Friday, May 23, 2008

Talking Portuguese opens many doors

Artigo completo aqui

As Portugal agrees to standardise its language - spoken by eight far-flung countries around the world - Hugh O'Shaughnessy muses on the benefits of knowing a little of the "lingua portuguesa". It was the nicest thing any stranger said to me that year. I had been in a small hotel in Luanda, the depressed and chaotic capital of Angola, for a week.
I was trying to make sense of a complicated country bursting with oil and paralysed by corruption.
On my last morning I told the waiter - who had been serving me breakfast and with whom I had always passed the time of day - that I was about to fly off.
He asked quietly: "O senhor e brasileiro, ne?" (You're Brazilian, aren't you?)
We had never had a long conversation, so he had not realised the enormous gaps in my Portuguese vocabulary and grammar.
But I did have enough of the language and enough of a Brazilian accent to have given him one clear impression, albeit a rather inaccurate one. I went off to the airport very contented.

Diamonds
Some 230m Portuguese speakers are spattered round the globe. Some live in former colonies with tiny populations: Cape Verde in the Atlantic, Sao Tome and Principe in the waters off Nigeria, and Timor in the Far East.
Angola and Mozambique in Southern Africa are a bit bigger than these but Portugal itself has little more than 10m inhabitants.
The bulk of Portuguese speakers - nearly 200m of them - live in South America.
Brazil was a colony of Portugal for centuries and it brought immense prosperity to the motherland.
In the 1730s, King John V in Lisbon ordered the Brazilians to stop sending him diamonds. The flood of gemstones was positively ruining the market. "Enough, enough, enough," he wailed piteously.
Unsurprisingly today, it is the Brazilians, long free of colonial shackles, who have got the weight in the Portuguese-speaking world.

Interviewing presidents
As the eight independent governments which form the Community of Portuguese-speaking Countries try to agree on rules for a more uniform language, it is the South Americans who are making themselves heard.
They have persuaded their European cousins to reform their spelling and adopt letters "k", "w" and "y" which Lisbon says do not exist in correct Portuguese. For their part, many in Portugal are baulking a little.
I am just glad I spent time at university learning a smattering of the language of a country which had always fascinated me. I soon found, for instance, that the Portuguese word "puxe" - pronounced "push" - means "pull".
Portuguese has brought dividends to me as a journalist. There would not have been that chat with Lula - a trade union leader in Sao Paulo then, leader of Brazil today - had I not had some notion of his language.
Then there was the time when we were working on a BBC documentary in Brasilia.
The word came down that President Itamar Franco - who, like Lula, had no English - would do an interview but only on condition it was in Portuguese.
"There you are," said the producer happily. I gulped several times and took a big shot of cachaca, or cane brandy, to steady the nerves and we marched into the presidential office.
In fact it could not have gone better. We left the president, thanking him profusely. "Obrigado", we said, "Obrigado".
Some notions of Portuguese are also, of course, a help in everyday situations in Brazil.
The biggest group of visitors come from Argentina and few Argentines bother trying to speak Portuguese.
So when a foreigner does make the attempt, that person starts off with a bonus point or two in Rio or Sao Paulo.

East Timor
But the time when Portuguese was most useful to me was in East Timor, the former Portuguese colony which had been invaded in 1975 by its giant neighbour Indonesia.
The Indonesians virtually outlawed the language and banned it in schools. The resistance fought back from Timor's jungle-covered mountains.
But despite years of occupation by massive numbers of Indonesian troops and colonists, the Timorese stuck to their language.
Consequently, if a Westerner even just greeted a Timorese with a "bom dia" (good day), he identified himself as a friend. Timorese eyes lit up at the sound of a "bom dia".
In Portuguese, Timorese guerrillas related horrible details of the Indonesians' terror tactics.
But I do have one big confession to make. I am happy to chat with Angolan waiters or Brazilian politicians or Timorese freedom fighters, but I am dead scared in Lisbon.
The Portuguese have the terrible practice of swallowing most of their consonants and some of their vowels, and that presents dreadful problems.
So I have just two words for the kind Portuguese from Lisbon to the Algarve who understand - or who at least say they understand - what I am trying to say in their language: "Muito obrigado!" (I am much obliged to you).

Monday, May 19, 2008

Diversidade cultural

Meditação profunda sobre a diversidade que faz a riqueza da Europa. E, como sugere quem mo enviou, para sabermos de que povo descendem os portugueses! (sic)

http://tcc.itc.it/people/rocchi/fun/europe.html

Friday, May 09, 2008

Next big thing

Mais uma moda vinda de lá.
Mas onde é que eu já ouvi isto...
Reciclagens de outros sons

Tradução & Paratradução

Um novo blogue acaba de aparecer, dedicado ao fenómeno da Paratradução:
http://paratranselation.blogspot.com/

Thursday, April 24, 2008

O bom filho à casa torna

As minhas desculpas pela ausência.
Sei que tenho andado arredado, mas outros valores mais altos se levantam.
É tempo de arrumar a casa e preparar o futuro.
Entretanto, aqui vai uma boa notícia.

Friday, April 04, 2008

Citação # 1

Às vezes somos...

“ Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...”

Guerra Junqueiro, "Pátria" escrito em 1886

Wednesday, April 02, 2008

Para resolver o meu problema de expressão...

Ora cá está mais um óptimo exercício de legendagem/interpretação em tempo real.


Friday, March 28, 2008

Jovens e nêsperas - Uma metáfora


















Rifão quotidiano

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia


chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a


é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece


Mário Henrique Leiria, in Novos Contos do Gin-Tonic

Tuesday, March 25, 2008

Ainda a propósito do vídeo

Subscrevo inteiramente o que o Rui Bebiano diz sobre o assunto, quando transposto para as universidades.

Saturday, March 22, 2008

Geração rasca (parte tudo)

Depois de ver isto, e com pleno conhecimento de causa, face a situações afins, só me resta fazer um curto e singelo comentário, evitando, é claro, cair nos habituais lugares-comuns:

Bestial (de besta, leia-se) esta geraçãozeca que se arrasta penosamente, altiva e impune, pelas nossas instituições de ensino, ocupando o nosso precioso tempo com pérolas deste quilate!

Monday, March 17, 2008

St. Patrick's Day





Feliz dia de S. Patrício
(e, já agora, uma Guiness, please...)

Sunday, March 16, 2008

Março - Domingo de manhã

Stacey Kent e Suzanne Vega

Águas de Março


Saturday, March 15, 2008

Boa onda

Canção p'ra malta jovem

Kits de sobrevivência para tradutores

Manuais de instruções para tradutores, clientes e consumidores de serviços de tradução

http://www.iti.org.uk/indexMain.html

http://hdl.handle.net/1822/5890

Good vibes

Como é possível as pessoas andarem deprimidas com músicas destas



A canção da Noruega

Já tinha falado destes meninos há uns tempos (pelo menos um deles).
Eis que ontem, num posto de escuta da FNAC, redescobri este tema. Ideal para um fim de semana de trabalho ;)


Friday, March 14, 2008

EMT - European Masters in Translation

A acompanhar aqui.
Porque nos interessa a todos.

Sugestão do dia

Um nome a reter: Cat Power
The Greatest



Brave New Words

Um site interessante sobre tradução e afins.

Tê (de talento)

Há muito que não ouvia isto. Retrato de um outro Portugal, menos formatado e espartilhado.
Esta é capaz de ser melhor (mais genuína, portanto, digo eu)... Muito actual. Hoje a gente lê (?), passiva, apática e abúlica, e não sabe, nem entende o que lê. E talvez não aprenda assim tanto.
A sabedoria popular dos nossos avós , a alma do povo, o nosso código genético, a genuinidade e a espontaneidade desapareceram, substituídas pelo conhecimento de plástico ou cartão, ready-made, ready-to-wear, descartável, consome-consome, pré-embalado e muito alucinante, numa vertigem que nos tolda o pensamento e a emoção. E que nos enclausura noutro tipo de obscurantismo, bem mais triste e aterrador.
(E, já agora, faz-me pensar onde estaria hoje o Rui Veloso sem o Carlos Tê...)

A Gente Não Lê
Rui Veloso
Composição: Carlos Tê / Rui Veloso

Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão

Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais

E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz

Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria

De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à soleiro
A ouvir os ruídos do mundo
E a entendê-los à nossa maneira

Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
E não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem.

