Tuesday, March 04, 2008

Os problemas do calão

"What does : "casse-toi pauvre con" mean in english ?"
LE MONDE | 01.03.08 | 13h35 • Mis à jour le 01.03.08 | 13h35


L'altercation a rapidement fait le tour de la planète. "Sarkozy's YouTube moment", titre ainsi The Globe and Mail. Mais le quotidien canadien souligne, par ailleurs, la perplexité des internautes pour traduire la réplique présidentielle.

Sur Yahoo ! Answers, la question est ouverte : "What does : "casse-toi pauvre con" mean in english ?" Vaste chantier. Chacun y va de sa proposition : "Piss off, poor idiot" (piss off, dégage, mais en vraiment vulgaire), "Get lost, asshole" (asshole, littéralement trouduc, mais bonne traduction de con). Les variations sont infinies. Certains, choqués, refusent de traduire les subtilités de langage du président et proposent : "*****, you ***** !"

Même embarras dans les médias anglo-saxons. Pour l'International Herald Tribune, c'est : "Then get lost, you poor jerk !" ("Dégage, pauvre idiot"). A la BBC, on préfère : "Get lost then you bloody idiot, just get lost !" (bloody, littéralement : saignant. Ici : foutu). Le fil de l'AFP en anglais : "Get lost, you stupid bastard !"

C'est bien plus chantant en italien : "Vai via, vai via, allora, povero coglione" ("Va t'en, va t'en, alors, pauvre con"), version de La Stampa. Chez les hispanophones, on balance entre le "Rajá, pobre pelotudo" ("Taille-toi, pauvre con") du journal argentin Clarin et le "¡ Lárgate, pobre imbecil !" (Largate, tire-toi) du quotidien espagnol El Pais. Pour les Allemands, on a le choix entre la version de Die Welt, "Dann hau doch ab, Du armseliger Dummkopf" ("Alors tire-toi, misérable crétin !"), celle du Spiegel, "Dann hau'doch ab, du Idiot", ou encore celle du Tagesspiegel, "Dann hau doch ab, du Blödmann" (Blödmann, connard).

En polonais, il y a un précédent, c'est "Spieprzaj dziadu !". Qui équivaut bien à : "Casse-toi, pauvre con !" C'est la phrase lancée le 4 novembre 2002 par Lech Kaczynski, alors maire de Varsovie, à un quidam qui l'interpellait dans la rue. Un site, www.spieprzajdziadu.pl, a été créé, des tee-shirts ont été fabriqués et des milliers de gens ont porté un bracelet en plastique marqué du désormais célèbre "Spieprzaj dziadu".

Eric Azan



"Casse-toi, pauvre con", un précédent avec Kaczynski en Pologne

Un "Casse-toi, pauvre con", que l'actuel président polonais Lech Kaczynski a lancé il y a plus de cinq ans à un homme qui le critiquait ouvertement dans la rue, n'a cessé de le poursuivre jusqu'à ce jour.

Les mots employés en polonais "Spieprzaj dziadu" sont à peu près l'exacte traduction du "Casse-toi, pauvre con" proféré par le président français Nicolas Sarkozy samedi à un visiteur du Salon de l'agriculture à Paris.

Le 4 novembre 2002, alors qu'il était en campagne pour se faire élire maire de Varsovie, Lech Kaczynski avait ainsi apostrophé un passant qui accusait les hommes politiques de fuir les problèmes "comme des rats".

La scène s'était passée dans un quartier reculé de Varsovie, mais elle a eu pour témoins un journaliste et une équipe de télévision. Elle a été rapportée le lendemain dans l'influent quotidien Rzeczpospolita. Et surtout, la vidéo s'est retrouvée sur internet.

Lech Kaczynski s'est constamment vu reprocher cette petite phrase lorsqu'il a été candidat à l'élection présidentielle à l'automne 2005. L'opposition libérale a alors parlé d'une "doctrine Casse-toi pauvre con" de Lech Kaczynski et de son frère jumeau Jaroslaw, pour désigner leur manque d'intérêt pour les exclus de la société.

