Thursday, December 20, 2007

Jangadas de pedra





(...) Quando penso no processo e no acto de tradução, utilizo muitas vezes a metáfora geológica da tectónica de placas, para descrever o tipo de acções e transformações que o processo de tradução opera na camada e estrutura do texto. Em termos geológicos, uma placa é um segmento rígido da crosta terrestre constituído por rocha sólida. A palavra tectónica encontra a sua raiz no grego como o equivalente vernacular do significado do verbo construir. Juntando estas duas palavras obtemos a designação de "tectónica de placas", que se refere à ideia de que a superfície da Terra é construída por placas. Assim, numa perspectiva simplificada, podemos considerar que a teoria da tectónica de placas sustenta que a camada mais exterior da Terra, a crosta, se encontra fragmentada em placas de diferentes dimensões, que se movem umas em relação às outras ao deslizar sobre material mais quente e móvel do interior da Terra.
Se, entretanto, transpusermos esta nomenclatura para o nível textual, a questão da fragmentação permite entender o texto como algo dinâmico e móvel e compreender a forma como os processos de tradução ocorrem, tornando-se clara a noção de que toda a superfície do texto se encontra em contínua mutação e, tal como o movimento dos continentes, o tradutor é confrontado com um texto à deriva, repleto de cristas, depressões e falhas transformantes, fruto desse movimento convergente e divergente de placas. Tal como a superfície terrestre, a superfície do texto encontra-se, por isso, fragmentada em enormes placas - placas litosféricas - cuja posição e tamanho variam ao longo dos tempos. As extremidades destas placas, devido à interacção que se estabelece entre as mesmas, constituem locais de intensa actividade geológica, sobretudo sísmica e vulcânica.
Continuando com a metáfora geológica, é um dado adquirido que, durante o processo de tradução, o texto resiste, espera, adia a revelação do seu sentido. Tal como toda a prática artística ou científica há sempre uma rejeição, retracção, repulsa e resistência iniciais que é necessário e urgente ultrapassar. Porém, depois de ultrapassar essas barreiras, de transpor essa dimensão outra em que o texto se revela, é possível aceder ao que de mais íntimo nele corre, vencendo a resistência, limando arestas, burilando conceitos, depurando, partindo pedra, escavando, mergulhando no magma orgânico e, qual geólogo, proceder ao exame desses níveis, subníveis, estratos, subestratos ocultos e, ao mesmo tempo, interpretar esses marcos de sinalização dispostos ao longo do percurso, classificando, rotulando, analisando, desvelando sentidos, formas e conteúdos, detectando, lendo e medindo intensidades e interpretando os abalos sísmicos. Descodificando e aferindo os graus de tensão e distensão, o impacto da deformação do texto, a sua expansão ou contracção, dilatação ou redução, as suas rachas, os seus ecos, reverberações e sombras, como se de um sismólogo se tratasse, nessa busca incessante de uma transcendência imanente.
Por isso, também o acto de traduzir pode ser encarado como um abalo telúrico que produz inevitavelmente uma multiplicidade de fendas e fissuras na camada do texto e que, tal como num jogo de intensidades, divisões, tensões, avanços e recuos, cada elemento, micro ou macro textual luta por alcançar um ascendente ou protagonismo sobre os restantes, reflectindo-se nas inevitáveis e permanentes mudanças na tectónica do texto, afinal as diferentes manifestações da tradução inscritas no mapa do texto (...)

Wednesday, December 19, 2007

Obrigado, João!

Se a moda pega...




Em terras de Sua Majestade, o governo lembrou-se de "apertar o cinto" e vai daí corta nas traduções. Ao que parece, o dinheiro gasto em traduções é mal empregue e completamente desnecessário, porque ninguém lê o que se traduz, ou seja, ninguém consome este produto.
E em tempos de "lean production", vacas magras e quejandos, aperta-se o cinto e sacrifica-se o elo mais fraco.

Notícias disponíveis em

Monday, December 17, 2007

A Língua Enxertada




A Grafted Tongue (John Montague)

(Dumb,
Bloodied, the severed
head now chokes to
speak another tongue:--

As in
a long suppressed dream,
some stuttering, garb—
led ordeal of my own)

An Irish
child weeps at school
repeating its English.
After each mistake

The master
gouges another mark
on the tally stick
hung about its neck

Like a bell on a cow, a hobble
on a straying goat.
To slur and stumble

In shame
the altered syllables
of your own name;
to stray sadly home

And find
the turf cured width
of your parent’s hearth
growing slowly alien:

In cabin
and field, they still
speak the old tongue.
You may greet no one.

To grow
a second tongue, as
harsh a humiliation
as twice to be born.

Decades later,
that child’s grandchild’s
speech stumbles over lost
syllables of an old order.