Wednesday, March 12, 2008

Parabéns, Carolina

(in Rapid, Edição da Representação em Portugal da Comissão Europeia, 10/03/08)

· Comissário Orban entrega prémios da UE a jovens tradutores
Vinte e sete jovens tradutores – um por cada Estado membro da UE – reúnem-se hoje em Bruxelas para receber os prémios do primeiro concurso europeu de tradução disputado em estabelecimentos de ensino de todos os Estados membros. Na conferência de imprensa que terá lugar na sala de imprensa do edifício Berlaymont, o Comissário Europeu responsável pelo Multilinguismo, Leonard Orban, acolherá os vencedores do concurso «Juvenes Translatores» (jovens tradutores, em latim) e procederá à entrega dos prémios. Na prova realizada em Portugal, a vencedora foi Carolina Pinheiro, da Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar. (Desenvolvimento em IP/08/405) Ou aqui e aqui
A tradução da Carolina está aqui

Monday, March 10, 2008

Tradução e activismo social

Neste mundo globalizado, tantas vezes regido pela lógica implacável do mercado e do lucro desmedido, convém seguir de perto estas novas manifestações do fenómeno tradutório, nomeadamente a sua dimensão ao nível da intervenção social e comunitária.
Este movimento é o exemplo do seu enorme potencial de crescimento e expansão.

Saturday, March 08, 2008

De la musique avant toute chose

Esta estética/sonoridade retro, beaucoup sixties/seventies, cool, jazz, swing, dá-nos literalmente a volta à cabeça...


O risco da fragmentação linguística

Agora que o acordo ortográfico paira no horizonte, vale a pena ler este artigo publicado no "Daily Telegraph", onde David Crystal adverte para o fenómeno da fragmentação linguística através das várias manifestações da língua inglesa.
Alguém falou em localização/glocalização?

Tuesday, March 04, 2008

Os problemas do calão

"What does : "casse-toi pauvre con" mean in english ?"
LE MONDE | 01.03.08 | 13h35 • Mis à jour le 01.03.08 | 13h35


L'altercation a rapidement fait le tour de la planète. "Sarkozy's YouTube moment", titre ainsi The Globe and Mail. Mais le quotidien canadien souligne, par ailleurs, la perplexité des internautes pour traduire la réplique présidentielle.

Sur Yahoo ! Answers, la question est ouverte : "What does : "casse-toi pauvre con" mean in english ?" Vaste chantier. Chacun y va de sa proposition : "Piss off, poor idiot" (piss off, dégage, mais en vraiment vulgaire), "Get lost, asshole" (asshole, littéralement trouduc, mais bonne traduction de con). Les variations sont infinies. Certains, choqués, refusent de traduire les subtilités de langage du président et proposent : "*****, you ***** !"

Même embarras dans les médias anglo-saxons. Pour l'International Herald Tribune, c'est : "Then get lost, you poor jerk !" ("Dégage, pauvre idiot"). A la BBC, on préfère : "Get lost then you bloody idiot, just get lost !" (bloody, littéralement : saignant. Ici : foutu). Le fil de l'AFP en anglais : "Get lost, you stupid bastard !"

C'est bien plus chantant en italien : "Vai via, vai via, allora, povero coglione" ("Va t'en, va t'en, alors, pauvre con"), version de La Stampa. Chez les hispanophones, on balance entre le "Rajá, pobre pelotudo" ("Taille-toi, pauvre con") du journal argentin Clarin et le "¡ Lárgate, pobre imbecil !" (Largate, tire-toi) du quotidien espagnol El Pais. Pour les Allemands, on a le choix entre la version de Die Welt, "Dann hau doch ab, Du armseliger Dummkopf" ("Alors tire-toi, misérable crétin !"), celle du Spiegel, "Dann hau'doch ab, du Idiot", ou encore celle du Tagesspiegel, "Dann hau doch ab, du Blödmann" (Blödmann, connard).

En polonais, il y a un précédent, c'est "Spieprzaj dziadu !". Qui équivaut bien à : "Casse-toi, pauvre con !" C'est la phrase lancée le 4 novembre 2002 par Lech Kaczynski, alors maire de Varsovie, à un quidam qui l'interpellait dans la rue. Un site, www.spieprzajdziadu.pl, a été créé, des tee-shirts ont été fabriqués et des milliers de gens ont porté un bracelet en plastique marqué du désormais célèbre "Spieprzaj dziadu".

Eric Azan



"Casse-toi, pauvre con", un précédent avec Kaczynski en Pologne

Un "Casse-toi, pauvre con", que l'actuel président polonais Lech Kaczynski a lancé il y a plus de cinq ans à un homme qui le critiquait ouvertement dans la rue, n'a cessé de le poursuivre jusqu'à ce jour.

Les mots employés en polonais "Spieprzaj dziadu" sont à peu près l'exacte traduction du "Casse-toi, pauvre con" proféré par le président français Nicolas Sarkozy samedi à un visiteur du Salon de l'agriculture à Paris.

Le 4 novembre 2002, alors qu'il était en campagne pour se faire élire maire de Varsovie, Lech Kaczynski avait ainsi apostrophé un passant qui accusait les hommes politiques de fuir les problèmes "comme des rats".

La scène s'était passée dans un quartier reculé de Varsovie, mais elle a eu pour témoins un journaliste et une équipe de télévision. Elle a été rapportée le lendemain dans l'influent quotidien Rzeczpospolita. Et surtout, la vidéo s'est retrouvée sur internet.

Lech Kaczynski s'est constamment vu reprocher cette petite phrase lorsqu'il a été candidat à l'élection présidentielle à l'automne 2005. L'opposition libérale a alors parlé d'une "doctrine Casse-toi pauvre con" de Lech Kaczynski et de son frère jumeau Jaroslaw, pour désigner leur manque d'intérêt pour les exclus de la société.

Après la double victoire des Kaczynski aux législatives et à la présidentielle de 2005, leurs opposants ont fait du "Casse-toi, pauvre con" un mot d'ordre adressé aux jumeaux eux-mêmes.

Un site, www.spieprzajdziadu.pl, a vu le jour et des milliers de gens se sont mis à porter un bracelet en plastique marqué du désormais célèbre "Spieprzaj dziadu".

Le mot d'ordre est revenu en force durant la campagne des législatives anticipées d'octobre 2007, qui a débouché sur une défaite écrasante du parti conservateur des Kaczynski au profit des libéraux de Donald Tusk. Marginalisé, le président Lech Kaczynski a désormais une cote de popularité détestable.

Source : AFP



Imagem em directo aqui

Wednesday, February 27, 2008

Clã - Sexto Andar

As músicas dos Clã + letras do Tê são sempre um bálsamo para a alma

Alguém que julgou
Que era para si em particular
Que a canção/tradução
Estava a falar

Um sopro, um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio numa simples canção/tradução




Friday, February 22, 2008

Tradução: um sopro post-morten

Há, no processo de tradução tout court, uma constante dicotomia entre vida e morte, uma espécie de tensão e ambivalência latentes entre morte e ressureição / morte e transmutação.
“A tradução mata o original” é, de facto, um lugar-comum frequentemente escutado. De igual forma, a tradução é comummente associada à transfusão/transmutação, bem como à tentativa de captar esse “afterlife”, momento “pós-vida” ou estado “post-morten” do texto.
Por outro lado, a tradução parece igualmente envolver uma espécie de experiência de desintegração, estilhaçamento ou e dilaceramento, tal como equacionava Charles Tomlinson.
É frequente afirmar-se que as traduções matam o original, embora, muitas vezes, essa morte sirva apenas para revelar que, afinal, o original já estaria morto e que, de certa forma, é apropriado para outos fins, outras causas.
Dentro desta perspectiva tanatológica associada à prática da tradução, será possível, como defende Rosanna Warren, definir tradução como uma ausência, resquício que fica desse pós-vida, logo "an afterlife", espécie de exame ou relatório médico-legal através do qual o texto-corpo é declarado morto, se certifica o óbito, autopsia o cadáver e, ao mesmo tempo, é revelada a causa da sua morte.

Monday, February 18, 2008

Tradutores, uni-vos... (pedido de colaboração)

O Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM) da Universidade do Minho está a elaborar um inquérito com o objectivo de colher informações e contributos sobre a prática da tradução profissional na região Norte de Portugal. Pede-se a todos os tradutores da região Norte de Portugal, eventualmente interessados em apoiar esta iniciativa, que participem neste projecto respondendo ao seguinte inquérito:

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=iFmLS_2baow7I_2fuMh1Cbgc6Q_3d_3d

O inquérito decorrerá entre 7 de Janeiro de 2008 e 30 de Março de 2008.

Para mais informações, contactar Fernando Ferreira Alves (falves@ilch.uminho.pt).

Thursday, February 14, 2008

Be my embrace

Nem de propósito, neste dia de S. Valentim.