Après la double victoire des Kaczynski aux législatives et à la présidentielle de 2005, leurs opposants ont fait du "Casse-toi, pauvre con" un mot d'ordre adressé aux jumeaux eux-mêmes.

Un site, www.spieprzajdziadu.pl, a vu le jour et des milliers de gens se sont mis à porter un bracelet en plastique marqué du désormais célèbre "Spieprzaj dziadu".

Le mot d'ordre est revenu en force durant la campagne des législatives anticipées d'octobre 2007, qui a débouché sur une défaite écrasante du parti conservateur des Kaczynski au profit des libéraux de Donald Tusk. Marginalisé, le président Lech Kaczynski a désormais une cote de popularité détestable.

Source : AFP



Imagem em directo aqui

Wednesday, February 27, 2008

Clã - Sexto Andar

As músicas dos Clã + letras do Tê são sempre um bálsamo para a alma

Alguém que julgou
Que era para si em particular
Que a canção/tradução
Estava a falar

Um sopro, um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio numa simples canção/tradução




Friday, February 22, 2008

Tradução: um sopro post-morten

Há, no processo de tradução tout court, uma constante dicotomia entre vida e morte, uma espécie de tensão e ambivalência latentes entre morte e ressureição / morte e transmutação.
“A tradução mata o original” é, de facto, um lugar-comum frequentemente escutado. De igual forma, a tradução é comummente associada à transfusão/transmutação, bem como à tentativa de captar esse “afterlife”, momento “pós-vida” ou estado “post-morten” do texto.
Por outro lado, a tradução parece igualmente envolver uma espécie de experiência de desintegração, estilhaçamento ou e dilaceramento, tal como equacionava Charles Tomlinson.
É frequente afirmar-se que as traduções matam o original, embora, muitas vezes, essa morte sirva apenas para revelar que, afinal, o original já estaria morto e que, de certa forma, é apropriado para outos fins, outras causas.
Dentro desta perspectiva tanatológica associada à prática da tradução, será possível, como defende Rosanna Warren, definir tradução como uma ausência, resquício que fica desse pós-vida, logo "an afterlife", espécie de exame ou relatório médico-legal através do qual o texto-corpo é declarado morto, se certifica o óbito, autopsia o cadáver e, ao mesmo tempo, é revelada a causa da sua morte.

Monday, February 18, 2008

Tradutores, uni-vos... (pedido de colaboração)

O Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM) da Universidade do Minho está a elaborar um inquérito com o objectivo de colher informações e contributos sobre a prática da tradução profissional na região Norte de Portugal. Pede-se a todos os tradutores da região Norte de Portugal, eventualmente interessados em apoiar esta iniciativa, que participem neste projecto respondendo ao seguinte inquérito:

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=iFmLS_2baow7I_2fuMh1Cbgc6Q_3d_3d

O inquérito decorrerá entre 7 de Janeiro de 2008 e 30 de Março de 2008.

Para mais informações, contactar Fernando Ferreira Alves (falves@ilch.uminho.pt).

Thursday, February 14, 2008

Be my embrace

Nem de propósito, neste dia de S. Valentim.

(Pnau ft LadyHawke)

Para ouvir no
Posto de escuta 1
ou
Posto de escuta 2

Tuesday, February 12, 2008

Technology for translation teachers - training seminar

Nos dias 23 a 27 de Junho de 2008 realizar-se-á, na Universidade do Minho, o Seminário “Language vs. Technology”, um evento de carácter internacional, que resulta da parceria entre a Universidade do Minho, a Universidade de Tarragona e o Intercultural Studies Group, dessa mesma instituição.

Este evento insere-se no âmbito do CTTT – Consortium for Training Translation Teachers, e trata-se de um curso de formação intensivo que decorrerá durante uma semana, especificamente orientado para professores, tradutores profissionais e especialistas na área dos estudos de tradução. (Para mais informações, consultar site do evento em http://isg.urv.es/cttt/minho_2008/index.html).

A sessão do presente ano contará com a presença especial, como guest speakers, de vários nomes importantes no domínio da Tradução, nomeadamente Anthony Pym, Brian Mossop, Daniel Gouadec, Debbie Folaron, Kevin Costello e Sue Ellen Wright.

