Wednesday, February 06, 2008

O 11º Mandamento (do Tradutor)

(Quando traduzires) desconfiarás de tudo e mais alguma coisa, até da tua própria sombra e, sobretudo, de tudo aquilo que esse (novo) deus omnipotente, omnipresente e omnisciente chamado Google (ou qualquer um dos seus emissários, vulgo motores de pesquisa ou tradutores automáticos) te disser.

(É o que não me canso de dizer aos meus alunos: Na dúvida, confirmem sempre. Em caso de certeza absoluta, voltem a confirmar, pelo sim, pelo não.)

Se não acreditam, vejam a prova aqui.

Tuesday, February 05, 2008

Retropolis

Uma coisa gira que vi há uns dias atrás (num futuro próximo, a la Tati)

Monday, February 04, 2008

Exercícios de tradução (parte 1)

A linguagem cinematográfica presta-se a pequenos (grandes) exercícios de re-escrita/adaptação. Ora senão vejamos.




Saturday, February 02, 2008

Stop-bullying

Contra todas as formas veladas (e não só) de discriminação.
Um novo fenómeno que, infelizmente, vai alastrando nas nossas "escolinhas de papel", e que se traduz em novas formas de violência/coacção física e psicológica.
(dedicado a todas as bestas que impedem o normal crescimento e desenvolvimento do indivíduo)

Realpolitik geoestratégica politicamente incorrecta

It could happen to you (numa localidade perto de si)

Friday, February 01, 2008

Plágios e tradução

Os nossos irmãos e colegas do Brasil andam às voltas com uma polémica que estourou recentemente e promete dar que falar. Trata-se de uma questão que anda à volta de traduções plagiadas e plágios traduzidos, envolvendo, claro está, as sacrossantas editoras e alguns clássicos da literatura.
Como não podia deixar de ser há o bom, o mau e o vilão. Neste caso, diria que é mais o lorpa e o chico-esperto. Ora adivinhem lá qual a distribuição dos papéis.
Tradutor = Lorpa / Editor = Chico-esperto. E lá vamos cantando e rindo... com a impunidade dos suspeitos do costume.



O abaixo-assinado está disponível aqui.






À laia de desabafo: Por acaso, até ando um bocado queimado e agastado com isto do plágio on/off-line e roubo das ideias alheias via editoras e outras autoras... algo que me bateu à porta recentemente, não por causa de uma tradução, mas por vias travessas, com uma obra original, em que fui autor, co-autor, animador e zelador. E, no final, alvo de uma chicotada psicológica vil e mesquinha, something disposable...


A isto voltarei quando tiver tempo e disposição, porque o melão é grande e a raiva não cabe nesta missiva...



Monday, January 28, 2008

Torga pelo Sindicato de Poesia




TORGA PELA VOZ DO SINDICATO DE POESIA



Correspondendo generosamente, como vem sendo hábito, a mais um desafio da Biblioteca Pública de Braga (UNIVERSIDADE DO MINHO), o Sindicato de Poesia vai realizar no próximo dia 31 de Janeiro um recital intitulado O chão e o verbo, dedicado a Miguel Torga.

Os textos serão ditos por António Durães, Ana Gabriela Macedo, Fernando Coelho, Gaspar Machado, Manuela Martinez e Marta Catarina, sob o olhar do actor-sindicalista António Durães.

O recital O chão e o verbo, é de algum modo, inspirado por um excerto do «Diário VIII» de Miguel Torga:



Comer terra é uma prática velha do Homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal.



Os textos foram seleccionados pelo Doutor Carlos Mendes de Sousa, comissário da Exposição Comemorativa do Centenário do Nascimento de Miguel Torga (1907-1995), organizada pela Direcção Regional de Cultura do Norte com o patrocínio da DST, que a Biblioteca Pública de Braga vem apresentando no Salão Medieval até 8 de Fevereiro e em cuja programação se insere o recital do Sindicato de Poesia.

O recital realiza-se no Salão Medieval (Largo do Paço, Braga) na próxima quinta feira, dia 31 de Janeiro, às 21:45 horas, com entrada livre.

Saturday, January 26, 2008

Manual de instruções para intérpretes (mais ou menos banais)

Às vezes, gostava de ser assim...

Dedo de tradutor(a)

O blogue O Regabofe tem dedo e perfume de tradutor(a). Nota-se que anda por ali algo... não sei o quê, ao certo, mas que há qualquer coisa, há. E, para além disso, gostam de ténis, o que me agrada.
Ali, li um post interessante e também enigmático (pelo menos para mim, que sei o quão árduo e extenuante é traduzir, quando dou tudo de mim e quando me esgoto, esvazio e metamorfoseio, ante essa ânsia sublime e sisífica de alcançar uma comunhão efémera com uma alteridade tão (in)intelegível):

Tradução optimista
"A coisa espectacular é a coisa passível de uma tradução espectacular. Há coisas que projectam de modo fraco o que possivelmente devemos tornar forte, sobretudo se formos pessoas espectaculares, isto é, não mais do que coisas susceptíveis de uma tradução espectacular. Em última análise, vivamos como vivermos, só a tradução é o caminho do que está em andamento."

Tuesday, January 22, 2008

La Palissadas...

Olha-me que grande novidade... (extraído do Portefólio Digital do Kelson)

Mas por que é que, por cá, ainda ninguém percebeu o óbvio da questão?