(Pnau ft LadyHawke)

Para ouvir no
Posto de escuta 1
ou
Posto de escuta 2

Tuesday, February 12, 2008

Technology for translation teachers - training seminar

Nos dias 23 a 27 de Junho de 2008 realizar-se-á, na Universidade do Minho, o Seminário “Language vs. Technology”, um evento de carácter internacional, que resulta da parceria entre a Universidade do Minho, a Universidade de Tarragona e o Intercultural Studies Group, dessa mesma instituição.

Este evento insere-se no âmbito do CTTT – Consortium for Training Translation Teachers, e trata-se de um curso de formação intensivo que decorrerá durante uma semana, especificamente orientado para professores, tradutores profissionais e especialistas na área dos estudos de tradução. (Para mais informações, consultar site do evento em http://isg.urv.es/cttt/minho_2008/index.html).

A sessão do presente ano contará com a presença especial, como guest speakers, de vários nomes importantes no domínio da Tradução, nomeadamente Anthony Pym, Brian Mossop, Daniel Gouadec, Debbie Folaron, Kevin Costello e Sue Ellen Wright.

Technology for translation teachers - training seminar

Language vs. Technology

Braga, Portugal, 23 June – 27 June 2008

The Consortium for Training Translation Teachers, in cooperation with the Institute of Arts and Humanities at the University of Minho is pleased to announce this intensive training seminar in English.

Based on the models developed since 2001, the seminar is designed to bring together both professional translators and translation teachers, and to facilitate exchanges between those groups.

Seminar leaders: Sue Ellen Wright, Debbie Folaron, Brian Mossop, Kevin Costello, Daniel Gouadec

Academic coordinator: Anthony Pym, Fernando Ferreira Alves

Contact hours: 50 (including software demonstrations) ECTS credits: 2
Tuition fee: 390 Euros

Information: http://isg.urv.es/cttt/minho_2008/index.html

Contact details:

Andreia Silva – cs.andreia@gmail.com

Sunday, February 10, 2008

Como cães e gatos




Um dos muitos exemplos da nem sempre pacífica relação entre o crítico e o tradutor.
Sempre que se fala de tradução, há sempre alguém, no alto da sua cátedra, e com instinto de predador, de faca afiada e garras de fora, sempre pronto a opinar sobre o que (às vezes), não sabe.

Wednesday, February 06, 2008

O 11º Mandamento (do Tradutor)

(Quando traduzires) desconfiarás de tudo e mais alguma coisa, até da tua própria sombra e, sobretudo, de tudo aquilo que esse (novo) deus omnipotente, omnipresente e omnisciente chamado Google (ou qualquer um dos seus emissários, vulgo motores de pesquisa ou tradutores automáticos) te disser.

(É o que não me canso de dizer aos meus alunos: Na dúvida, confirmem sempre. Em caso de certeza absoluta, voltem a confirmar, pelo sim, pelo não.)

Se não acreditam, vejam a prova aqui.

Tuesday, February 05, 2008

Retropolis

Uma coisa gira que vi há uns dias atrás (num futuro próximo, a la Tati)

Monday, February 04, 2008

Exercícios de tradução (parte 1)

A linguagem cinematográfica presta-se a pequenos (grandes) exercícios de re-escrita/adaptação. Ora senão vejamos.




Saturday, February 02, 2008

Stop-bullying

Contra todas as formas veladas (e não só) de discriminação.
Um novo fenómeno que, infelizmente, vai alastrando nas nossas "escolinhas de papel", e que se traduz em novas formas de violência/coacção física e psicológica.
(dedicado a todas as bestas que impedem o normal crescimento e desenvolvimento do indivíduo)

Realpolitik geoestratégica politicamente incorrecta

It could happen to you (numa localidade perto de si)

Friday, February 01, 2008

Plágios e tradução

Os nossos irmãos e colegas do Brasil andam às voltas com uma polémica que estourou recentemente e promete dar que falar. Trata-se de uma questão que anda à volta de traduções plagiadas e plágios traduzidos, envolvendo, claro está, as sacrossantas editoras e alguns clássicos da literatura.
Como não podia deixar de ser há o bom, o mau e o vilão. Neste caso, diria que é mais o lorpa e o chico-esperto. Ora adivinhem lá qual a distribuição dos papéis.
Tradutor = Lorpa / Editor = Chico-esperto. E lá vamos cantando e rindo... com a impunidade dos suspeitos do costume.



O abaixo-assinado está disponível aqui.






À laia de desabafo: Por acaso, até ando um bocado queimado e agastado com isto do plágio on/off-line e roubo das ideias alheias via editoras e outras autoras... algo que me bateu à porta recentemente, não por causa de uma tradução, mas por vias travessas, com uma obra original, em que fui autor, co-autor, animador e zelador. E, no final, alvo de uma chicotada psicológica vil e mesquinha, something disposable...


A isto voltarei quando tiver tempo e disposição, porque o melão é grande e a raiva não cabe nesta missiva...



Monday, January 28, 2008

Torga pelo Sindicato de Poesia




TORGA PELA VOZ DO SINDICATO DE POESIA



Correspondendo generosamente, como vem sendo hábito, a mais um desafio da Biblioteca Pública de Braga (UNIVERSIDADE DO MINHO), o Sindicato de Poesia vai realizar no próximo dia 31 de Janeiro um recital intitulado O chão e o verbo, dedicado a Miguel Torga.

Os textos serão ditos por António Durães, Ana Gabriela Macedo, Fernando Coelho, Gaspar Machado, Manuela Martinez e Marta Catarina, sob o olhar do actor-sindicalista António Durães.

O recital O chão e o verbo, é de algum modo, inspirado por um excerto do «Diário VIII» de Miguel Torga:



Comer terra é uma prática velha do Homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal.



Os textos foram seleccionados pelo Doutor Carlos Mendes de Sousa, comissário da Exposição Comemorativa do Centenário do Nascimento de Miguel Torga (1907-1995), organizada pela Direcção Regional de Cultura do Norte com o patrocínio da DST, que a Biblioteca Pública de Braga vem apresentando no Salão Medieval até 8 de Fevereiro e em cuja programação se insere o recital do Sindicato de Poesia.

O recital realiza-se no Salão Medieval (Largo do Paço, Braga) na próxima quinta feira, dia 31 de Janeiro, às 21:45 horas, com entrada livre.

Saturday, January 26, 2008

Manual de instruções para intérpretes (mais ou menos banais)

Às vezes, gostava de ser assim...

Dedo de tradutor(a)

O blogue O Regabofe tem dedo e perfume de tradutor(a). Nota-se que anda por ali algo... não sei o quê, ao certo, mas que há qualquer coisa, há. E, para além disso, gostam de ténis, o que me agrada.
Ali, li um post interessante e também enigmático (pelo menos para mim, que sei o quão árduo e extenuante é traduzir, quando dou tudo de mim e quando me esgoto, esvazio e metamorfoseio, ante essa ânsia sublime e sisífica de alcançar uma comunhão efémera com uma alteridade tão (in)intelegível):

Tradução optimista
"A coisa espectacular é a coisa passível de uma tradução espectacular. Há coisas que projectam de modo fraco o que possivelmente devemos tornar forte, sobretudo se formos pessoas espectaculares, isto é, não mais do que coisas susceptíveis de uma tradução espectacular. Em última análise, vivamos como vivermos, só a tradução é o caminho do que está em andamento."

Tuesday, January 22, 2008

La Palissadas...

Olha-me que grande novidade... (extraído do Portefólio Digital do Kelson)

Mas por que é que, por cá, ainda ninguém percebeu o óbvio da questão?

Uma pequena grande equação para resolver nas horas vagas:

Texto = Línguas = Tradução = Serviço = Processo = Produto = Qualidade = Profissionalismo = Eficácia comunicacional = Vendas = Retorno = Satisfação do cliente (e fecha-se o ciclo, and so on, and so on, e viveram felizes para sempre...)

Saturday, January 19, 2008

Em defesa das Humanidades

Aconteceu em Itália onde, no último Concurso para Juíz, 90% do/as Candidato/as foram "chumbado/as" nas provas escritas porque repletas de erros de ortografia, sintaxe e gramática (os meus agradecimentos à Elena, pelo link).

Como disse o João, e bem, "numa altura em que as disciplinas humanísticas se tornaram rasuráveis dos curricula universitários e com o puro analfabetismo que trespassa o sistema de ensino de ensino português, em todos os seus níveis, é altura das disciplinas da área das humanidades (o português, o latim e o grego, a filosofia, a história, as línguas estrangeiras, etc.) readquirirem a dignidade e o respeito que merecem."