Technology for translation teachers - training seminar

Language vs. Technology

Braga, Portugal, 23 June – 27 June 2008

The Consortium for Training Translation Teachers, in cooperation with the Institute of Arts and Humanities at the University of Minho is pleased to announce this intensive training seminar in English.

Based on the models developed since 2001, the seminar is designed to bring together both professional translators and translation teachers, and to facilitate exchanges between those groups.

Seminar leaders: Sue Ellen Wright, Debbie Folaron, Brian Mossop, Kevin Costello, Daniel Gouadec

Academic coordinator: Anthony Pym, Fernando Ferreira Alves

Contact hours: 50 (including software demonstrations) ECTS credits: 2
Tuition fee: 390 Euros

Information: http://isg.urv.es/cttt/minho_2008/index.html

Contact details:

Andreia Silva – cs.andreia@gmail.com

Sunday, February 10, 2008

Como cães e gatos




Um dos muitos exemplos da nem sempre pacífica relação entre o crítico e o tradutor.
Sempre que se fala de tradução, há sempre alguém, no alto da sua cátedra, e com instinto de predador, de faca afiada e garras de fora, sempre pronto a opinar sobre o que (às vezes), não sabe.

Wednesday, February 06, 2008

O 11º Mandamento (do Tradutor)

(Quando traduzires) desconfiarás de tudo e mais alguma coisa, até da tua própria sombra e, sobretudo, de tudo aquilo que esse (novo) deus omnipotente, omnipresente e omnisciente chamado Google (ou qualquer um dos seus emissários, vulgo motores de pesquisa ou tradutores automáticos) te disser.

(É o que não me canso de dizer aos meus alunos: Na dúvida, confirmem sempre. Em caso de certeza absoluta, voltem a confirmar, pelo sim, pelo não.)

Se não acreditam, vejam a prova aqui.

Tuesday, February 05, 2008

Retropolis

Uma coisa gira que vi há uns dias atrás (num futuro próximo, a la Tati)

Monday, February 04, 2008

Exercícios de tradução (parte 1)

A linguagem cinematográfica presta-se a pequenos (grandes) exercícios de re-escrita/adaptação. Ora senão vejamos.




Saturday, February 02, 2008

Stop-bullying

Contra todas as formas veladas (e não só) de discriminação.
Um novo fenómeno que, infelizmente, vai alastrando nas nossas "escolinhas de papel", e que se traduz em novas formas de violência/coacção física e psicológica.
(dedicado a todas as bestas que impedem o normal crescimento e desenvolvimento do indivíduo)

Realpolitik geoestratégica politicamente incorrecta

It could happen to you (numa localidade perto de si)

Friday, February 01, 2008

Plágios e tradução

Os nossos irmãos e colegas do Brasil andam às voltas com uma polémica que estourou recentemente e promete dar que falar. Trata-se de uma questão que anda à volta de traduções plagiadas e plágios traduzidos, envolvendo, claro está, as sacrossantas editoras e alguns clássicos da literatura.
Como não podia deixar de ser há o bom, o mau e o vilão. Neste caso, diria que é mais o lorpa e o chico-esperto. Ora adivinhem lá qual a distribuição dos papéis.
Tradutor = Lorpa / Editor = Chico-esperto. E lá vamos cantando e rindo... com a impunidade dos suspeitos do costume.



O abaixo-assinado está disponível aqui.






À laia de desabafo: Por acaso, até ando um bocado queimado e agastado com isto do plágio on/off-line e roubo das ideias alheias via editoras e outras autoras... algo que me bateu à porta recentemente, não por causa de uma tradução, mas por vias travessas, com uma obra original, em que fui autor, co-autor, animador e zelador. E, no final, alvo de uma chicotada psicológica vil e mesquinha, something disposable...


A isto voltarei quando tiver tempo e disposição, porque o melão é grande e a raiva não cabe nesta missiva...