Enxertias




E, no entanto, a tradução torna-se um texto‑enxerto que ‘pega’, isto é, que se enraiza no seu novo meio e nele tece laços orgânicos. Por isso, a tradução apresenta-se também como metáfora do enraizamento e da forma como esse texto enxertado é transplantado e aprende a germinar, ou seja, sobreviver, num ambiente linguístico e cultural estranho diferente do seu ecossistema dinâmico de origem, composto por um conjunto de “corpos estranhos provenientes dum espaço textual diferente” que foram transplantados para um novo ecossistema, fragmentos de um texto mais vasto de onde foram arrancados, como blocos erráticos circulando sem origem nem fim.
Tal como o tradutor, o texto e a palavra mostram-se, por conseguinte, entidades desenraizadas num contexto de errância pautado pela ausência de fixação e de barreiras. Perante os sentidos de desenraizamento na escrita, os textos‑outros encontrados na tradução funcionam como elementos potenciadores da “re‑locação” do sujeito e dotadores de uma maior confiança identitária. De facto, ao considerarmos esses “textos‑outros” como fragmentos dotados de mobilidade ou, mais concretamente, enxertos, obteremos a condição essencial para que os mesmos possam, simultaneamente, exercer uma função contaminadora e disseminadora da palavra num outro solo. De facto, a partir do momento em que o texto se estilhaça, o fragmento passa a ser agente contaminador, encarado não como uma entidade fechada, mas sim como um corpo autónomo e estruturante benjaminiano.

Wednesday, December 12, 2007

TAC - A Tradução Assistida por Computador




Nas minhas deambulações pela net, encontrei este interessante estudo sobre Machine Translation, e quejandos, intitulado How Good Is Machine Translation? A Modest Test, da autoria de Don dePalma.
Disponível em http://globalwatchtower.com/2007/10/30/mt-shootout/

Sunday, December 02, 2007

Mais um sítio para aliviar o stress

O dia em que o São Zizou enfrentou a sua besta negra

http://img122.imageshack.us/my.php?image=zidane18ub.swf

Advirtam-se (como dizia o outro)

Site anti-stress para basquetebolistas amadores e afins.

http://hax.at/files/boredmeeting.swf

Advirtam-se (como dizia o outro)

Site anti-stress para basquetebolistas amadores e afins.

Thursday, November 29, 2007

Brincando aos blues

http://www.desktopblues.lichtlabor.ch/

Velhos sons, novas roupagens











Velhas guitarras à solta e músicas com letras e muito estilo tipo eighties. Revivalismo urbano-depressivo, como diriam outros.
Alguns exemplos:

Interpol
The Bravery
Bloc Party
The Editors
Snow Patrol
Franz Ferdinand
The Hives
The Strokes

Monday, November 26, 2007

Sunday, November 25, 2007

Time, ou a passagem inexorável do tempo

Não sei porquê, mas lembra-me um monólogo de Beckett (Rockaby ou "Cadeira de Baloiço")

http://home.tiscali.nl/annejan/swf/timeline.swf

"Será que começamos a fazer sentido?"
http://www.visoesuteis.pt/criacoes/vozes_1.html

Filho és, pai serás

Um dos textos mais belos que li nos últimos tempos.

(...) Other people’s memories are like other people’s dreams. The more one tries to communicate just how special they are, the more banal they seem. They lose their power in the open spaces between us, like a blood-borne virus. Who cares that someone’s father taught them the names of the planets, and that the thought of that night, about a thousand billion years ago, can be so sharp and potent? When I was very small, he taught me to ride a bike by holding onto the back until I was steady, then letting go when I wasn’t looking. I was halfway down the street before I realised he wasn’t there anymore, but as soon as I noticed, I fell off. This time, I’ll just keep pedalling.

Texto completo em http://taylor-parkes.livejournal.com/22493.html

Lição (nostálgica) de ténis

Esta é a razão pela qual passei ao lado de uma grande carreira

http://br.youtube.com/watch?v=Xs7bpPKD4X8&feature=related

As férias do Sr. Hulot (1)

Se me perguntassem qual o filme que eu levaria para uma ilha deserta, este estaria certamente no rol dos escolhidos:

http://br.youtube.com/watch?v=imejpHjmhh8&feature=PlayList&p=4FD7236DA85ADE35&index=17

Uma prenda do tio Bill Gates

O glossário da Microsof pode ser encontrado aqui:

http://www.microsoft.com/globaldev/tools/MILSGlossary.mspx

Doce decadência

O apelido fica-lhe a matar, mesmo

http://www.amywinehouse.co.uk/

Cortar + Copiar = Ouvir



Directamente de Melbourne, Victoria, Austrália

http://www.myspace.com/cutcopy

Um filme...



"O meu tio", de Jacques Tati, porque sim...