Wednesday, January 16, 2008

Versões/Traduções

Na música, como na tradução da palavra escrita, as versões são também elas processos complexos de equivalência dinâmica e funcional, resultantes desse misto de alquimia e transmutação através do qual o objecto é adaptado a uma outra realidade/ecossistema cultural e referencial.
Neste caso, no entanto, o original é insubstituível, quiçá intraduzível. Fica, mesmo assim, o singelo exercício diletante de estilo.

A versão

O original

You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


Mário Cesariny de Vasconcelos (1957)


A tradução de Richard Zenith está disponível aqui.

Art imitates life (ou vice-versa?)

O estranho caso da versão (cover) cool-hip-swing que arrasa o original (Mr. Mark Ronson and Dame Winehouse não param de nos surpreender com o seu talento).

O original


E afinal havia outra...

Monday, January 14, 2008

Electricidade ultrasónica

Digo e repito. Os Yo La Tengo, do casal Ira Kaplan e Georgia Hubley + Dave Schramm e James McNew, são um dos grupos mais injustiçados de sempre. Andam nisto há muitos anos, sempre com um proverbial e salutar "low profile underground" e alternativo.
Cumpro aqui a minha homenagem, aproveitando a boleia de um dos meus ídolos do jogo da raquete e bola, em estilo "talk-show".

Sunday, January 13, 2008

I was here - ESDJGFA (ex-ESV)

Vivi aqui, estudei aqui, nos idos de 80.
A escola ainda respira. Novas gerações, novos projectos, o mesmo espírito, as mesmas paredes, histórias ímpares, impartilháveis e únicas.
A memória fica e alimenta-se de imagens como esta.

Play Misty for me

Um dos grandes filmes de Clint Eastwood e, certamente, um tema belíssimo, aqui em duas versões, respectivamente de Ella Fitzgerald e Sara Vaughan.







P.S. Prometo voltar um dia a este filme.

Saturday, January 12, 2008

Apanhado!

Nem os intérpretes escapam à câmara indiscreta.

Wednesday, January 09, 2008

Traddutora, Traditora?



O trabalho de tradução/interpretação ultrapassa o simples entendimento e transposição da palavra e da gramática de uma língua para a outra. Neste sentido, o tradutor/intérprete assume-se como um verdadeiro intermediário social, político e cultural, um ser dividido entre tempos, momentos e espaços, capaz de estabelecer a ligação entre mundos e culturas, elemento centralizador e catalisador desse encontro plural com o outro através da palavra. Neste processo de encontro e abertura protagonizado pelo Novo Mundo, tantas vezes caracterizado pela mestiçagem e miscigenação racial, cultural e linguística, é-nos apresentado um novo paradigma da abertura ao multiculturalismo.

Talvez o mais fascinante e influente intermediário do século XVI tenha sido, não um europeu, nem um homem, mas antes uma nativa indígena, mais concretamente Doña Marina ou a La Malinche, como ficou conhecida, a intérprete de Cortez durante a conquista do México.

É assim que nasce a figura e cresce o mito em torno de Doña Marina, simultaneamente, uma figura na margem e no centro, periférica e central, proscrita, traidora e cortesã, amante e intérprete de Cortez, porque ela era, afinal, a figura através da qual passava toda a comunicação entre os aztecas e os espanhóis

Simbolizando o hibridismo e a mestiçagem, elemento de ligação entre dois mundos em conflito e criando, ao mesmo tempo, um outro mundo à parte, La Malinche, Malintzin ou La Chingada funciona como figura de destaque no lugar ocupado pela língua e retórica e peça-chave daquilo a que muitos chamam de“máquina de propaganda representacional europeia”, personificando o vastíssimo processo de tradução cultural iniciado pelos Descobrimentos.


P.S. Agradeço, a propósito, as simpáticas palavras do colega Adelto Gonçalves que teve a gentileza do ler e comentar, no site Verdes Trigos, o meu texto “Traddutora,Traditora? Tradução, mestiçagem e multiculturalismo no feminino”.

Sunday, January 06, 2008

Uma nova forma de servidão?

Apresento-vos o tradutor... um dos novos servos da aldeia global, espécie de "faz-tudo" globetrotter, multifunções, nessa nova glebe da era moderna, digital, pós-moderna, pós-tudo-e-mais-qualquer-coisa

"The translator has become the quintessential servant: efficient, punctual, hardworking, silent and yes, invisible." (Daniel Simeoni, 1998)

Ética em tradução

Para mim, a ética é, a par dos princípios, valores e educação, a mãe de todas as virtudes, o princípio moralmente sustentador e alicerce basilar do indivíduo, enquanto ser envolvido numa rede de relações dinâmicas, socialmente enquadradas, e a base de qualquer relacionamento laboral profissionalmente sustentado (e sustentável).
Infelizmente, (e sem falsos moralismos ou demagogia barata) é essa mesma ética que, hoje, parece cada vez mais arredada das nossas vidas (e falo por experiência própria), em termos pessoais e, sobretudo, profissionais (voltarei a isto mais tarde, se o tempo assim o permitir).
Apenas a título de exemplo, em termos pessoais, e enquanto formador de futuros profissionais (?) de tradução, a ética é dos tópicos que mais dificuldade tenho em ensinar, transmitir ou partilhar, sem cair num tipo de discurso estereotipado, vazio e moralmente bacoco (ou oco, cheio de lugares-comuns e verdades de La Palisse), precisamente pelo seu carácter quase (sublinho, "quase") "in-ensinável". Ou seja, a ética, à partida, é algo que não se pode ensinar de ânimo leve, sobretudo se não houver uma abertura e predisposição da parte dos nossos interlocutores para aprenderem com as experiências de quem, muito antes, trilhou os mesmo caminhos e com eles aprendeu algo, crescendo como indivíduo, ética e moralmente coerente. Aprende-se, é claro, com a abertura ao "outro", com a partilha de realidades e saberes resultantes das experiências profissionais mais díspares e, acima de tudo, com os erros do dia-a-dia, que nos levam a crescer e a amadurecer um pouco mais, isto é, quando vencemos os obstáculos com que nos deparamos constantemente em contexto de interacção social.
Nestes tempos onde a ganância e a arrogância imperam, onde a altivez e, por que não, a estupidez vigoram, onde a lógica implacável do consumo e da competitividade assolam o nosso quotidiano, onde o vício e a falta de princípios corroem o tecido social, e onde a concorrência desleal e a ausência de valores fazem com que os fins justifiquem os meios, admito, com algum pessimismo, que seja difícil para muitos jovens (e não jovens) compreender o que é, afinal, adquirir e aplicar à sua prática profissional um comportamento etica e deontologicamente equilibrado.

Entretanto, para nos entretermos um pouco, deixo-vos este link para um texto de Roger Chriss onde é aflorada a questão da ética, essencialmente associada ao profissionalismo. No entanto, e infelizmente, o autor não deixa de cair naquela espécie de discurso de que falei acima, ou seja, vazio e moralmente pretensioso, fruto de uma repetição estafada de lugares-comuns que apenas afloram, ao de leve e de passagem, uma realidade bem mais complexa e impenetrável.

Saturday, January 05, 2008

E por falar em pintura (O Soberano)

Confesso que ninguém me encomendou este discurso laudatório, mas o que tem qualidade, deve ser apreciado, visto, lido e ouvido, ou comentado.
Tenho seguido de perto a carreira desta nossa amiga. Por acaso, lá em casa, até há umas quantas paredes e prateleiras com quadros dela. Este, por exemplo, falta na colecção....
Mas vale a pena ver e ouvir (Satie incluído) o que a Carla Gonçalves tem para nos mostrar... (pelo sim, pelo não, o link já está aqui ao lado).
E, já agora, por que não visitar uma exposição numa galeria perto de si?


Thursday, January 03, 2008

O Porto no olhar


Casario da Sé do Porto (1945)



António Cruz, aguarelista (1907-1983)

Os Dias de Glória (de Francisco José Viegas)

OS DIAS DE GLÓRIA
Envelheces tanto de cada vez que o dia termina
e olhas para trás. Tens medo do começo do fim,
das tardes de domingo; um dia, distraído, tens medo
do sexo, da amabilidade e da noite, e dos rostos
que foram belos – e não são mais. Envelheces muito
quando o mundo contraria as pequenas coisas,
sentes esse cansaço, nada a fazer.
Mesmo da poesia, que iluminava o tempo, vais
colhendo apenas a amargura; os outros procuram nela
sinais de um destino, datas curiosas, zangas, ventanias,
armadilhas, mas tu sabes – e só tu sabes –
que a tua vida é a tua vida e que o poema
é empurrado por outro sopro, por um reflexo,
um medo brutal, pela memória dos que morreram
e levaram uma parte de ti, um pouco do que havia
de comum entre ti e a vida, esse desperdício – às vezes –,
esses momentos de glória em dias felizes.
Envelheces com os ossos que envelhecem. Envelheces
sem querer. Por ti serias eternamente jovem, adolescente,
e percorrerias as estradas das serras, as florestas,
não para viveres sempre, mas para estares vivo
mais um instante, porque o espectáculo é belo
uma vez por outra. Envelheces pouco a pouco,
porque as coisas não são o que foram nem são o que são.