Monday, January 28, 2008

Torga pelo Sindicato de Poesia




TORGA PELA VOZ DO SINDICATO DE POESIA



Correspondendo generosamente, como vem sendo hábito, a mais um desafio da Biblioteca Pública de Braga (UNIVERSIDADE DO MINHO), o Sindicato de Poesia vai realizar no próximo dia 31 de Janeiro um recital intitulado O chão e o verbo, dedicado a Miguel Torga.

Os textos serão ditos por António Durães, Ana Gabriela Macedo, Fernando Coelho, Gaspar Machado, Manuela Martinez e Marta Catarina, sob o olhar do actor-sindicalista António Durães.

O recital O chão e o verbo, é de algum modo, inspirado por um excerto do «Diário VIII» de Miguel Torga:



Comer terra é uma prática velha do Homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal.



Os textos foram seleccionados pelo Doutor Carlos Mendes de Sousa, comissário da Exposição Comemorativa do Centenário do Nascimento de Miguel Torga (1907-1995), organizada pela Direcção Regional de Cultura do Norte com o patrocínio da DST, que a Biblioteca Pública de Braga vem apresentando no Salão Medieval até 8 de Fevereiro e em cuja programação se insere o recital do Sindicato de Poesia.

O recital realiza-se no Salão Medieval (Largo do Paço, Braga) na próxima quinta feira, dia 31 de Janeiro, às 21:45 horas, com entrada livre.

Saturday, January 26, 2008

Manual de instruções para intérpretes (mais ou menos banais)

Às vezes, gostava de ser assim...

Dedo de tradutor(a)

O blogue O Regabofe tem dedo e perfume de tradutor(a). Nota-se que anda por ali algo... não sei o quê, ao certo, mas que há qualquer coisa, há. E, para além disso, gostam de ténis, o que me agrada.
Ali, li um post interessante e também enigmático (pelo menos para mim, que sei o quão árduo e extenuante é traduzir, quando dou tudo de mim e quando me esgoto, esvazio e metamorfoseio, ante essa ânsia sublime e sisífica de alcançar uma comunhão efémera com uma alteridade tão (in)intelegível):

Tradução optimista
"A coisa espectacular é a coisa passível de uma tradução espectacular. Há coisas que projectam de modo fraco o que possivelmente devemos tornar forte, sobretudo se formos pessoas espectaculares, isto é, não mais do que coisas susceptíveis de uma tradução espectacular. Em última análise, vivamos como vivermos, só a tradução é o caminho do que está em andamento."

Tuesday, January 22, 2008

La Palissadas...

Olha-me que grande novidade... (extraído do Portefólio Digital do Kelson)

Mas por que é que, por cá, ainda ninguém percebeu o óbvio da questão?

Uma pequena grande equação para resolver nas horas vagas:

Texto = Línguas = Tradução = Serviço = Processo = Produto = Qualidade = Profissionalismo = Eficácia comunicacional = Vendas = Retorno = Satisfação do cliente (e fecha-se o ciclo, and so on, and so on, e viveram felizes para sempre...)

Saturday, January 19, 2008

Em defesa das Humanidades

Aconteceu em Itália onde, no último Concurso para Juíz, 90% do/as Candidato/as foram "chumbado/as" nas provas escritas porque repletas de erros de ortografia, sintaxe e gramática (os meus agradecimentos à Elena, pelo link).

Como disse o João, e bem, "numa altura em que as disciplinas humanísticas se tornaram rasuráveis dos curricula universitários e com o puro analfabetismo que trespassa o sistema de ensino de ensino português, em todos os seus níveis, é altura das disciplinas da área das humanidades (o português, o latim e o grego, a filosofia, a história, as línguas estrangeiras, etc.) readquirirem a dignidade e o respeito que merecem."

Wednesday, January 16, 2008

Versões/Traduções

Na música, como na tradução da palavra escrita, as versões são também elas processos complexos de equivalência dinâmica e funcional, resultantes desse misto de alquimia e transmutação através do qual o objecto é adaptado a uma outra realidade/ecossistema cultural e referencial.
Neste caso, no entanto, o original é insubstituível, quiçá intraduzível. Fica, mesmo assim, o singelo exercício diletante de estilo.

A versão

O original

You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


Mário Cesariny de Vasconcelos (1957)


A tradução de Richard Zenith está disponível aqui.