Uma pequena grande equação para resolver nas horas vagas:

Texto = Línguas = Tradução = Serviço = Processo = Produto = Qualidade = Profissionalismo = Eficácia comunicacional = Vendas = Retorno = Satisfação do cliente (e fecha-se o ciclo, and so on, and so on, e viveram felizes para sempre...)

Saturday, January 19, 2008

Em defesa das Humanidades

Aconteceu em Itália onde, no último Concurso para Juíz, 90% do/as Candidato/as foram "chumbado/as" nas provas escritas porque repletas de erros de ortografia, sintaxe e gramática (os meus agradecimentos à Elena, pelo link).

Como disse o João, e bem, "numa altura em que as disciplinas humanísticas se tornaram rasuráveis dos curricula universitários e com o puro analfabetismo que trespassa o sistema de ensino de ensino português, em todos os seus níveis, é altura das disciplinas da área das humanidades (o português, o latim e o grego, a filosofia, a história, as línguas estrangeiras, etc.) readquirirem a dignidade e o respeito que merecem."

Wednesday, January 16, 2008

Versões/Traduções

Na música, como na tradução da palavra escrita, as versões são também elas processos complexos de equivalência dinâmica e funcional, resultantes desse misto de alquimia e transmutação através do qual o objecto é adaptado a uma outra realidade/ecossistema cultural e referencial.
Neste caso, no entanto, o original é insubstituível, quiçá intraduzível. Fica, mesmo assim, o singelo exercício diletante de estilo.

A versão

O original

You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


Mário Cesariny de Vasconcelos (1957)


A tradução de Richard Zenith está disponível aqui.

Art imitates life (ou vice-versa?)

O estranho caso da versão (cover) cool-hip-swing que arrasa o original (Mr. Mark Ronson and Dame Winehouse não param de nos surpreender com o seu talento).

O original


E afinal havia outra...

Monday, January 14, 2008

Electricidade ultrasónica

Digo e repito. Os Yo La Tengo, do casal Ira Kaplan e Georgia Hubley + Dave Schramm e James McNew, são um dos grupos mais injustiçados de sempre. Andam nisto há muitos anos, sempre com um proverbial e salutar "low profile underground" e alternativo.
Cumpro aqui a minha homenagem, aproveitando a boleia de um dos meus ídolos do jogo da raquete e bola, em estilo "talk-show".

Sunday, January 13, 2008

I was here - ESDJGFA (ex-ESV)

Vivi aqui, estudei aqui, nos idos de 80.
A escola ainda respira. Novas gerações, novos projectos, o mesmo espírito, as mesmas paredes, histórias ímpares, impartilháveis e únicas.
A memória fica e alimenta-se de imagens como esta.

Play Misty for me

Um dos grandes filmes de Clint Eastwood e, certamente, um tema belíssimo, aqui em duas versões, respectivamente de Ella Fitzgerald e Sara Vaughan.







P.S. Prometo voltar um dia a este filme.

Saturday, January 12, 2008

Apanhado!

Nem os intérpretes escapam à câmara indiscreta.

Wednesday, January 09, 2008

Traddutora, Traditora?



O trabalho de tradução/interpretação ultrapassa o simples entendimento e transposição da palavra e da gramática de uma língua para a outra. Neste sentido, o tradutor/intérprete assume-se como um verdadeiro intermediário social, político e cultural, um ser dividido entre tempos, momentos e espaços, capaz de estabelecer a ligação entre mundos e culturas, elemento centralizador e catalisador desse encontro plural com o outro através da palavra. Neste processo de encontro e abertura protagonizado pelo Novo Mundo, tantas vezes caracterizado pela mestiçagem e miscigenação racial, cultural e linguística, é-nos apresentado um novo paradigma da abertura ao multiculturalismo.

Talvez o mais fascinante e influente intermediário do século XVI tenha sido, não um europeu, nem um homem, mas antes uma nativa indígena, mais concretamente Doña Marina ou a La Malinche, como ficou conhecida, a intérprete de Cortez durante a conquista do México.

É assim que nasce a figura e cresce o mito em torno de Doña Marina, simultaneamente, uma figura na margem e no centro, periférica e central, proscrita, traidora e cortesã, amante e intérprete de Cortez, porque ela era, afinal, a figura através da qual passava toda a comunicação entre os aztecas e os espanhóis

Simbolizando o hibridismo e a mestiçagem, elemento de ligação entre dois mundos em conflito e criando, ao mesmo tempo, um outro mundo à parte, La Malinche, Malintzin ou La Chingada funciona como figura de destaque no lugar ocupado pela língua e retórica e peça-chave daquilo a que muitos chamam de“máquina de propaganda representacional europeia”, personificando o vastíssimo processo de tradução cultural iniciado pelos Descobrimentos.


P.S. Agradeço, a propósito, as simpáticas palavras do colega Adelto Gonçalves que teve a gentileza do ler e comentar, no site Verdes Trigos, o meu texto “Traddutora,Traditora? Tradução, mestiçagem e multiculturalismo no feminino”.

Sunday, January 06, 2008

Uma nova forma de servidão?

Apresento-vos o tradutor... um dos novos servos da aldeia global, espécie de "faz-tudo" globetrotter, multifunções, nessa nova glebe da era moderna, digital, pós-moderna, pós-tudo-e-mais-qualquer-coisa

"The translator has become the quintessential servant: efficient, punctual, hardworking, silent and yes, invisible." (Daniel Simeoni, 1998)