Francisco José Viegas
in http://origemdasespecies.blogspot.com/

Le kitsch supreme




E por falar nela. Um bilhete de ida e volta ao Inferno das nossas cidades em aviõezinhos de papel e tudo, tipo "East meets West" (via "Straight to Hell" dos Clash), num tutti-fruti rap multicultural, bem misturado numa batida potente, cremosa e altamente viciante.

Os Inrockuptíveis









Em tempo de balanço do ano que passou, a très French Les Inrocks, diminutivo afectuoso da revista alternativa Les Inrockuptibles, publicou os seus 10 +, juntamente com um CD, a saber:



1. 'Sound of Silver' LCD Soundsystem
2. '† (Cross)' Justice
3. 'Sologne/Loney, Noir' Loney, Dear
4. 'Strawberry Jam' Animal Collective
5. 'Myths of the Near Future' Klaxons
6. 'Graduation' Kanye West
7. 'White Chalk' PJ Harvey
8. 'Close to Paradise' Patrick Watson
9. 'The Pirate's Gospel' Alela Diane
10. 'Kala' M.I.A.

P.S. Para além de algumas opções discutíveis e politicamente correctas, destaque-se a vitalidade de PJ Harvey, as opções dançantes dos LCD Soundsystem, o super-pop dos Klaxons e a surpresa kitch "galáctico-étnico-caleidoscópico-efervescente" de M.I.A.

Wednesday, January 02, 2008

Vozes do deserto




Directamente do Mali, terra de raízes sólidas, tradições ancestrais e ritmos encantatórios as vozes dos homens azuis do deserto encantam e chamam por nós.

Rendam-se ao som hipnótico dos tuaregues Tinariwen

Sítio oficial em http://www.tinariwen.com/

Profissão de risco

E, no entanto, eles também sofrem...
Ultimamente, são vários os casos de tradutores, mortos, feridos, usados como reféns, como escudo ou simplesmente como moeda de troca... (basta olhar para os episódios verificados nos inúmeros teatros de guerra e conflito onde os tradutores, tantas vezes esquecidos, acabam por ter um papel preponderante). E, no entanto, sempre e teimosamente invisíveis...
No fundo, vítimas das circunstâncias profissionais que os empurram para o perigo (ou talvez não), erros e acaso do destino, danos colaterais, acidentes de percurso, enfim...
Tudo no exercício da sua profissão, por uma causa, por causas, por princípios, ou apenas alvos do acaso e de um destino que os coloca no lado errado da fronteira.
Por isso, vem-me à memória o episódio do tradutor de Rushdie, esfaqueado há uns anos atrás por um fanático, num episódio grotesco decretado pela "fatwa", e aqui abordado.
E, proporções e distâncias à parte, lembro-me daquele dia, nos idos de 90, em que um ex-PIDE me entra pelo escritório dentro, e ameaça com uma arma de fogo, pedindo-me "humildemente" que falsificasse uns documentozinhos a apresentar e certificar no notário, e com os quais se poderia habilitar a uma choruda herança e outras benesses familiares.

Monday, December 31, 2007

Ano Velho, Ano Novo




Boas entradas e um 2008 em grande.

Traduções Fictícias

Confesso que tiro o meu chapéu a quem faz (boa) tradução de humor. Tirando a tradução de poesia, teatro e outros géneros literários, não deve haver subgénero em que a tensão latente entre o original e o texto traduzido seja tão presente e, ao mesmo tempo, tão intensa, algures no limiar do intraduzível. Para além dessa fronteira ténue que separa duas (ou mais) realidades tão distintas e, no entanto, tão próximas, para além dessa linha tensa que segura o texto por entre jogos de sentido, por entre o dito, o não-dito e o entre-dito, há um novo corpo dinâmico e funcional que ganha forma e contornos outros, fruto de um combate simultaneamente feroz e dócil, espécie de luta corpo-a-corpo, onde as perdas e ganhos, as equivalências, adaptações e compensações mais não são do que instrumentos ao serviço desse milagre perpétuo e sublime da transformação, metamorfose e regeneração textual.
Ao sabor dos trocadilhos, implícitos, referências culturais, intertextos, alusões, metáforas e subentendidos, há algo que, ainda assim, se destaca na tradução de humor: o direito inalienável de rir e fazer rir com inteligência, esse exercício de cidadania tão arredado do nosso quotidiano, que é o sentido de humor fino e puro, essa saudável capacidade de rir e sorrir de nós, connosco e com os outros, experiência terapêutica e catártica de partilha onde a tríade autor-tradutor-leitor se une e comunga de um mesmo desígnio comum e intemporal.
Não falando dos incontornáveis Monty Python, Seinfelds e respectivos spinoffs, gostaria de destacar 2 das séries que me têm feito companhia por entre mudas de fraldas e biberões, madrugada adentro, lá pela calada da noite: Little Britain e Smith & Jones

Músicas do Mundo




Conselho do dia para aficionados da "chamada world music, folk, música tradicional, étnica e as suas margens e fusões", etc. e tal




Saturday, December 29, 2007

Ganda som!




Um dos melhores discos de 2007

Sharon Jones & The Dap-Kings

"100 Days, 100 Nights"

Retrato de família: O meu tríptico portátil pessoal e tecnologicamente versátil, versão digital para o século XXI





Da Maria Beatriz

O riso dos tradutores (Jorge Silva Melo dixit)

Uma bela homenagem aos tradutores, por quem sabe e sente como nós...

Crónica "O riso dos tradutores", publicada no jornal Público de 31 de Maio de 2003, na rubrica Fora de Mercado


"Eureka!", proclamam e, a meio da noite, correm pela casa e, se pudessem, pelas ruas. São assim, Arquimedes, infantis, os tradutores. Eu gosto de os ver, enfronhados em dicionários, velhas edições, sabendo que é provisório o seu trabalho, riscando provas, consultando especialistas (o Jaime Rocha na Federação do Boxe, eu, na Portugália, a ver nomes de vasilhame, o José Lima a conferir comigo títulos de peças...), maníacos com as formas de cortesia (como agradeceram ao prof. Cintra a sistematização que publicou nos Livros Horizonte), comprando os mais estranhos instrumentos ("tenho um dicionário de termos náuticos!", diz-me o António Gonçalves, tradutor de Torrente Ballester, "mas fartei-me de telefonar para o Museu", "um dicionário de 'argot' raro e isso não vem", queixava-se o Manuel João Gomes), dedilhando impossíveis contagens e elisões (o Manuel Resende e o seu nunca por demais louvado "Coriolano") e a descoberta de erros ("no original, havia gralhas"/na Pauvert, não traduziram as dificuldades, saltaram..."/"o autor esqueceu-se, ela estava grávida há dois anos e ainda não teve a criança?"), conhecendo como ninguém as voltas da escrita.

Às vezes entristecem, depois de dúvidas doridas, encolhem os ombros ("maldita polissemia, olha, fica um dos sentidos") ou resignam-se a notas que logo fenecem. Num Mailer que ali tenho, "Praia da Barbaria", de 1961, Rui Costa precisou de pôr uma destas desprezadad notas para "cafetaria" ("misto de café e 'snack-bar' muito frequente nas cidades americanas", acrescentou ele para nós, que só sabíamos do copo de três no Val do rio).

E gritam de fúria com as gralhas. Tremia-lhe a voz, ao Francisco Frazão ao ver a sua tradução do "Primeiro Amor" metida na ortodoxia da pontuação pelas vírgulas e pontos com que iletrado revisor polvilhou o fraseado oblíquo de Beckett.

