not surprisingly, there was also an attempt to shift blame to the translator – or interpreter, in this case.
‘My joke wasn’t meant to be offensive,’ an AP dispatch reports Berlusconi saying.
‘It was an ironic joke, perhaps the translation wasn’t done in the ironic sense’.”“…
‘The president was joking,’ a Kremlin spokesman told the BBC: ‘Russian is a very complicated language, sometimes it is very sensitive from the point of view of phrasing. I don't think that the proper translation is able to reflect the meaning of the joke’.”
These familiar stories are two among many: it is a time-honoured tradition for political gaffes to be put down to the translator or interpreter to save face.
Few people are taken in; the translators patiently shrug their shoulders, and life goes on.
But history is already littered with the corpses of translator-martyrs, and the language professions are becoming increasingly dangerous.
There are parts of the world where translators and interpreters literally risk death simply by doing their job.
Some 261 translators and interpreters died in Iraq in 2006, and more in Afghanistan.
Elsewhere, translators have been jailed for their work, and received death threats for daring to translate the works of authors such as Salman Rushdie. One was murdered.
Translation is a risky business.
Translators and interpreters bear an enormous responsibility in carrying messages between languages and cultures, and problems getting the word across can spell disaster on all sides.
For without such experts – translators, interpreters, terminologists – our globalised world would be an uncomprehending place indeed.
From the embedded translator in the battle zone to the interpreter whispering in the ear of a visiting dignitary to the specialist translating the owner’s manual for your next car or subtitling a news report, the work of the language professions is present in every part of the globe, in every walk of life.
Everyone, everywhere, is increasingly dependent on the services of those who make language their business. And the savviest leaders are already aware that the messenger is no fall guy, simply there to take the flak when things go wrong.
They know that the language professional is to be celebrated, to be welcomed for insightful comments and questions that lead to messages – text and speech – whose clarity and impact do credit to their organisation’s image.
The International Federation of Translators’ choice of Don’t Shoot the Messenger! as the theme for International Translation Day 2007 is intended to draw attention to the hazards faced by translators, and also by those who believe that professional language services are an unnecessary option.
Using a professional means you can be sure of putting across your message in full, no matter what language you use.
The International Federation of Translators is the world federation of professional associations bringing together translators, interpreters and terminologists.
It has 80 members in over 60 countries and thus represents over 60 000 professionals.
INTERNATIONAL FEDERATION OF TRANSLATORS Siège/Registered Office : Certex, 22, rue de la Pépinière, 75008 Paris, France Secretariat : 2021, avenue Union, Bureau 1108, Montréal (Québec) H3A 2S9 Canada Tél. / Tel.: +(1) 514-845-0413, Téléc. / Fax: +(1) 514-845-9903, Courriel / E-mail: secretariat@fit-ift.org Editor: Andrew Evans; French translation: Sébastien Evans
International Translation Day 2007
30th September 2007
Don’t Shoot the Messenger!
It always pays to hire professional translators and interpreters to get the job done right.
And it’s extremely important not to shoot them.“…
At his outburst the chamber erupted, and despite attempts by high-ranking diplomats to extract an apology, Mr Berlusconi refused to oblige … Not surprisingly, there was also an attempt to shift blame to the translator – or interpreter, in this case.
‘My joke wasn’t meant to be offensive,’ an AP dispatch reports Berlusconi saying.
‘It was an ironic joke, perhaps the translation wasn’t done in the ironic sense’.”“…
‘The president was joking,’ a Kremlin spokesman told the BBC: ‘Russian is a very complicated language, sometimes it is very sensitive from the point of view of phrasing. I don't think that the proper translation is able to reflect the meaning of the joke’.”
These familiar stories are two among many: it is a time-honoured tradition for political gaffes to be put down to the translator or interpreter to save face.
Few people are taken in; the translators patiently shrug their shoulders, and life goes on.
But history is already littered with the corpses of translator-martyrs, and the language professions are becoming increasingly dangerous.
There are parts of the world where translators and interpreters literally risk death simply by doing their job.
Some 261 translators and interpreters died in Iraq in 2006, and more in Afghanistan.
Elsewhere, translators have been jailed for their work, and received death threats for daring to translate the works of authors such as Salman Rushdie. One was murdered.
Translation is a risky business.
Translators and interpreters bear an enormous responsibility in carrying messages between languages and cultures, and problems getting the word across can spell disaster on all sides.
For without such experts – translators, interpreters, terminologists – our globalised world would be an uncomprehending place indeed.
From the embedded translator in the battle zone to the interpreter whispering in the ear of a visiting dignitary to the specialist translating the owner’s manual for your next car or subtitling a news report, the work of the language professions is present in every part of the globe, in every walk of life.
Everyone, everywhere, is increasingly dependent on the services of those who make language their business. And the savviest leaders are already aware that the messenger is no fall guy, simply there to take the flak when things go wrong.
They know that the language professional is to be celebrated, to be welcomed for insightful comments and questions that lead to messages – text and speech – whose clarity and impact do credit to their organisation’s image.
The International Federation of Translators’ choice of Don’t Shoot the Messenger! as the theme for International Translation Day 2007 is intended to draw attention to the hazards faced by translators, and also by those who believe that professional language services are an unnecessary option.
Using a professional means you can be sure of putting across your message in full, no matter what language you use.
The International Federation of Translators is the world federation of professional associations bringing together translators, interpreters and terminologists.
It has 80 members in over 60 countries and thus represents over 60 000 professionals.
INTERNATIONAL FEDERATION OF TRANSLATORS Siège/Registered Office : Certex, 22, rue de la Pépinière, 75008 Paris, France Secretariat : 2021, avenue Union, Bureau 1108, Montréal (Québec) H3A 2S9 Canada Tél. / Tel.: +(1) 514-845-0413, Téléc. / Fax: +(1) 514-845-9903, Courriel / E-mail: secretariat@fit-ift.org Editor: Andrew Evans; French translation: Sébastien Evans
Friday, May 30, 2008
Tuesday, May 27, 2008
Tecnologia dos pobres
Uma espécie de Robin dos Bosques dos tempos modernos
"The Poor Technology Group (PTG) is for people who work in the field of education and who seek innovative low-budget digital solutions to vocational (professional training) educational problems."
http://www.uvic.cat/fchtd/especial/en/ptg/ptg.html
"The Poor Technology Group (PTG) is for people who work in the field of education and who seek innovative low-budget digital solutions to vocational (professional training) educational problems."
http://www.uvic.cat/fchtd/especial/en/ptg/ptg.html
Cheira-me a esturro
Este é um daqueles textos que circula por aí. É giro, jeitozinho, maneirinho, simpático e muito catita. Imaculado, até. A mim, cheira-me um pouco a esturro, ou seja, acho que é demasiada areia para a camioneta, como soi dizer-se...
"Believe it or not", como dizia o outro.
Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Fernanda Braga da Cruz (sic e fim de citação)
"Believe it or not", como dizia o outro.
Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Fernanda Braga da Cruz (sic e fim de citação)
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