Mas não esqueço o riso do Francisco ao descobrir que "cenoura albina" pode ser "pastinaga". o que ria ele e o Miguel Borges ao encontrarem "procrastinar". O que a Luiza Neto Jorge ria, no café da Mata da Caparica, anotando o seu Verlaine inicialmente publicado na &etc. e agora na Assírio ("Hombres"), o que ela ria com as maroteiras com que torneava as dificuldades da linguagem pornográfica do Virgem Doida. O que ríamos com as descobertas que fez na "Salada Cómica" de Karl Valentin. O que ainda ri o Vítor Palla ao falar-me ao telefone da sua espantosa tradução do Damon Runyon: "Isso foi uma paródia de amigos." O que ainda ri o Artur Ramos ao lembrar-se de como o José Palla e Carmo lhe traduziu o "Tango des Abattoirs" de Boris Vian: "Já estou farto de beijos/de desejos/de despejos/passa a aguardente/já estou farto de ser hetero/com mulheres/a quilo/a metro/passa a aguardente."

E como gostam de partilhar as descobertas. "Sabes como fiz?" Olhem-me este "mail" de Alessandra Serra, a tradutora italiana de Pinter, acerca do "Sarilho as Obras", com a sua temível enumeração de ferramentas que nenhum AKI satisfará: "Fuia a uma enciclopédia, à voz 'hidráulica' e pus-me a inventar a partir daquelas palavras, tentando manter-me dentro do tema. Faz isso e vais ver que te divertes."

Por isso gosto deles, do sorriso da Fernanda Pinto Rodrigues, lembro-me tão bem da sua claridade num programa de televisão, quando é que a sociedade civil a levará lá de novo? E exultei quando Zita Seabra me descobriu na Bertrand o Salinger traduzido pelo Sttau e o Vasco Pulido Valente (reedição, já!).

E todo eu tremi, no outro dia, ao descobrir numa gaveta as primeiras 17 páginas da "Andrómaca" de Racine que a Luiza ia traduzir: "Pois quê? A vossa ira ainda é persistente?/Pode odiar-se tanto?/E castigar somente?"

Um desejo para a Feira que abre agora: esgotem as "Novas Impressões de África" do Raymond Roussel (Fenda) na tradução da Luiza Neto Jorge, esgotem-na e tenham-na, como eu tenho, desde o dia em que a Luiza morreu, à cabeceira.

Para não pararmos de rir com a Luiza o seu maravilhoso riso sibilino.

Nós e a imprensa (Danilo Nogueira dixit)




Nem de propósito... Este post vem mesmo a calhar.
Porque este senhor, pelo contrário, está cheiinho de razão.

Matando o mensageiro (Joel Neto dixit)

Joel Neto, sobre os tradutores, na sua coluna de opinião "Muito Bons Somos Nós".

Discutível, no mínimo. Mas não posso dizer que o homem, lá no fundo, não tem a sua ponta de razão.

Friday, December 28, 2007

Os donos da bola (outro exercício de tradução especializada)



Experimentem traduzir este artigo com igual souplesse e finesse, adaptando-o (ou melhor, localizando-o) ao nosso futebolês.

Vão ver que a gíria futebolística, a beleza enleante da frase, o estilo invulgar, a técnica poderosa e a terminologia/fraseologia especializadas são comuns aos dois sistemas referenciais, desportiva e culturalmente falando, é claro.

Advice to translators: Deixa-te de lamúrias e faz-te à vida

Um dos muitos conselhos que retive da última conferência de Chris Durban na Universidade do Minho (Outubro de 2007). Sem dúvida, uma das experiências pessoais mais marcantes do ano que agora finda.


Beware the Poverty Cult!
"Definition: When one indulges in wailing and gnashing of teeth about poor translator visibility while throwing in the towel and doing nothing oneself."

Poverty cult members complain bitterly about media depictions of translators, while never ever making the effort to correct those erroneous perceptions—even to the extent of becoming participants in their own self-destruction.

Má língua 1

Mais um exemplo do estado da nação... ou o que se diz por aí (mal) sobre os tradutores.

Uma boa prenda de Natal (talvez para o ano, ou nos Reis)



Beckett on Film


Este já cá canta. Uma colecção de 19 filmes, inspirados na obra de Beckett. As peças do dramaturgo irlandês transpostas para televisão. Um documento ímpar.



O sonho americano (revisitado)

E por falar em Oeste...


Um álbum, a banda sonora ideal para outras paragens, mais inóspitas e desertas. Impossível ficar insensível a perólas como "Mexican Radio" ou "Lost Weekend". Nada foi (será) como dantes.





Call of the West, Wall of Voodoo

Um livro: "Written in the West"

Este é o texto de apresentação de um livro de fotografia sobre o Oeste americano que ando a pedir ao Pai Natal há um bom par de anos... Pela evocação do filme e pelo olhar fascinante sobre uma paisagem que ainda hoje, povoa o meu imaginário.

"In 1983, Wim Wenders travelled through the American West in search of locations for the shooting of "Paris, Texas". In the process, he produced an impressive sequence of photos of the country, glimpsed with the professional - and at the same time personal - eye of one of the greatest German directors of our time."

Written in the West, Wim Wenders (1983)

A vírgula - Breve exercício de tradução



Há anos que andava à procura deste texto. Digamos que era uma espécie de texto de estimação, um daqueles textos que sempre me marcou, pela forma como era viciantemente trabalhoso e volátil, resistindo, hesitante e inquieto à sua fixação... nessa luta corpo a corpo que com ele travava durante o processo de tradução. E, no entanto, sempre tão presente, e sempre tão constante, fruto dessa afinidade e proximidade cúmplices que juntos fomos construindo.

Li-o e traduzi-o em contexto de aula vezes sem conta. Era uma espécie de fiel companheiro em todas as minhhas aulas de introdução à tradução, pela sua multiplicidade de sentidos ocultos, pelo mero exercício de virtuosismo diletante, por ser intrincadamente difícil, estilisticamente floreado, prosodicamente imprevisível, culturalmente rebuscado e, ao mesmo tempo, tão actual e linear, simples e despojado, cheio de alusões, intertextos, espaços vazios de sentido à espera da sua revelação.

Entretanto, o mundo deu várias voltas e a crónica de Pico Iyer perdeu-se num montão de papéis encharcados, vítima de uma certa cheia de Inverno que inundou a minha garagem. Hoje, recuperei-o graças ao Google e à Time e, por isso mesmo, quero guardá-lo neste meu baú das recordações, onde a memória se alimenta e os sentidos repousam.



Monday, Jun. 13, 1988
In Praise of the Humble Comma
By Pico Iyer


The gods, they say, give breath, and they take it away. But the same could be said -- could it not? -- of the humble comma. Add it to the present clause, and, of a sudden, the mind is, quite literally, given pause to think; take it out if you wish or forget it and the mind is deprived of a resting place. Yet still the comma gets no respect. It seems just a slip of a thing, a pedant's tick, a blip on the edge of our consciousness, a kind of printer's smudge almost. Small, we claim, is beautiful (especially in the age of the microchip). Yet what is so often used, and so rarely recalled, as the comma -- unless it be breath itself?
Punctuation, one is taught, has a point: to keep up law and order. Punctuation marks are the road signs placed along the highway of our communication -- to control speeds, provide directions and prevent head-on collisions. A period has the unblinking finality of a red light; the comma is a flashing yellow light that asks us only to slow down; and the semicolon is a stop sign that tells us to ease gradually to a halt, before gradually starting up again. By establishing the relations between words, punctuation establishes the relations between the people using words. That may be one reason why schoolteachers exalt it and lovers defy it ("We love each other and belong to each other let's don't ever hurt each other Nicole let's don't ever hurt each other," wrote Gary Gilmore to his girlfriend). A comma, he must have known, "separates inseparables," in the clinching words of H.W. Fowler, King of English Usage.
Punctuation, then, is a civic prop, a pillar that holds society upright. (A run-on sentence, its phrases piling up without division, is as unsightly as a sink piled high with dirty dishes.) Small wonder, then, that punctuation was one of the first proprieties of the Victorian age, the age of the corset, that the modernists threw off: the sexual revolution might be said to have begun when Joyce's Molly Bloom spilled out all her private thoughts in 36 pages of unbridled, almost unperioded and officially censored prose; and another rebellion was surely marked when E.E. Cummings first felt free to commit "God" to the lower case.
Punctuation thus becomes the signature of cultures. The hot-blooded Spaniard seems to be revealed in the passion and urgency of his doubled exclamation points and question marks ("Caramba! Quien sabe?"), while the impassive Chinese traditionally added to his so-called inscrutability by omitting directions from his ideograms. The anarchy and commotion of the '60s were given voice in the exploding exclamation marks, riotous capital letters and Day-Glo italics of Tom Wolfe's spray-paint prose; and in Communist societies, where the State is absolute, the dignity -- and divinity -- of capital letters is reserved for Ministries, Sub-Committees and Secretariats.
Yet punctuation is something more than a culture's birthmark; it scores the music in our minds, gets our thoughts moving to the rhythm of our hearts. Punctuation is the notation in the sheet music of our words, telling us when to rest, or when to raise our voices; it acknowledges that the meaning of our . discourse, as of any symphonic composition, lies not in the units but in the pauses, the pacing and the phrasing. Punctuation is the way one bats one's eyes, lowers one's voice or blushes demurely. Punctuation adjusts the tone and color and volume till the feeling comes into perfect focus: not disgust exactly, but distaste; not lust, or like, but love.
Punctuation, in short, gives us the human voice, and all the meanings that lie between the words. "You aren't young, are you?" loses its innocence when it loses the question mark. Every child knows the menace of a dropped apostrophe (the parent's "Don't do that" shifting into the more slowly enunciated "Do not do that"), and every believer, the ignominy of having his faith reduced to "faith." Add an exclamation point to "To be or not to be . . . " and the gloomy Dane has all the resolve he needs; add a comma, and the noble sobriety of "God save the Queen" becomes a cry of desperation bordering on double sacrilege.
Sometimes, of course, our markings may be simply a matter of aesthetics. Popping in a comma can be like slipping on the necklace that gives an outfit quiet elegance, or like catching the sound of running water that complements, as it completes, the silence of a Japanese landscape. When V.S. Naipaul, in his latest novel, writes, "He was a middle-aged man, with glasses," the first comma can seem a little precious. Yet it gives the description a spin, as well as a subtlety, that it otherwise lacks, and it shows that the glasses are not part of the middle-agedness, but something else.
Thus all these tiny scratches give us breadth and heft and depth. A world that has only periods is a world without inflections. It is a world without shade. It has a music without sharps and flats. It is a martial music. It has a jackboot rhythm. Words cannot bend and curve. A comma, by comparison, catches the gentle drift of the mind in thought, turning in on itself and back on itself, reversing, redoubling and returning along the course of its own sweet river music; while the semicolon brings clauses and thoughts together with all the silent discretion of a hostess arranging guests around her dinner table.
Punctuation, then, is a matter of care. Care for words, yes, but also, and more important, for what the words imply. Only a lover notices the small things: the way the afternoon light catches the nape of a neck, or how a strand of hair slips out from behind an ear, or the way a finger curls around a cup. And no one scans a letter so closely as a lover, searching for its small print, straining to hear its nuances, its gasps, its sighs and hesitations, poring over the secret messages that lie in every cadence. The difference between "Jane (whom I adore)" and "Jane, whom I adore," and the difference between them both and "Jane -- whom I adore -- " marks all the distance between ecstasy and heartache. "No iron can pierce the heart with such force as a period put at just the right place," in Isaac Babel's lovely words; a comma can let us hear a voice break, or a heart. Punctuation, in fact, is a labor of love. Which brings us back, in a way, to gods.





Wednesday, December 26, 2007

Kilkelly (esta palavra "saudade")


Kilkelly
(Peter Jones)


Kilkelly, Ireland, 1860, my dear and loving son John
Your good friend schoolmaster Pat McNamara's so good
as to write these words down.
Your brothers have all got a fine work in England,
the house is so empty and sad
The crop of potatoes is sorely infected,
a third to a half of them bad.
And your sister Brigid and Patrick O'Donnell
are going to be married in June.
Mother says not to work on the railroad
and be sure to come on home soon.


Kilkelly, Ireland, 1870, my dear and loving son John
Hello to your Mrs and to your 4 children,
may they grow healthy and strong.
Michael has got in a wee bit of trouble,
I suppose that he never will learn.
Because of the darkness there's no turf to speak of
and now we have nothing to burn.
And Brigid is happy you named a child for her
although she's got six of her own.
You say you found work, but you don't say
what kind or when you will be coming home.


Kilkelly, Ireland, 1880, dear Michael and John, my sons
I'm sorry to give you the very sad news
that your dear old mother has gone.
We buried her down at the church in Kilkelly,
your brothers and Brigid were there.
You don't have to worry, she died very quickly,
remember her in your prayers.
And it's so good to hear that Michael's returning,
with money he's sure to buy land
For the crop has been poor and the people
are selling at any price that they can.


Kilkelly, Ireland, 1890, my dear and loving son John
I suppose that I must be close on eighty,
it's thirty years since goodbye.
Because of all of the money you send me,
I'm still living out on my own.
Michael has built himself a fine house
and Brigid's daughters have grown.
Thank you for sending your family picture,
they're lovely young women and men.
You say that you might even come for a visit,
what joy to see you again.


Kilkelly, Ireland, 1892, my dear brother John
I'm sorry I didn't write sooner to tell you, but father passed on.
He was living with Brigid, she says he was cheerful
and healthy right down to the end.
Ah, you should have seen him play with
the grandchildren of Pat McNamara, your friend.
And we buried him alongside of mother,
down at the Kilkelly churchyard.
He was a strong and a feisty old man,
considering his life was so hard.
And it's funny the way he kept talking about you,
he called for you in the end.
Oh, why don't you think about coming to visit,
we'd all love to see you again.


Vídeo disponível em

Por que será que ninguém se lembrou de fazer uma música sobre a A3?

Uma canção para os verdadeiros cavaleiro do asfalto (portagens e radares incluídos)

"Ventura Highway" dos America

http://br.youtube.com/watch?v=KnhKcCwZwl8

Sunday, December 23, 2007

A Norma EN 15038 (se a ASAE descobre este filão...)

A norma europeia EN 15038 visa certificar os serviços de tradução em conformidade, através de um processo de auditoria independente, não se limitando apenas a certificar a existência de um sistema de gestão da qualidade, mas também a implementação e o cumprimento de uma série de requisitos e procedimentos necessários, em que a tónica seria colocada no produto e na elevada qualidade do serviço prestado pelos próprios TSPs.
Pretende-se identificar uma consonância de perspectivas que uniformizem as práticas da indústria e profissão, de forma a contribuir para a eventual clarificação de questões relacionadas com a profissionalização dos serviços.
Estes são alguns dos objectivos que presidem à implementação da norma: o aumento da consciencialização, sensibilização e transparência na oferta, a maior clareza nas relações entre o cliente e o fornecedor/prestador de serviços de tradução, a definição clara do âmbito e abrangência das relações estabelecidas e, ao mesmo tempo, o estabelecimento de parâmetros claros de regência dos procedimentos profissionais, o estabelecimento de regras claras ao nível da relação entre as empresas de tradução e os tradutores individuais que com elas trabalham em regime de colaboração ou subcontratação e, por último, um melhor entendimento das tarefas envolvidas na definição e prestação de um serviço de tradução de elevada qualidade, fomentando e desenvolvendo, ao mesmo tempo, uma cultura organizacional colaborativa entre as empresas aderentes aos seus requisitos normativos.
A “Norma sobre os Serviços de Tradução EN 15038” apresenta alguns pontos que importa equacionar. Desde logo, e à partida, o próprio conceito de tradutor acaba por ser totalmente redefinido através da introdução da nomenclatura TSP ou Translation Service Provider (Fornecedor de Serviços de Tradução), ou seja, “a person or organisation supplying translation services” (EN 15038:2006, alínea 2.18, pág. 6) e, sobretudo, estabelecendo a distinção entre esse translation service provider (TSP) e o tradutor, este último como “person who translates (2.17), no sentido simplificado de “render information in the source language into the target language in written form.” (EN 15038:2006, alínea 2.17, pág. 6).

A norma europeia especifica ainda os requisitos básicos para o TSP (Translation Service Provider) relativamente aos recursos técnicos e humanos, gestão e política ou práticas de qualidade, gestão de projectos, estrutura contratual, a relação cliente/TSP, bem como os procedimentos envolvidos na prestação de um serviço de qualidade, abordando parâmetros e rubricas diferenciadas, como, por exemplo: serviços de valor acrescentado, locale, linguagens controladas, gestão de projectos, gestão da qualidade, pré-edição, pós-edição; checking, reviser/proofreading; reviewer/review, project registration details ou diário do projecto, project registration, project assignment, guia de estilo, entre outros.
De igual forma, a norma EN15038 para os Serviços de Tradução estabelece toda uma série de requisitos básicos necessários para o perfil do futuro tradutor, nos quais são incluídas e descritas algumas valências e competências como, por exemplo, Gestão dos recursos humanos, Competências translatórias, Competência linguística e textual na LP e LC, Competência de investigação, aquisição e processamento da informação, Competência cultural, Competência interpessoal, Competência técnica e Competências profissionais.

(extraído de "Quase tudo o que eu (sempre) quis saber sobre tradução : kit de sobrevivência", disponível em http://hdl.handle.net/1822/5890)

Dá que pensar... (Boas Festas incluídas)

Moralismos à parte, por que não parar um pouco para vermos as figuras tristes que muito boa gente anda por aí a fazer?



Thursday, December 20, 2007

Jangadas de pedra





(...) Quando penso no processo e no acto de tradução, utilizo muitas vezes a metáfora geológica da tectónica de placas, para descrever o tipo de acções e transformações que o processo de tradução opera na camada e estrutura do texto. Em termos geológicos, uma placa é um segmento rígido da crosta terrestre constituído por rocha sólida. A palavra tectónica encontra a sua raiz no grego como o equivalente vernacular do significado do verbo construir. Juntando estas duas palavras obtemos a designação de "tectónica de placas", que se refere à ideia de que a superfície da Terra é construída por placas. Assim, numa perspectiva simplificada, podemos considerar que a teoria da tectónica de placas sustenta que a camada mais exterior da Terra, a crosta, se encontra fragmentada em placas de diferentes dimensões, que se movem umas em relação às outras ao deslizar sobre material mais quente e móvel do interior da Terra.
Se, entretanto, transpusermos esta nomenclatura para o nível textual, a questão da fragmentação permite entender o texto como algo dinâmico e móvel e compreender a forma como os processos de tradução ocorrem, tornando-se clara a noção de que toda a superfície do texto se encontra em contínua mutação e, tal como o movimento dos continentes, o tradutor é confrontado com um texto à deriva, repleto de cristas, depressões e falhas transformantes, fruto desse movimento convergente e divergente de placas. Tal como a superfície terrestre, a superfície do texto encontra-se, por isso, fragmentada em enormes placas - placas litosféricas - cuja posição e tamanho variam ao longo dos tempos. As extremidades destas placas, devido à interacção que se estabelece entre as mesmas, constituem locais de intensa actividade geológica, sobretudo sísmica e vulcânica.
Continuando com a metáfora geológica, é um dado adquirido que, durante o processo de tradução, o texto resiste, espera, adia a revelação do seu sentido. Tal como toda a prática artística ou científica há sempre uma rejeição, retracção, repulsa e resistência iniciais que é necessário e urgente ultrapassar. Porém, depois de ultrapassar essas barreiras, de transpor essa dimensão outra em que o texto se revela, é possível aceder ao que de mais íntimo nele corre, vencendo a resistência, limando arestas, burilando conceitos, depurando, partindo pedra, escavando, mergulhando no magma orgânico e, qual geólogo, proceder ao exame desses níveis, subníveis, estratos, subestratos ocultos e, ao mesmo tempo, interpretar esses marcos de sinalização dispostos ao longo do percurso, classificando, rotulando, analisando, desvelando sentidos, formas e conteúdos, detectando, lendo e medindo intensidades e interpretando os abalos sísmicos. Descodificando e aferindo os graus de tensão e distensão, o impacto da deformação do texto, a sua expansão ou contracção, dilatação ou redução, as suas rachas, os seus ecos, reverberações e sombras, como se de um sismólogo se tratasse, nessa busca incessante de uma transcendência imanente.
Por isso, também o acto de traduzir pode ser encarado como um abalo telúrico que produz inevitavelmente uma multiplicidade de fendas e fissuras na camada do texto e que, tal como num jogo de intensidades, divisões, tensões, avanços e recuos, cada elemento, micro ou macro textual luta por alcançar um ascendente ou protagonismo sobre os restantes, reflectindo-se nas inevitáveis e permanentes mudanças na tectónica do texto, afinal as diferentes manifestações da tradução inscritas no mapa do texto (...)

Wednesday, December 19, 2007

Obrigado, João!

Se a moda pega...




Em terras de Sua Majestade, o governo lembrou-se de "apertar o cinto" e vai daí corta nas traduções. Ao que parece, o dinheiro gasto em traduções é mal empregue e completamente desnecessário, porque ninguém lê o que se traduz, ou seja, ninguém consome este produto.
E em tempos de "lean production", vacas magras e quejandos, aperta-se o cinto e sacrifica-se o elo mais fraco.

Notícias disponíveis em

Monday, December 17, 2007

A Língua Enxertada




A Grafted Tongue (John Montague)

(Dumb,
Bloodied, the severed
head now chokes to
speak another tongue:--

As in
a long suppressed dream,
some stuttering, garb—
led ordeal of my own)

An Irish
child weeps at school
repeating its English.
After each mistake

The master
gouges another mark
on the tally stick
hung about its neck

Like a bell on a cow, a hobble
on a straying goat.
To slur and stumble

In shame
the altered syllables
of your own name;
to stray sadly home

And find
the turf cured width
of your parent’s hearth
growing slowly alien:

In cabin
and field, they still
speak the old tongue.
You may greet no one.

To grow
a second tongue, as
harsh a humiliation
as twice to be born.

Decades later,
that child’s grandchild’s
speech stumbles over lost
syllables of an old order.

Enxertias




E, no entanto, a tradução torna-se um texto‑enxerto que ‘pega’, isto é, que se enraiza no seu novo meio e nele tece laços orgânicos. Por isso, a tradução apresenta-se também como metáfora do enraizamento e da forma como esse texto enxertado é transplantado e aprende a germinar, ou seja, sobreviver, num ambiente linguístico e cultural estranho diferente do seu ecossistema dinâmico de origem, composto por um conjunto de “corpos estranhos provenientes dum espaço textual diferente” que foram transplantados para um novo ecossistema, fragmentos de um texto mais vasto de onde foram arrancados, como blocos erráticos circulando sem origem nem fim.
Tal como o tradutor, o texto e a palavra mostram-se, por conseguinte, entidades desenraizadas num contexto de errância pautado pela ausência de fixação e de barreiras. Perante os sentidos de desenraizamento na escrita, os textos‑outros encontrados na tradução funcionam como elementos potenciadores da “re‑locação” do sujeito e dotadores de uma maior confiança identitária. De facto, ao considerarmos esses “textos‑outros” como fragmentos dotados de mobilidade ou, mais concretamente, enxertos, obteremos a condição essencial para que os mesmos possam, simultaneamente, exercer uma função contaminadora e disseminadora da palavra num outro solo. De facto, a partir do momento em que o texto se estilhaça, o fragmento passa a ser agente contaminador, encarado não como uma entidade fechada, mas sim como um corpo autónomo e estruturante benjaminiano.

Wednesday, December 12, 2007

TAC - A Tradução Assistida por Computador




Nas minhas deambulações pela net, encontrei este interessante estudo sobre Machine Translation, e quejandos, intitulado How Good Is Machine Translation? A Modest Test, da autoria de Don dePalma.
Disponível em http://globalwatchtower.com/2007/10/30/mt-shootout/

Sunday, December 02, 2007

Mais um sítio para aliviar o stress

O dia em que o São Zizou enfrentou a sua besta negra

http://img122.imageshack.us/my.php?image=zidane18ub.swf

Advirtam-se (como dizia o outro)

Site anti-stress para basquetebolistas amadores e afins.

http://hax.at/files/boredmeeting.swf

Advirtam-se (como dizia o outro)

Site anti-stress para basquetebolistas amadores e afins.

Thursday, November 29, 2007

Brincando aos blues

http://www.desktopblues.lichtlabor.ch/

Velhos sons, novas roupagens











Velhas guitarras à solta e músicas com letras e muito estilo tipo eighties. Revivalismo urbano-depressivo, como diriam outros.
Alguns exemplos:

Interpol
The Bravery
Bloc Party
The Editors
Snow Patrol
Franz Ferdinand
The Hives
The Strokes

Monday, November 26, 2007

Sunday, November 25, 2007

Time, ou a passagem inexorável do tempo

Não sei porquê, mas lembra-me um monólogo de Beckett (Rockaby ou "Cadeira de Baloiço")

http://home.tiscali.nl/annejan/swf/timeline.swf

"Será que começamos a fazer sentido?"
http://www.visoesuteis.pt/criacoes/vozes_1.html

Filho és, pai serás

Um dos textos mais belos que li nos últimos tempos.

(...) Other people’s memories are like other people’s dreams. The more one tries to communicate just how special they are, the more banal they seem. They lose their power in the open spaces between us, like a blood-borne virus. Who cares that someone’s father taught them the names of the planets, and that the thought of that night, about a thousand billion years ago, can be so sharp and potent? When I was very small, he taught me to ride a bike by holding onto the back until I was steady, then letting go when I wasn’t looking. I was halfway down the street before I realised he wasn’t there anymore, but as soon as I noticed, I fell off. This time, I’ll just keep pedalling.

Texto completo em http://taylor-parkes.livejournal.com/22493.html